Elas expõem-se

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Elas expõem-se com todas as tintas do ventre. A sua pintura tem cheiro de vertigem feminina e vem de sobrolho pintado preencher a nossa sede de esquecer o que havemos de lembrar.

Essas cinco mulheres cheias de sol nos dedos ­ Roxana Moreno, Leda Baltazar, Erika Jâmece, Izabella Tsoi e Patrícia Cardos ­ mergulham num mar de tinta e emergem rítmicas, alegres, para nos entregar uma Luanda de mãos-de-fada, como só nas lendas se conta. Ou um painel sonhos despertos. Uma orgia de batuques. Uma dança que o sol repete de manhã.

Um rodopio de grito infantil. Um levitar de árvore. Uma trança, uma máscara, uma mulher de calundús.

No fundo, são elas ali expostas, as suas mais profundas e mais leves sensações, os seus mais reprimidos desejos, o eterno paradoxo de viver, entre o fogo vermelhíssimo da terra e a lua caída do céu, um pouco de água com mitos nos seus átomos, uma verde embriaguez com pássaros perdidos, a luz de quem dança rebita, a construção do dia pelas mão do sol, a flor, o vaso partido, a pronúncia da própria cor a incendiar o hall da Academia do banco BAI.

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