Bonga anima Muzonguê da Dipanda

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José Adelino Barceló de Carvalho, “BongaKwenda, foi a atracção principal do Muzonguê da Dipanda, que aconteceu no domingo, 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional. Com casa cheia, o Centro Recreativo e Cultural Kilamba fechou em grande a programação de 2018, uma temporada marcada pelas irregularidades do Tradicional Muzonguê, o principal projecto cultural do espaço.

José Adelino Barceló de Carvalho, “BongaKwenda, foi a atracção principal do Muzonguê da Dipanda, que aconteceu no domingo, 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional. Com casa cheia, o Centro Recreativo e Cultural Kilamba fechou em grande a programação de 2018, uma temporada marcada pelas irregularidades do Tradicional Muzonguê, o principal projecto cultural do espaço.
Um dia depois de ter recebido das mãos do Presidente da República a Medalha de Bravura e de Mérito Cívico Social, o Zeca do Marçal aqueceu os presentes com o repertório que preparou para este ambiente com sabor aos tempos do kaparandanda. Depois de ter degustado o mu­zonguê(“caldex”matinal)e apreciado os colegas que o antecederam foi ao som do instrumental “Bonguinha”, executado com Betinho Feijó na guitarra a segurar o ritmo, que começou a ser montado.
Com a dikanza a sustentar o tempo de palco, “Kamakove”, “Homem do Saco” e “Kahombo é que pica” levaram o pessoal a desgrudar das cadeiras. O baixo do moçambicano Hernani, antigo integrante do TropicalBand, a bateria do multi-instrumentista guineense Gipson que também acompanhava nos coros, o toque da sanfona estava no acordeão do português CiroBertinni, todos músicos experimentados e com fortes ligações a trabalhos de angolanos e que há 11 anos fazem parte do conjunto que acompanha BongaKwenda, sob a direcção artística do indispensável Betinho Feijó.
Entre dicas e parlapiés, abordando as malambas e para deixar uma “Lágrima no canto do olho” tema que ficou de fora, ainda teve tempo para cantar o “Kambwá” antes de levar a mítica“MulembaXangola”. Bonga, que não ficou apenas com a dikanza, pegou na ngaeta de beiços para soprar o “Hino do Carnaval”, relembrando farras do antigamente em salões como Maria da Eskrekenha e outros onde a poeira era levantada.
“Kisselenguenha” e “Roça de Jindungo” a tal Jingonça foram outros dos tempos que marcaram Bonga no palco do Kilamba, fazendo uma roda para não poder parar num espectáculo que valeu mais pelo regresso à casa, pois em outras ocasiões, o artista apresentou-se em melhor forma. O facto de ter feito nas noites anteriores outros concertos e uma agenda preenchida como a apresentação do livro do livro "Bonga - marcas na oralidade angolana" de Filomeno Pascoal na passada quinta-feira (8) e na cerimónia de Outorgas de Medalhas no Palácio Presidencial pode ser aproveitada para o desconto.
Fizeram ainda parte do Muzonguèda Dipanda, Calabeto, Lulas da Paixão, Dina Santos, Cristo e a Banda Movimento, Curioso que nas duas últimas passagens pelo Centro Recreativo e Cultural Kilamba, em Abril de 2014 e Setembro de 2015, Lulas da Paixão, Calabeto e Dina Santos também constavam no cartaz.
Dina Santos ainda
tem muito para dar
Dina Santos que foi a convidada nos espectáculos da Casa da Música do Talatona justificou as razões da opção por Estevão Costa. A actuação da autora de Mana Fatita deixou uma mensagem muito forte, que é importante os promotores chamarem cantoras com história e deixarem apenas de apostar nas divas da actualidade, autênticas rainhas dos cosméticos. Com o lamento "DivuaDiami", "Anel" também cantada oneleum dos seus maiores sucessos e "Kassequele", Tia Dina esteve em grande, fazendo recordar os tempos em que era acompanhado pelos Kiezos e Semba Tropical Anel. Afastada dos grandes palcos tem feito algumas, como o concerto de 2016 no Palácio de Ferro na III Trienal de Luanda e no Show do Mês dedicado às vozes femininas.
Calabeto, Dom Caetano, Lulas da Paixão, Kristo e Banda Movimento
Outros participantes da festa da Dipanda foram, a Banda Movimento que não apenas fez o acompanhamento dos artistas individuais, como apresentou temas do seu reportório, muito assente em temas conhecidos da música angolana em detrimento dos temas do grupo que constam na sua discografia.
Calabeto o kotaBwé sempre ao seu jeito deixou a sua marca, num momento inusitado onde o baterista Romão com cãimbra, foi subsitituido por Juca. Lulas da Paixão o aniversariante do dia foi outra voz que fez-se ouvir. Dom Caetano, o Mestre de Cerímónia, também cantou e encantou e Kristo o kandengue do elenco fechou e não desiludiu com trazendo as tendências jovens foram aceites pelos dikotas.
Bonga, a semelhança das grandes estrelas nacionais, mais uma vez apresentou-se longe do grande público, pois quer as autoridades que tutelam como os promotores não estão preocupados com actividades culturais de massa. Nem mesmo no Dia Nacional o zé povinho não teve a liberdade de ter acesso ao direito de actividades lúdicas, como acontecia no passado com o Cultura em Novembro, actividade onde democraticamente as manifestações artistico-culturais chegavam aos populares. No tempo da outra senhora promotores como Riquinho faziam as festas para os supervips mas em paralelo tinha para os não vips algures na cidade de Luanda.

