Álvaro Macieira Angola Makonzu

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 ANGOLA MAKONZU DE ÁLVARO MACIEIRA O APLAUSO DA ORALITURA PICTÓRICA

Mais recente exposição do artista plástico teve o Camões como palco Fotografia: Jornal Cultura

ANGOLA MAKONZU transporta a nossa visão mais íntima para o aplauso de uma Angola com a Alma cheia de cores vibrantes, que dançam nos homens, nos bichos e nas coisas a se falarem aquela conversa que Heródoto chamou de História. Álvaro Macieira constrói as suas telas com tintas lavadas pelas águas do rio da Ancestralidade bantu, (des-re)construindo, através de um traço cinestésico, o próprio edifício da sua pintura, ao imprimi-la de afluentes interiores de Imaterialismo e Experimentalismo, numa toada, como sinfonia de feitiços, de oralitura pictórica.

Esta mais recente exposição, patente no Camões, em Luanda, de 7 de Setembro a 28 de Outubro, paira entre a máscara, a escultura e o voo eterno dos pássaros, no seu canto imaginado a cores.
O traço que marca os limites das almas esvoaçantes, sempre apegadas umas às outras, nesse Vitalismo da afro-mundividência, alarga as externalidades do imaginário de quem vê os quadros extradimensionais com a assinatura de Álvaro Macieira.
Moringas sem água cheias de ouvidos telúricos.
Olhos de espanto cósmico.
Kindas como antenas da raça.
Seios altivos como sóis ardentes, dentes tresmalhando a tessitura dos reencontros, bicos debicando o ventre das manhãs.
Sóis nas quijingas dos mwatas e nos cabelos em haste, sóis em órbita na memória, cristas de cantares madrugadores, sexos de árvores como flores, todas as mãos e pés lançados na dança do destino.
Kilaumba Kiako (é o teu dia) dilata o sóbrio contraste entre a água cinzenta e o branco ovivíparo, quebrando e reconstituindo a mitra dos sentidos.
A infância que mora no grande coração de Álvaro Macieira desce-lhe pelos dedos grossos, reunindo nas telas meditativas folhas com nervuras de ouro anunciando o hino reciclado de um país emprestado ao Futuro.
Nesta exposição, passam 10 desenhos inéditos a caneta de feltro, representando a expressividade de sensações ultra-secretas, enigmas circulantes em cada veia dessa linguagem de lua derramada sobre a pele recompondo a Mátria.
Bem lá no búzio do nosso ouvido, escuta-se um aplauso colectivo, um mar de comunidades a recriar estórias antigas com muquixes, que eu, quando era candengue, ouvia cantar pela voz vibrante de cores de Urbano de Castro.

Maculusso, 5 de Setembro de 2017

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