Bandeira

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Poesia de Maurício de Almeida Gomes

Somos um povo à parte
desprezado
incompreendido
um povo que lutou e foi vencido.

Por isso em meu canto de fé,
clamo e proponho, negro,
que a nossa bandeira
... seja um pano negro,
Negro da cor da noite sem luar...

Sobre essa escuridão de luto e de pesar,
da cor da nossa cor,
escreve, irmão,
coma tu a mão rude e vacilante
-mas forte
A palavra-força:
união!
Traça depois, teimosamente
Estas palavras basilares,
edificantes:

Trabalho, instrução, educação.

E com letras de ouro,
esplêndidas,
(a mão, mais firme já)
escreve, negro,

Civilização, progresso, riqueza.

Em caracteres róseos
esboça comovido
a palavra-chave da vida:

Amor!

Com letras brancas
desenha com amor
a palavra sublime:
paz!

A seguir
a vermelho-vivo
a vermelho-sangue,
com tinta feita de negros corpos desfeitos,
em lutas que vamos travar,
a vermelho-vivo,
cor do nosso sangue amassado
e misturado com lágrimas de sangue,
lágrimas por escravos choradas,
escreve, negro, firme e confiante,
com letras todas maiúsculas,
a palavra suprema
(ideal eterno,
nobre ideal
da humanidade atribulada,
que por ela vem lutando
e por ela vem sofrendo)
escreve, negro,
escreve, irmão,
a palavra suprema

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