Ah, Vizinho!

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Poema congolês de Charles Djungu-Simba K. (para J. Saverio Naigiziki, escritor ruandês)

Ah, Vizinho!
Arte poetica Chokwe

Os ratos da tua cabana
Vens caçá-los na minha vila
O teu tecto que destila humidade
Queres colmatá-lo em minha casa
Quando bates nos teus filhos
Gritas por socorro
Quando roubas os meus bens
Acusas Stanley e Livingstone
Que lição me queres dar
A mim Deus deu-me tudo
Onze mulheres em províncias
Com ciúmes umas das outras
Seiscentos miúdos dizem
Que por vezes se zangam
Mas nunca sangue
Mas nunca fogo
Eu, o gigante de bom coração
Quando erravas sem tecto
Dei-te cama e mesa
As minhas mulheres amamentaram os teus filhos
Quando cresceram, violaram-nas
Abri-te os meus braços
Ignorando que os teus são machetes
Que lição me queres dar
Nzambi-Mungu deu-me tudo
Só tens dois ou três filhos
E todos os dias todas as noites
Tribunal de guerra rio de sangue
O teu vil jogo já é conhecido
De Popokabaka até à Onu
A tua boca cospe leite
Mas as tuas mãos estão sujas de sangue
Do meu grande imbondeiro de Boma
Ofereci-te um ramo
Cortaste-o intencionalmente
Na minha vasta concessão de Goma
Preparei-te uma esteira
Sujaste-ma arrogantemente
Moscas e hienas seguem-te por todo o lado
Os gorilas de Kaozi fogem de ti
os ocapis de Epulu receiam-te
E os elefantes de Bodio amaldiçoam-te
Que lição me queres dar
N’Kombe-Imana deu-me tudo
Mas tudo tem um fim
O sapo aprende-o à sua custa
Ele que pensava com a pança
E tu pensas que me vais engolir
Ou fazer de mim teu servo?
Se tive força para suportar os teus golpes
Também a terei para te torcer o pescoço
Aí é que vais gritar
E chorar em vão
Tu que tens sempre razões
Para fazer mal
Ah, Vizinho!

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