Edson Chagas em Tipo Passe Reflectir sobre a identidade e os cânones de beleza

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“A máscara assume a forma de rosto e adapta-se ao corpo que a transporta provocando no observador uma sensação, algumas parecem mais simpáticas, outras mais sérias”, explica ao CULTURA a curadora de Tipo Passe, a exposição fotográfica de Edson Chagas que reúne 14 fotografias.

Edson Chagas em Tipo Passe Reflectir sobre a identidade e os cânones de beleza
Edson Chagas em Tipo Passe Reflectir sobre a identidade e os cânones de beleza

 Aberta no dia 4 de Julho, a exposição ficou patente no Centro Cultural Português em Luanda até ao dia 18.
Chagas trouxe ao público um conjunto de fotos que valem pela combinação de cores e adornos de vestuário, posição, e principalmente pela cobertura de máscaras bantu que os personagens trazem como busto. Na pequena e alegre conversa mantida com o artista, disse que estas fotos levam a vários caminhos, sobretudo os questionamentos dos tipos sociais de imagens que transcendem e provocam sensações e estados de espírito.
Suzana Sousa, a curadora da exposição, que no seu texto de apresentação aponta que o artista “atribui um corpo a essas máscaras tradicionais fazendo-as ganhar vida própria e ­traços pessoais que lhes retiram o aspecto austero”, define que é uma exposição de fotografia que reflecte sobre conceitos como identidade e cânones de beleza e que no processo expõe questões sociais como a fixação da identidade pela documentação como acontece nos BIs.
Também parece-lhe que qualquer pessoa sem muita informação prévia se relaciona com as imagens expostas, visto que as máscaras são muito familiares e o contexto em que são apresentadas potencia essa familiaridade.
Do vestuário algo formal, Suzana indica que o artista segue tal como acontece nas fotos tipo passe que todos tiramos para os documentos, aquelas em que normalmente se respeitam algumas regras: não mostrar os ombros, o fundo branco, etc.
Acentua que Tipo Passe resulta duma intenção de reflectir sobre alguns temas e questões concretas, apesar de haver possibilidades para vários níveis de interpretação da série: a questão da foto tipo passe levanta só por si algumas questões como a fixação da identidade. Se há ou não alguma teatralidade e nulidade emocional na concepção “manietada” da posição da foto tipo passe que Chagas contrapõe nesta exposição ao oferecer maneiras de discutir as opções, argumenta que estas costumam estar associadas a lembranças e as pessoas gozam com as fotos uns dos outros, ou seja, há uma relação de estranheza – do olhar sobre nós próprios – e de proximidade, de reconhecimento da situação que deu origem àquela imagem; a noite mal dormida que resultou em olheiras, por exemplo. Sobretudo, Suzana aponta a questão da identidade como bastante mais lata do que apenas a foto dos documentos ou o documento em si.

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