A Cor de cor de Isabel Baptista

Envie este artigo por email

Isabel Baptista, o vermelho representa o fogo transbordante de vida.

A Cor de cor de Isabel Baptista
Fotografia: Jornal Cultura

Com um conjunto de 18 quadros, a artista presenteia o público com fragmentos de lembrança concretizados em temas diversos, que de comum têm a origem no universo feminino.
“Uma diversidade de objectos que fui guardando em caixinhas separadas por cor, um trabalho minucioso e solitário que considero um exercício de meditação e espiritualidade, onde o vermelho, o preto o castanho, o azul roxo têm este significado “, disse a artista à ANGOP.
Segundo Isabel Baptista, o vermelho representa o fogo transbordante de vida, o laranja evoca força e soa como um sino de igreja, o roxo é a cor do luto e o verde é o tom da tranquilidade, despojado de alegria, de tristeza ou paixão.
Para ela, a música são as nuances das cores, as vibrações que provocam na alma são suaves e deslocadas e não se conseguem traduzir por palavras.
Segundo Isabel Baptista, durante longos anos, por entre digressões fotográficas e incursões na fotogenia dos seres e espaços envolventes cruzou-se com mulheres e com elas trocou olhares, sorrisos e até peças de joalharia, bijuteria, coisas que, para muitos, não passavam de “tralha”, pedaços quebrados de beleza.

REGRESSO
Com esta exposição, a Artista regressa ao contacto com o público após mais de uma década de ausência, desde o encerramento da Galeria Cenários, que foi pioneira das Galerias de Arte no pós-independência em Angola. No referido espaço, Isabel Baptista catalisou toda a sua energia e criatividade como artista e como gestora, ao longo de largos anos, transformando-o numa referência e num ponto de encontro obrigatório de artistas e escritores, acolhendo centenas de actividades culturais, nas mais diversas expressões artísticas.
Em “A cor de cor” a artista brinda o público com pedaços de memória materializados em objectos diversos, que de comum têm a origem no universo feminino, onde os foi recolhendo ao longo dos 10 anos de ausência.
A artista traz “a reconstituição dessas caixinhas de emoções guardadas, que lhe foram confiadas como se fossem tintas, pincéis e com o afecto que a caracteriza e a vontade que tinha de lhes devolver vida fê-las renascer com as suas mãos, acasalando-as com as suas telas com pigmentos, como ingrediente, em porções de cor, que quer partilhar e até recomenda como cura, como terapia na tentativa de “anestesiar” o que vai menos bem neste mundo que se revela, a cada dia, mais difícil de ver com nitidez nas cores todas puras que tem.
“A exposição é um apelo ao uso da Cor de Cor. Como se fosse uma música, um filme fruído, um livro encantado, um hino de vida…., como a mania de sim….porque sim. Porque se sabe de Cor a Cor. Ou não. Mas ali, há um apelo à beleza capaz de nos acrescentar o seu melhor. A cor como cura”.
Isabel Baptista nasceu em Luanda, onde fez os seus estudos em pintura na antiga Escola Industrial, no final dos anos 60. Fez a sua primeira exposição individual em 1990, no Museu de História Natural de Luanda.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos