Conexões femininas conexões múltiplas no espaço privado

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Conexões femininas.

Conexões femininas conexões múltiplas no espaço privado
keyezua

Inaugurada no dia 11 de Julho e aberta ao público até ao dia 26 de Agosto, na galeria do edifício Sede do Banco Económico, está uma exposição colectiva das artistas Ana Silva, Keyezua e Rita GT, sob a designação de Conexões Femininas.
Explorando a noção de identidade feminina no espaço privado e no contexto multicultural e intercultural através do objecto de arte, torna-se parte de um processo de diálogo num enquadramento mais alargado de desenvolvimento humano, histórico e cultural. Podemos falar de Multiculturalidade porque trata de diferentes culturas que coabitam no mesmo espaço, e de interculturalidade porque cada uma delas tem incluso o resultado de várias culturas adquiridas pelas experiências e vivências de cada um.
Para a curadora Sónia Ribeiro “não se trata de falar de feminismo mas do olhar feminino e do resultado da interacção destas artistas acerca das noções de identidade, memória, história, tradição e modernidade num contexto específico, intimista mas global ao mesmo tempo.
A noção de globalização no contexto do pós-modernismo tem implicações de natureza antropológica. Definido como “as características de natureza sócio-cultural e estética, que marcam o capitalismo da era contemporânea” o Pós-modernismo coloca a reflexão numa época em que (co)habitamos num universo imagético, repleto de signos, ícones, ruídos visuais –fantasia - em detrimento dos objectos e por vezes da experiência (real). Propostos pela tecnologia e pela necessidade de criar a ilusão, completar o vazio, a simulação substitui a realidade e entra muitas vezes em colisão onde o individual predomina sobre o colectivo.
Ao mesmo tempo que a globalização e a tecnologia podem esbater essa distância como espaço de comunicação entre culturas, colocam-se no caminho diferentes questões e suscitam-se novos discursos. Reflectir sobre este processo sob o ponto de vista feminino e em África leva-nos a repensar acerca da apropriação cultural e técnica, não como um processo histórico de colonizador / colonizado mas a repensar na mudança de paradigma que permite considerar o objeto não como uma entidade física acabada, finalizada, mas sim como uma construção sociotécnica – “A apropriação questiona assim não somente o desfasamento entre o prescrito e o efectivo (adaptação), obrigando a pensar os processos intermédios que são as formas de se aperceber e entender o prescrito e as formas de actuar, de viver com eles em contextos particulares (apropriação)”.
A viagem individual de cada uma das artistas é colocada num espaço seu, intimo mas em permanente dialogo num espaço entre espaços, por vezes em confronto com o outro, no qual o todo é maior do que a soma das partes.”

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