Companhia de Dança Contemporâna de Angola

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Constituída em 1991 nas então estruturas do Ministério da Cultura, e existindo durante dois anos sob a designação inicial de Conjunto Experimental de Dança (CED), a Companhia de Dança Contemporânea de Angola faz a sua estreia no Teatro Avenida, em Luanda, no dia 27 de Dezembro desse ano, com a obra A Propósito de Lweji, baseada no mito da fundação do Império Lunda e em elementos da cultura Cokwe.

Fundada e dirigida desde o início pela bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques que, a partir de estudos de investigação efectuados em várias regiões de Angola, cria A Propósito de Lweji (1991), Uma frase qualquer... e outras (frases) (1997) e Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos (2009),esta companhia vem propor diferentes vocabulários e novas linguagens, no âmbito da pesquisa e experimentação, expondo outras possibilidades para a revitalização da cultura de raiz tradicional e urbana.

Por outro lado, com Corpusnágua; Solidão; 1 Morto & os Vivos, Introversão versus Extroversão, 5 Estátuas para Masongi ou Ogros... da Oratura... e do Fantástico, e com a intenção de deslocar a dança para fora dos palcos interiores dos teatros, a Companhia de Dança Contemporânea introduz o público a outras formas e conceitos de espectáculo.

Para estas criações faz parcerias com alguns dos mais importantes nomes da literatura e das artes plásticas angolanas, entre os quais Manuel Rui Monteiro, Artur Pestana Pepetela, Frederico Ningi, Carlos Ferreira, Jorge Gumbe, Mário Tendinha, Francisco Van-Dúnem Van, Masongi Afonso, Zan de Andrade e António Ole.

A utilização da dança como meio de intervenção social, expondo o Homem enquanto cidadão do mundo e protagonista da cena social angolana, é a marca desta companhia como o reflectem as peças Mea Culpa (1992); Imagem & Movimento (1993), Palmas, por Favor! (1994); Neste País... (1995), Agora não dá! `Tou a Bumbar... (1998), Os Quadros do Verso Vetusto (1999) ou O Homem que chorava sumo de tomates (2011).

Provocando uma ruptura estética na cena da dança angolana, e apesar das dificuldades decorrentes de uma permanente sobrevivência em terreno conservador e quase exclusivamente marcado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas, a CDC Angola não desiste de abrir novas perspectivas para a dança em Angola, tornando-se em 2009 uma companhia de Dança Inclusiva.

Divulgar, surpreender, ensinar, provocar, levar as artes à comunidade e alargar a visão estética do público, trazendo-o à apreciação das artes é o grande objectivo desta companhia angolana, para o que complementa a sua acção artística com a realização de Workshops, Seminários, Palestras, Encontros, Aulas abertas e outros programas de divulgação da dança.

Para além das apresentações em Angola, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola partilhou já os seus espectáculos com 11 países e 22 cidades, em África, Europa e Ásia.

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