Companhia de Dança Contemporânea de Angola em vésperas de Paisagens Propícias

Envie este artigo por email

Com obras como "Corpusnágua"; "Solidão"; "1 Morto & os Vivos", "Introversão versus Extroversão" ou "5 Estátuas para Masongi", e com a intenção de deslocar a dança para fora dos palcos interiores dos teatros, a Companhia de Dança Contemporânea inaugura a utilização de espaços não convencionais como lagos, jardins, antigos locais de tertúlia ou galerias de arte, introduzindo os espectadores noutras formas e conceitos de espetáculo.

A poucos dias da estreia da nova peça da Companhia de Dança Contemporânea de Angola criada para a Temporada 2012 ­ Paisagens Propícias ­, o Jornal Cultura vem recordar a história deste colectivo de dança, o único em Angola que se rege pelas normas universais do profissionalismo em dança.

Não tendo ainda sido contemplada com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, esta Companhia completa este ano 21 anos de existência e, para além das apresentações em Angola, a CDC representou a dança contemporânea angolana em África, na Europa e na Ásia, tendo o seu trabalho sido apreciado e testemunhado por milhares de espectadores em mais de uma centena de espetáculos em 11 países e 22 cidades.

Constituída em 1991 nas então estruturas do Ministério da Cultura sob a designação de Conjunto Experimental de Dança (CED) e integrada pelos professores e alunos de maior nível técnico da Escola Nacional de Dança, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola faz a sua estreia no Teatro Avenida, em Luanda, no dia 27 de Dezembro desse ano, com a obra A Propósito de Lweji, baseada no mito da fundação do Império Lunda e em elementos da cultura Cokwe.

A designação deste colectivo (CED) ­ o primeiro de dança profissional do género em Angola e um dos primeiros em África a produzir dança contemporânea ­ para Companhia de Dança Contemporânea é oficializada a 9 de Abril de 1993 por despacho do Ministério da Cultura, mantendo-se os mesmos integrantes, objetivos e metodologias de trabalho.

Provocando uma rutura estética na área da dança em Angola, a CDC procurou diferentes vocabulários e novas linguagens, como forma de expressão, no âmbito da pesquisa e experimentação, surgindo assim uma proposta de revitalização da cultura de raiz tradicional e popular, pela utilização dos seus elementos na perspetiva da criação de novas estéticas para a dança angolana.

Com obras como "Corpusnágua"; "Solidão"; "1 Morto & os Vivos", "Introversão versus Extroversão" ou "5 Estátuas para Masongi", e com a intenção de deslocar a dança para fora dos palcos interiores dos teatros, a Companhia de Dança Contemporânea inaugura a utilização de espaços não convencionais como lagos, jardins, antigos locais de tertúlia ou galerias de arte, introduzindo os espectadores noutras formas e conceitos de espetáculo.

Para estas criações trabalha em conjunto com alguns dos mais prestigiados escritores e artistas plásticos angolanos, entre os quais Manuel Rui Monteiro, Artur Pestana Pepetela, Frederico Ningi, Carlos Ferreira, Jorge Gumbe, Mário Tendinha, Francisco Van-Dúnem Van, Masongi Afonso, Zan de Andrade e António Ole.

A utilização da dança como forma de intervenção, exprimindo e revelando aspetos inerentes ao homem enquanto cidadão do mundo atual e protagonista da cena social angolana, é outra das opções desta companhia como o refletem as obras "Mea Culpa" (1992); "Imagem & Movimento" (1993), "Palmas", "Por Favor!" (1994); "Neste País..." (1995), "Agora não dá! `Tou a Bumbar..." (1998) e "Os Quadros do Verso Vetusto" (1999).

 Fundada e dirigida desde o início pela bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques que, acreditando na criação de uma dança contemporânea angolana a partir da sua herança cultural africana, efetua estudos de investigação e pesquisa em várias regiões de Angola, o que se reflete nas obras "A Propósito de Lweji" (1991), "Uma frase qualquer... e outras (frases)" (1997) e "Ogros... da Oratura e do Fantástico" (2008).

Divulgar, surpreender, ensinar, ajudar a imaginar, levar as artes à comunidade e educar o sentido estético do público, trazendo-o à apreciação das diversas vertentes artísticas é o grande objetivo da CDC Angola, para o que conta já com a realização de grande número de Workshops, Seminários, Palestras, Encontros, Aulas abertas e outros programas de divulgação da dança e elevação do nível cultural da nossa sociedade.

Apesar de existir num terreno conservador quase exclusivamente marcado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas, a CDC Angola continua a inovar, passando a ser uma companhia de Dança Inclusiva, pela integração de artistas portadores de deficiência física, desafio que abraçou desse a sua obra "Peças para uma sombra iniciada e outros Rituais mais ou Menos" (2009). Depois da Temporada de 2011 com a apresentação da já célebre peça "O Homem que chorava Sumo de Tomates", a CDC Angola tenciona, na sua Temporada de 2012, com a apresentação de "Paisagens Propícias", continuar a surpreender o seu público.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos