"Beijo de Judas" vence 7ª edição do Feskizomba

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A canção “Beijo de Judas” é a vencedora da 7ª edição do concurso anual Feskizomba, cuja gala da final aconteceu na noite de sábado, 26 Junho, no Cine Atlântico

Margarida Castro

 A autora e intérprete, Margarida Castro, foi escolhida num universo de 20 candidatos, em que também se destacaram a cantora Lumoni Zaidi no segundo lugar e Zacarias Pedro, em terceiro.
O concurso abriu com a actuação do Marcial Lutumba, que interpretou a canção “I Love You”, uma actuação muito mal conseguida, sem compasso e inaudível, num ritmo mais para tarrachinha do que para a kizomba. Filipa António com o tema “Kizomba” foi ainda pior, uma letra desprovida de sentido e só ganhou alguma atenção devido à citação que faz de alguns grandes da kizomba. A mesma cantou ao som de um instrumental com batidas mais para o rap e o pop que para a kizomba. Margarida Castro, a que se consagraria vencedora, teve uma colocação de voz excessivamente grave ao interpretar “Beijo de Judas”, mas uma postura em palco aceitável. Cipriano Pombo, autor de “Tens que entender”, nem sequer cantava: falava e gritava por cima do instrumental. Tuixé Mateus, autor de “Hoje sei”, ficou gravemente prejudicado devido a falhas dos técnicos de som, que deixaram o instrumental tão alto até perder qualidade e a voz do cantor ficar imperceptível. Foi preciso uma pequena intervenção do júri para o problema ficar resolvido. Foi o candidato da primeira ronda (5 actuações) que conseguiu a melhor postura em palco e a letra melhor arranjada.
A dupla Kiwaba Nzoji, autora de “Você Amor”, foi uma das mais animadas e a que trouxe um coro em kimbundu. Tiveram uma grande intenção na postura em palco, um esquema animado; mas pesou na nota do júri a falta de preparo de ambos no que toca ao canto, além da sua música ter mais uma tendência para a música tradicional do que propriamente kizomba. Kandala Daniel, autor de “Meu tempo acabou”, foi outro que teve uma actuação muito mal conseguida. Tatiana Johanes, autora de “Basta”, teve uma actuação muito aquém, voz tímida, postura desanimada, música descompassada e longuíssima. Sadrake Kitembo, autor de “Estar com você”, mostrou-se sem qualquer preparo. Rosalina Penda, autora de “Tu és a minha voz”, mostrou-se animada em palco, mas falhou na colocação da voz, na letra e acusava perda de fôlego.
A dupla Meno e Key abriram a terceira ronda do espectáculo. Foi animada, mas descompassada nos toques, rápida a cantar, atropelando as palavras. A preferida do público, a dupla John e Gonças, autora de “Dor de mãe”, foram audíveis e tocantes, com uma coreografia algo teatral. Mas foi a colocação de voz que não satisfez o júri. Zacarias, autor de “Linda”, começou mal devido aos mesmos problemas de som vividos por Tuixé Mateus, mas a sua sorte foi diferente. Conseguiu uma boa apresentação, apesar de a sua letra ser vazia de sentido. O Dueto Clima de Amor, autor da canção “Amor”, foi outra apresentação muito mal conseguida. Emanuel Lino, autor de “A rainha do Kwankwaran”, teve perda de fôlego, falta de colocação e uma letra longe de ser a marca da kizomba.
Lumoni Zaidi, autora de “Angola”, foi das vozes mais nítidas e um dos melhores arranjos, embora tenha pecado fortemente na letra e confundido o género, já que a sua música era um semba e não uma kizomba. Manuel Sapaio, autor de “Sonho”, foi outra apresentação para esquecer, sem qualquer preparo. Samuel Domingos, autor de “É ela”, teve um dos instrumentais mais elogiosos desta edição, mas pecou na letra, postura e colocação de voz. Marcelina Mota, autora de “Outra mulher”, teve uma apresentação muito aquém, as palavras não se ouviam, era tudo quase sopro e sussurro. A finalizar, Ambrósio Mafuta, autor de “Iza”, foi outra fraca apresentação, muito aquém do esperado.
Vale recordar que o Feskizomba é um concurso voltado para a descoberta de novos talentos deste género que já ofereceu ao panorama musical nacional nomes como Margareth do Rosário, Irmãos Almeida, Euclides da Lomba, Irmãos Verdades, Versace, Don Kikas, Eduardo Paim, Isidora Campos e outros.
É organizado pela promotora cultural África Cultura. Em cada edição faz-se uma homenagem a um músico, sendo os “Irmãos Almeida” o grupo escolhido desta 7ª edição. Além do troféu e brindes, o vencedor ganha uma formação musical no Instituto Nacional de Formação Artística; o segundo e o terceiro classificados levam troféus e brindes.

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