Se a minha terra é de cor

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Poesia de Maurício de Almeida Gomes

A minha terra tem cor...
Eu não conheço outra terra
Onde haja tanta beleza
nas síncopes coloridas
dum fim de tarde...
Inda está p´ra ser fadado
um tão nevado luar
que derrame tanto leite
em noites de Lua cheia...
No meu corpo bronzeado,
na minha terra tão linda,
há orgias embriagantes
de cor.
— Se a minha terra é de cor!...
Na chagar sangrenta
da rubra queimada
sem fim
queimando dentro de mim,
e no pesado negrume
de certas noites sem lua.
e com a lume apagado
no rutilante luzeiro
onde foi crucificada a minha Raça.
— A minha terra tem cor!...
Nos frutos tão bons,
nas águas imensas,
nos campos lavrados,
nos céus anilados,
nos corpos tão negros
dos pretos,
das pretas,
nas estrelinhas trementes,
— lágrimas de Deus
derramadas
pelos negros inocentes—
já doces tonalidades
mistérios,
suavidades,
cambiantes fascinantes
de cor.
— Se a minha terra é de cor!...


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