29 de Abril, Dia Mundial da Dança

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Assinala-se, no dia 29 de Abril mais um "Dia Mundial da Dança" instituído pela UNESCO em homenagem a Jean-Georges Noverre (1927 ­ 1810), um homem contestatário, avançado para a sua época e por isso bastante incompreendido (e mesmo recusado), mas que foi sem dúvida o grande marco que determinou as transformações necessárias para a imposição da dança como forma artística.

29 de Abril, Dia Mundial da Dança

A sua estreia como bailarino, faz-se nos espetáculos da Ópera Cómica em 1743 e, aos 22 anos monta o seu primeiro ballet intitulado "As festas chinesas".

Nascido em Paris, Noverre viaja bastante e trabalha em diversos países. Apesar de nenhuma das suas 150 obras ter chegado aos nossos dias podemos, sem receio, a firmar que ele foi o grande responsável pelo estatuto de género artístico independente e íntegro que a dança hoje possui.

Foi professor de grandes nomes da dança da época como Gaetano Vestris e diretor da Ópera de Paris. Em 1760 publica as suas célebres «Cartas sobre a dança e os ballets» onde expõe as suas reformas e ideias.

Criador do chamado Ballet d'Action ­ e não do ballet moderno como, erradamente, se tem divulgado em Angola ­, dota a obra coreográfica de uma expressão criadora, de um conteúdo (uma história, uma ação), libertando-o completamente da antiga conceção ligada à Ópera. Noverre advoga o espetáculo enquanto produto do trabalho conjunto do pintor, do professor de dança, do escritor, do coreógrafo e do bailarino.

Por outro lado defende, para o coreógrafo, uma formação o mais íntegra possível, já que este deveria possuir uma vasta cultura para um bom desempenho.

Nos seus escritos sobre a Dança, nota-se igualmente a sua preocupação com o vestuário de cena, defendendo a abolição de perucas, máscaras e vestes compridas e incómodas que limitavam os movimentos do bailarino.

Mas as suas reformas estendem-se também ao campo da técnica, onde estabelece os princípios fundamentais pelos quais se rege ainda hoje da dança clássica, tendo insistido na formação do bailarino e do professor, propondo disciplinas como a poesia, a história, a pintura e a geometria mas também a música e a anatomia, já que o conhecimento do corpo era fundamental.

No ano de 1810, quando escrevia um dicionário de Ballet, morre em St. Germain-en Laye, este homem, cujas reformas fizeram dele não só a figura mais importante da dança do século XVIII, como também uma das mais célebres da história da dança universal.

Dançar é Respirar

1. Porque é que gostas da dança? R. Porque dançar é, de facto, respirar, ou seja, potenciar de forma artística todos os discursos que imaginamos e que surgem em nós.

2. O que te faz dançar a vida inteira? R. Comecei em criança e depois formei-me. Esta é a minha profissão onde há imenso para experimentar, desde dançar a ensinar, passando pela coreografia e pela investigação. A Dança é uma fonte de partilha e de conhecimento.

3. Sem a dança o que seria o mundo? R. Seria um universo incompleto, onde faltaria a possibilidade do Homem poder expressar-se naquilo que ele é: corpo e alma.

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