António Ole: Da estética da pobreza a uma certa noção do sublime

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Em 2011, António Ole fez sessenta anos de idade, com uma trajetória de mais de quatro décadas e uma obra artística multidisciplinar (pintura, escultura, fotografia, cinema e instalação, etc) bastante coerente e que faz dele, muito provavelmente, o artista plástico angolano vivo mais importante.

Da estética da pobreza a uma certa noção do sublime Fotografia: António Ole

Da crise do sistema colonial português à euforia pôs-independentista, da economia centralizada à economia de mercado, das cristalizações pseudo-marxistas às simulações multipartidaristas, do massacre do Zenza do Itombe ao 11 de Setembro de 2001, da morte de Agostinho Neto, em 1979 à morte de Jonas Savimbi, em 2002, António Ole tudo viu, nalguns casos participou e noutros testemunhou os encantos e os desencantos, disso que Amin Maalouf caracteriza tão bem no seu livro Le derèglement du monde (2009).

E antes de ser um artista que, facilmente, Nicolaus Bourriaud qualificaria de radicant, desses que participam da construção de uma estética da globalização, António Ole percorreu Angola, estudou bem os seus povos e as suas culturas. E já seja nos seus diferentes documentários ou na sua pintura e escultura dos anos 70 e 80 do século XX, António Ole deixou uma marca de renovação e experimentalismo na construção do particularismo transcendental da Angolanidade (Teixeira, 1983; Gumbe, 2003; Van-Dúnem, 2005).

Entretanto, a obra artística de António Ole tem também uma dimensão africana e internacional (Oguibe & Enwezor, 1999; Enwezor & Okeke-Agulu, 2009), que desde cedo afastou-se do falicismo e dos estereótipos para inscrever-se numa dinâmica de ampla liberdade criativa e de múltiplas transfigurações estéticas e imaginárias.

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