African Industrial Revolution

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Em analogia com a Revolução Industrial do século XIX na Europa, Francisco Vidal (FV) e Rita Guedes Tavares (RGT) programaram uma série de eventos culturais para o ano 2013, cuja antecipação é a exposição de pintura "A.1.R. African Industrial Revolution" patente nas instalações do velho edifício da UNAP, de 25 de Outubro a 18 de Novembro.

A.1.R. reproduz um estado de espírito, uma intenção de influenciar mentalidades, através da arte. Ela, a RGT, recompõe fotografias, reveste-as de químicas fulgurações, à procura do ouro dos argonautas.

Ele, o FV, deixa-se arrastar pelo drama das tintas vivas, que não se reduzem à vontade do cérebro prolongado na ponta do pincel, é a kizomba da cor, a alma dança no espaço rectângular da tela. São telas gigantes, sobre as quais o tom ROSA apazigua a fogosidade dos tons quentes, e materializa a essência do SER SUAVE.
O que é que eles querem? Querem "contribuir para esta revolução económica que o país está a conhecer."

Papel de parede com padrões do traje africano suportam os produtos artísticos expostos. É a busca das raízes e da identidade, evocando a importância da produção artística africana e angolana. Agora, trata-se, segundo RGT, de acordar uma energia que esteve adormecida (30 anos de guerras), pelo renascimento do legado dos precursores, ao mesmo tempo que se procura dar vazão ao movimento dos novos artistas.

Com que palavras se pode descrever a exposição A.1.R.? Como dizer o que contêm as caixas de luz ali expostas, em estratégias de marketing que evocam o feminino na história da arte? A fertilidade. O papel da mulher nas estrutura quase matriarcal que ainda hoje a sociedade angolana compreende. Motivos tshokwe, reproduzidos com tintas de spray. Reminiscências de Ole e Viteix. A imposição do desenho que FV produz sobre as cores da tela.

São cinco anos de trabalho, estudos, atitude. A pintura figurativa que resultou de dois anos de estudos na Columbia University (mestrado). E ali vemos técnicas mistas, o palimpsesto, o pontilhado, o óleo sobre tela e stencil...
É a mostra possível de dois artistas que trabalham como artistas profissionais desde 2007, dão aulas de desenho na Universidade Lusíada e querem ensinar o que sabem a um público mais vasto, privilegiando crianças.

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