As palavras do Pai de Sami Tchak

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O romancista togolês SamiTchak costuma guiar os seus leitores em intrigas que acontecem em todo o mundo, como nas obras "PlacedesFêtes" (2001).

O romancista togolês SamiTchak costuma guiar os seus leitores em intrigas que acontecem em todo o mundo, como nas obras "PlacedesFêtes" (2001), "Filles de Mexico" (2008) ou "AlCaponeleMalien" (2011). No seu novo livro, o escritor, que nasceu no Togo em 1960 e se estabeleceu em Paris, quebra o ciclo e oferece uma obra de introspecção com "Ainsiparlaitmonpère" (Assim falava o meu pai, em tradução livre). Revelando-se transmissor de uma palavra paterna imbuída de sabedoria, SamiTchak apresenta as "as lições de ferreiro" que ele recebeu do pai. E com uma paciência de Sísifo, lemos, ou melhor, vemos um SamiTchakque esculpe em pedra, às vezes terno e acolhedor, às vezes duro e refractário ao francês, o corpo vibrante de uma obra como nenhuma outra.
Depois de doutorado em sociologia, e como trabalho de pesquisa, escritor togolêsfez várias viagens a Cuba, a partir de 1996, e escreveu "Prostituição em Cuba", publicado em 1999. Visitou México e Colômbia, que lhe deram pano de fundo para muitos romances, tendo conquistado, anos depois, o Grande Prémio Literário da África Negra em 2004 por todo o seu trabalho e o Prémio AhmadouKourouma para "LeParadisdeschiots"( 2006). Conhecido pelos seus ensaios e romances densos epolissémicos, SamiTchak, cujo nome verdadeiro é SadambaTcha-Koura, traz num livro autobiográfico "sobre o que lhe foi ensinado a procurar na condição humana", não admira que tenha sido o primeiro dos irmãos a aprender a ler e a escrever. Depois de se formar em filosofia na Universidade de Lomé, terminou os seus estudos em Paris com um doutorado em sociologia. Mas foi no trabalho do seu pai que a sua educação começou. O carvão, o fole, o fogo, a bigorna, o ferro vermelho e o martelo precederam as páginas e a caneta. "Escuta-me e tenta. Escuta-me e peneira as minhas palavras. Será apenas migalhas para o essencial". O pai dava as "lições da forja" aos seus filhos, às suas filhas, às suas esposas, aos homens e às mulheres da aldeia. E SamiTchak não se esqueceu delas. "São inestimáveis boas lições de humanidade, de humildade e amor", lembra o escritor. "De uma criança, devemos aprender mais do que podemos ensinar, uma vez que ela carrega dentro de si o mundo que não temos tempo de viver, enquanto ela tem a oportunidade de conhecer o essencial do que existia antes dela", assim falou o pai de SamiTchak no nascimento do seu filho mais velho, Malick, no dia 2 de Junho de 1987, em Ouagadougou. "Você alega ter derrotado todos os seus competidores nas sete aldeias, eh, bom campeão de luta? Tem certeza? Tem certeza de que não tem mais competidor? Você quer que eu lhe diga a verdade, você quer? Jovem, a sua vitória não estará completa até o dia em que você ajoelhar a sua própria sombra ", assim falou o pai do escritor ao maior lutador da vila que inventou a sua própria lenda. "Em todo lugar do mundo, se você não encontrar nos outros uma parte profunda de você, não diga que eles são diferentes de você, mas que você não foi capaz de se encontrar neles. Caso contrário, em todo homem, em toda mulher, mesmo naqueles que parecem tão vil e desprezíveis, existe a sua própria verdade. Para não se encontrar, há que passar por si mesmo, meu filho", assim falava o seu pai para lhe ensinar a procurar em cada um a totalidade da condição humana. Totalidade da condição humana que sempre explorara, afinal. Sobretudo com o seu "Placedesfêtes" (2001), com o qual granjeou notoriedade. Mas, agora, SamiTchak assume que escreveu "um texto verdadeiramente autobiográfico". E depois de tudo, confundem-se as palavras do pai com as do filho SamiTchak: «Não fique em silêncio sobre esta vida, mas não se atenha a ela, desenhe reflexões. "Assim Falava o Meu Pai" é um livro total, escrito nas margens da ficção, eu poderia, se não fosse ridículo, chamá-lo de"o livro da minha vida", porque diz o essencial de mim. Até há o autismo da minha filha, numa linha. E também a minha visão do mundo. "

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