Cesária, Django e a Universalidade

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"De facto quando a Cesária Évora emergiu em França e na cena internacional no início da década de noventa __ afirma Teófilo Chantre, um dos compositores prediletos da Diva dos pés descalços (Chantre assinou entre outros o hit "Petit Pays") __ as músicas dos países lusófonos na sua totalidade encontravam-se confinadas ao esquecimento.

Para além de ter colocado a música de Cabo Verde no mapa-mundo, a Cesária não é estranha ao sucesso de bandas como Madredeus nem ao renascimento da música brasileira na cena mundial.

Digamos que a sua importância foi extrema. Não ignorando o facto de que a música brasileira já existia anteriormente na cena mundial, eu diria que a Cesária Évora deu uma outra dimensão planetária as músicas lusófonas".

Em forma de epílogo, Teófilo Chantre sugeriu, para que a memória de Cesária Évora se perpetue, que a história de Diva cabo-verdiana seja incluída nos manuais escolares de Cabo Verde.

Com Cesária Évora a música de Cabo Verde não atingiu só a sua plenitude. Ela tornou-se universal. Da mesma forma que "Myriam Makeba, Cesária Évora atingiu a universalidade. As suas canções devem ser celebradas aqui, em África, no mundo.

O resto do mundo deve compreender que nós, os artistas africanos não nos esqueceremos de Cesária Évora porque ela faleceu. As suas canções à semelhança das de Myriam Makeba são universais, por isso podem ser celebradas por todos.

O legado musical que deixam Myriam Makeba e Cesária Évora para a minha geração é muito importante, numa época em que a música recua devido à intrusão das novas tecnologias", assim opina a beninense Angélique Kidjo.

Na realidade Cesária Évora era uma "Grande Dame" (Grande Dama), um símbolo. Não só para o seu país, mas também para a África e para o mundo. Para mim, Cesária é como um baobab (imbondeiro). E o imbondeiro nunca morre. Ela está aqui connosco, presente com a sua música, com a sua graça e com a sua humanidade", disse-nos beatamente o Bob Dylan senegalês Ismael Lô.

Para sempre Cesária

A generosa simplicidade do ser e a força da sua dimensão artística fizeram de Cesária Évora o ícone da universalidade que continuará a ser celebrado ao vivo e no acetato discográfico.

"Miss Perfumado" o álbum que levou o mundo a abrir os ouvidos e os olhos para Cesária Évora é objeto de uma reedição neste final de 2012 e a Primavera de 2013 reserva-nos a surpresa de um compacto com canções inéditas da Diva cabo-verdiana, que nos deixou como herança horas de gravação à fio nunca celebradas até ao momento. Cesária Évora findou a sua passagem em 17 de Dezembro de 2011, mas o baobab permanece entre nós.

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