A vontade de ver crescer o cinema angolano

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A ministra da cultura, Rosa Cruz e Silva, evocou no passado dia 16 de Novembro, na abertura da 5ª edição do 'FIC Luanda 2012', no cine Atlântico, "a vontade de ver crescer o cinema angolano, formando-se para o efeito públicos mais informados a nível nacional e internacional, a necessidade de criação de uma indústria áudiovisual com bases sólidas em Angola."

Na voz de Rosa Cruz e Silva, "o FIC reitera a prática de levar as obras mais representativas e sobretudo as premiadas durante este evento aos vários recantos do país (...) O cinema recria, mas também forma e molda mentalidades."

O ministério da Cultura tem os olhos postos nos jovens profissionais, aos quais, disse a ministra, "lança o repto para a realização de um projecto que trará novas rotas ao cinema angolano". A ministra referiu-se às imagens da Angola nova que cresce todos os dias e que representam "uma paisagem que reclama o olhar atento de uma máquina de filmar".

Com estas palavras estava aberto o FIC, não sem antes, como é da praxe, terem subido ao palco o grupo folclórico Semba Muxima (3 poderosos ngomas, um hungu, uma puíta e uma dikanza), sob o calor tropical de Novembro chuvoso, e depois entraram três bailarinas, era assim que as festas começavam no tempo do rei Ngola Kiluanji, agora ali o rei era o cinema, estariam em competição 12 filmes angolanos e 21 estrangeiros, dentre longas-metragens, documentários e curtas-metragens.

Quem o revelou foi o director do IACAM (Instituto Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimédia), Pedro Ramalhoso, que também disse haver no FIC uma variante de formação com o apoio dos EUA, através de cursos/palestras sobre a experiência daquele pais no apoio à produção. Para Pedro Ramalhoso, este FIC é um ensaio para relançar e encontrar a indústria cinematográfica em Angola.

Segundo o director do IACAM, "a juventude já está a retomar o seu lugar vendo cinema nacional", num dia em que a sala do cine Atlântico esteve cheia de malta jovem a vibrar com as passagens do filme de estreia, "Rastos de Sangue", do angolano Mawete Paciência.

"Rastos de Sangue" é uma ficção sobre a guerra civil angolana e, como não podia deixar de ser, centrada na violência gratuita, desta feita contra crianças inocentes, numa odisseia pela mata fora em direcção à fronteira namibiana, porta de entrada de algum tráfico de seres humanos, reduzidos à condição de mercadoria sexual e hospitalar.

Dadas as exigências gráficas do fecho deste jornal e os pressupostos do jornalismo cultural, que não se compadece com as urgências noticiosas do jornalismo generalista, enquanto este irá publicar os resultados da competição do 5º FIC, nós daremos ao leitor, na edição número 19, uma mostra crítica dos filmes exibidos.

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