Bonga, o cidadão com Medalha de Bravura e de Mérito Cívico Social
Quatro anos passados da cerimónia oficial de condecoração como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, na residência do Embaixador francês, curiosamente no dia 10 de dezembro de 2014e dezoito anos depois do Prêmio Nacional de Cultura e Artes em 2010, Barcelô de Carvalho é desta feita reconhecido pelo governo angolano, com a Medalha de Bravura, recebida pelas mãos do Presidente da República, João Lourenço.
O ‘cavaleiro’ francês de Porto Kipiri e Marçal agora um cidadão angolano com Bravura reconhecida diz ser esta a maior distinção do seu percurso artistico.
Do reconhecimento do Estado francês encontramos nomes como de CesariaEvora e Teófilo Chantre, ambos de Cabo Verde, o escritor Mia Couto, de Moçambique, ManuDibangu, dos Camarões, Gilberto Gil, Chico Buarque, Jorge Amado (Brasil), Amália Rodrigues, José Saramago (Portugal), ClintEastwood, BobDylan (EUA). Do reconhecimento nacional outros nomes que marcam as artes e cultura constam como: Viriato da Cruz, Liceu Vieira, Teta Lando, Jorge Macedo, AlmerindoJaka Jamba, Victor Teixeira, Viteix e Cremilda Lima que depois de propostos pelas comissões para as Familias das Condecorações Civis e Militares foram aceitos pelo Presidente da República nas celebrações dos 43 anos da Independencia Nacional.
José Adelino Barceló de Carvalho nasceu em Luanda a 5 de Setembro de 1942, Porto Kipiri, BongaKwenda ou seja pegou e andou. O sucesso no campo artistico surgiu depois do reconhecimento nas pistas de atletismo, com feitos nos 200, 400 e 800m em representação da selecção portuguesa. A música sempre o acompanhou no seio familiar e nos ambientes do Marçal, onde fundou os Kissueia. Angola 72 marca a troca das pistas de atletismo para outras pistas. O LP um grito pela liberdade e que foi banido pelo governo português foi gravado em menos de 24 horas num estúdio em Roterdão (Holanda) com artistas cabo-verdianos. De lá para cá seguiram-se cerca de trinta obras discográficas de originais, várias compilações, colaborações com artistas e temas em trilhas sonoras de filmes. O seu mais recente disco de estúdio é o Recados de Fora um disco que apesar de ter dois anos de vida é pouco explorado e conhecido em Angola. Neste disco podemos encontar“Banza Remy” em homenagem ao radialista francês RemyKolpa-Kopoul, um dos maiores divulgadores da sua obra e de artistas africanos. A amiga Cesária Evora é lembrada em “OdjiMaguado” do compositor B.leza um tema com a participação de Bau no cavaquinho. “Recados de Fora” abre com Sodade, Meu bem sodade” onde a guitarra portuguesa com Ricardo Parreira e Tiago Oliveira trazem um Bonga no espirito do Faco, mas é com o refrão o que eu comi já me chega é que está lançad“o“Recado de Fora”. “Espalha”,“Agua Rasca” e “Marikota”, “Outros Tempos” são outros das 11 canções que marcam este álbum que deve ser apreciado.

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