Colóquio sobre "Agostinho Neto e a Literatura Angolana"

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Agostinho Neto e poetas da geração Mensagem deixaram um legado fundamental para a poesia angolana posterior.

Colóquio sobre
Ministra e secretário de Estado bda Cultura acomanhados de diversas personalidades Fotografia: Paulino Damião

Sabemos que a poesia é, especialmente, o lugar das transformações, pois, em razão de sua capacidade transgressora, sacode e desaloja o pensamento”, conjecturou a ensaísta brasileira Carmen Lúcia Tindó Seco, uma das convidadas ao colóquio sobre “Agostinho Neto e a Literatura Angolana”, que decorreu em Luanda, no auditório do Palácio da Justiça, de 15 a 16 de Setembro enquadrado nos actos nobres do FENACULT II.
O evento foi organizado pelo ministério da Cultura, em parceria com a Fundação António Agostinho Neto (FAAN), com vista a assinalar condignamente o 92º aniversário do nascimento do primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, e enfatizar a sua obra como estadista, homem de cultura, mantendo viva a sua memória e a sua visão sobre a literatura nacional. Na abertura, a ministra do pelouro, Rosa Cruz e Silva, considerou que “Agostinho Neto conquistou o seu lugar no Mundo por si. As várias Academias, Universidades no Mundo que estudam a sua obra, várias vezes reeditada, espelham bem a importância que ela tem no Mundo e naturalmente em Angola.”
O lançamento das “Actas do Colóquio sobre a vida e obra do Dr. Agostinho Neto” (2009) e do estudo “A Renúncia Impossível de Agostinho Neto. Um discurso poético, intertextualidade e alcance pedagógico”, de Catarina Rodrigues marcou o encerramento do primeiro dia. O colóquio abordou uma temática variada em torno da vida e obra do primeiro Presidente angolano, repartida por cinco painéis: Agostinho Neto Homem de Cultura, A Poesia de Agostinho Neto e o Seu Contexto Revolucionário, A Veia Política de Agostinho Neto, A influência da negritude na obra de Agostinho Neto e A Literatura Angolana: da Imprensa Nacional à era da globalização: contrastes e perspectivas, desdobradas por 23 comunicações apresentadas por oradores nacionais e estrangeiros, entre escritores, investigadores e historiadores.
Como afirmou a brasileira Edna Maria dos Santos “Agostinho Neto é um exemplo de um intelectual gramsciano que não só estimulou a cultura e a educação em Angola, como também participou da acção política como o lugar mais completo da materialização de uma cidadania”.
A italiana Augusta Conchiglia considerou que “A firmeza do presidente angolano na defesa dos principio de solidariedade com as forças que combatiam o apartheid e o colonialismo, princípios historicamente defendidos pelo MPLA, lhe confere uma estatura internacional de primeiro plano. A atitude de Angola iria determinar o curso da história nesta região do mundo com implicações de ordem geoestratégicas e económicas.”
O professor Pires Laranjeira retomou o legado de Bandung, manifestado pela Conferência Ministerial do Movimento dos Países Não Alinhados, na Argélia, que proporciona uma releitura da poesia de Agostinho Neto a essa luz que se reacende com indicações para este momento político. “Assim, retirar certos trechos político-humanistas dos seus poemas e recontextualizá-los, reenquadrando-os através de uma nova semântica, pode mostrar como a mensagem ética e política do poeta continua a ser estratégica para Angola e o mundo”.
Os participantes concluíram e recomendaram que se divulgue, com maior visibilidade a vida e a obra de Agostinho Neto e a sua inscrição nos currículos nacionais da Educação, tendo em conta o seu contributo incontornável à Nação Angolana; promover debates radiofónicos e televisivos sobre a obra literária do poeta com o intuito de estimular os discentes à prática da investigação sobre os seus feitos; traduzir as obras de Agostinho Neto para as várias lingas nacionais; promover exposições itinerantes e palestras sobre a sua vida e obra; promover o estudo e a investigação da obra literária de Agostinho Neto, a fim de identificar os marcos estéticos e ideológicos, bem como os procedimentos que apontam para o resgate de uma identidade, consubstanciada na diferença e na diversidade, estabelecer a relação intrínseca da obra de Agostinho Neto, entre a arte, o artista e a sociedade, por uma mudança e transformação do homem; recolher os testemunhos dos progressos da literatura angolana, antes e depois da independência; e promover a criação de uma cátedra de estudos sobre a vida e a obra de Agostinho Neto e Amílcar Cabral nas universidades de Angola e Cabo Verde.

Comunicações apresentadas no colóquio

Edna Maria dos Santos - Agostinho Neto: Intelectual orgânico e Cultura Revolucionária
José Luís Mendonça - Agostinho Neto no espírito de Kilamba-criador-de-jisabu
Manuel da Veiga - A importância e a Oportunidade de um Projecto de Investigação: A Cultura à Luz do Pensamento de Amílcar Cabral e de Agostinho Neto
Luís Kandjimbo - Agostinho Neto: Os intelectuais e a teoria das ex-Nações
Amílcar Xavier - Agostinho Neto: de Icolo e Bengo para o mundo
António Quino - Agostinho Neto: Libertando-se através da Poesia
António Panguila - A Mística Revolucionária na Poesia de Agostinho Neto
Luzia Moniz - A Poesia de Agostinho Neto na imprensa angolana (1975-1979)
Julião Soares Sousa - A Consciencialização cultural do homem negro, a luta de libertação nacional e cultura no discurso de Agostinho Neto
Jesus Alberto Garcia - Projecção do pensamento de Neto: transformações sociais na América Latina e Caribe
Jean Martial Mbah - Análise e interpretação do pensamento político do Dr. Agostinho Neto através do Discurso de Dar Es Salam (7 de Fevereiro de 1974)
Ebenezer Adedeji Omoteso - Um estudo comparado de qualidades de liderança de Agostinho Neto e Nelson Mandela
Augusta Conchiglia - A Veia Política de Agostinho Neto
Salvato Trigo - A influência da Negritude na obra literária de Agostinho Neto
Jean Michel Mabeko Tali - Post-Negritude e Literaturas Nacionais Africanas/Diagnóstico de um Mal-estar Identitário Global
Pedro Capumba - As contingências do tempo e a emergência de Agostinho Neto
Albino Carlos - O papel da Imprensa na construção da Identidade nacional
João Lourenço - Imprensa, nacionalismo e Cultura entre 1880-1923
Carmen Lúcia Tindó Secco - Agostinho Neto e a Poesia Angolana da Pós-independência: reflexões
Mariagrazia Russo - Ndunduma e o Tempo angolano em Itália
Abreu Paxe - Processos Culturais Angolanos em sua Literatura
Pires Laranjeira - O Renovado espírito de Bandung na letra de Agostinho Neto (aspectos de uma estética estratégica para os novos tempos).




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