‘Absolutzan`A tela em Jazz & Zen

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ABSOLUT ZAN, do artista José ZAN Andrade, aberta ali no Camões - Centro Cultural Português, desde o dia 8 de Abril marca o regresso do pintor às exposições individuais, depois de 17 anos de ausência.

‘Absolutzan`A tela em Jazz & Zen

Quem lá esteve naquela quarta-feira surrealista, suavíssima como um estado Zen e embarcado na viagem do Jazz, pôde igualmente beber a poesia quimérica do pequeno caderno Absolut Zan II (2009-2014) que reúne quatro longos poemas ilustrados com pinturas do autor, e que tem, a abrir, um prefácio de Manuel S. Fonseca, intitulado ‘Pinta, mas ponta de ouvido’, o que é verdade absoluta: “O José ZAN Andrade, o Zé, o jazzé Andrade é um tipo de vogais abertas, explosão de sonoridades”, diz Fonseca, que adianta este dado: “O ZAN, antes de ser ZAN, já pontava mundo e manta com o som, a alegria, a raiva, a energia de big bands, solos de sax ou clarinete, a ganzada exuberância de um baterista. (...) Há, agora, um novo ZAN. Trocou os acordes por tintas. Há um novo ZAN – troca-tintas? Sim, se o troca-tintas for um alquimista, uma cor ácida, um verde vegetal que se cultiva no quintal.”
E nós compreendemos este novo dado de Fonseca sobre ZAN: depois de nos enraizarmos atentamente nas telas de ZAN, cultivamos um verde vegetal no quintal da nossa nuca, que é onde se situa o encéfalo das recordações oníricas.
É o que nos deixa no olhar esta diluição do espírito material do quotidiano no espírito imaterial da composição pictórica. O Jazz interpenetra o substrato da pintura. Tudo é infinitamente esspontânea perplexidade. Interjeição miniatural da outra realidade do Ser. Aquela colagem do PÁSSARO é o meu sonho de voar colado à Terra e ao Tempo que não me deixam voar.
Black Nail – aquela dama salva por uma unha negra! E esses títulos o que são, Senão um prolongamento na tela do uso do verso que lhe percorre os dedos? NO MÁTU, MARIONETTES, GAZELINHA, são títulos e são poemas. Por isso, um desses quadros podem muito bem fazer capa do meu próximo livro de poesia, como lhe pedi e ele aceitou.
A sua última exposição individual em Angola, com o título Pinturas foi em 1997, na Galeria Humbiumbi.
ABSOLUT ZAN levou ao Camões 25 obras em acrílico sobre tela desse Artista angolano nascido em Luanda em 1946, e que já tocou guitarra, realizador de programas musicais de rádio, com expressão centrada no jazz. Também deu o seu contributo ao jornalismo cultural. Em 1983, resolve pintar a tempo integral, datando de 1986 a sua primeira exposição individual em Luanda. Desde 1992 que foi viver em Portugal. Avesso a tendências e escolas, ZAN defende que “não capitular é um princípio que o artista deve estar em guarda, procurando o equilíbrio à sua invenção – não está implícito uma desvalia da harmonia, tantas vezes confundida com uma inspiração que se pretende original…”

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