Entre nós Infopoesia ou Poesia Digital? À aventura nas novas linguagens

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Se entendermos que toda a escrita é um exercício de domesticação ou de repulsão, e até se quisermos derridamente falando ,ou de desconstrução face a esta forma ­ objeto que o tempo impõe, então podemos a firmar que escritas únicas ou poesias únicas não existem, porque estamos no tempo das formas plurais e possíveis ( isto aprendi, faz tempo, com Roland Barthes, em O grau zero da escrita).

"A inovação é a tradição da poesia. A relação com a ciência e outras artes, também". (JLA)

Entre imagens e palavras, a poesia no (do) computador é empolgante e interferente ( Jorge Luiz António) ,e eu pessoalmente nas minhas navegações confirmei.

Com o fito de potencializar ,o lúdico, a efervescência comunitária e a apropriação artística, como é sabido, a tecnologia influencia e modifica a vida das pessoas e, por conseguinte, provoca uma reação no poeta , que a vê como tema , como procedimento a ser feito para fins poéticos e como recursos que podem ser incorporados ao fazer poético.

E como já me questionaram há tempos , numa das minhas apresentações públicas: que poesia é esta? Simplesmente respondi: é a poesia dos nossos tempos .Cada época é um espaço, é um traço nos limites das ideias. Estamos no tempo da computação , da digitalização e o exercício poético que se permite sempre pelas experiências, sempre em todas as navegações, sempre na procura máxima do prazer de fazer, sempre à aventura nas novas linguagens.

Neste caso flagrante destes exemplos ("Man'Mendizendo, a minha recriação, in " Os olfatos do afeto", de José Luís Mendonça) que me permitiram digitalmente essas (aqui anexadas) releituras graciosamente poéticas : e asseguradas sabiamente pelo dizer experiente de Jorge Luiz António: "as palavras não ilustram imediatamente as imagens ­ nem há uma ligação lógica entre ambas.

E ainda J.L.A:" a sintaxe visual se faz apontando para interpretações das mais diversas .Se nos expormos para um olhar não geométrico ou geométrico colorido e resgatado; se aliarmos as palavras dessas geometrias coloridas; não vemos imediatamente coincidências do "pulsar salutar" dos objetos intervenientes nesta construção poética: como podeis ver aqui.

Segundo ainda o autor do livro Poesia Digital ­teoria, história, antologia (JLA) "A info-poesia ou poesia digital, ou qualquer outro nome que se queira dar à experimentação poética com o computador, é um tipo de poética digital e se diferencia de qualquer outro processo criativo com os meios eletrónicos e digitais, porque pressupõe, tem como origem e se faz com a presença da palavra multi-significativa, transgressora, metalinguística. Trata-se da elaboração eletrónico-digital do produto imagem mais palavra através dos recursos de um editor de imagens num microcomputador"

A poesia digital em suas diferentes fases, é um tipo de poesia contemporânea, formada de palavras, formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos esses animados ou não, na maior parte das vezes interativos, hipertextuais ou hiper -mediáticos. Como poderão ver, ela existe no espaço simbólico do computador e tem como forma de comunicação poética os meios eletrónicos-digitais que se vinculam a esses componentes.

A poesia digital, nas suas diferentes fases, é composta por uma linguagem tecno-artística-poética, e é sobre esse viés que ela pode ser lida e apreciada.

Segundo Chris Funkhouser, no seu livro “Prehistoric Digital Poetry: Na Archaelogy of Forms (1959-1995), teve o seu início há cinquenta anos na Alemanha. Cada país tem o seu precursor. No caso de Angola, andamos nisto deste os idos anos OITENTA (remando sempre contra a sondas das marés.

Parafraseando JLA, para concluir: “o poeta vem sempre fazendo negociações semióticas (mediações, intervenções e transmutações) com qualquer tipo de ciência e de tecnologia, através dos tempos: ele negocia o sentido da palavra em seu uso quotidiano, social, cultural ou científico, para estabelecer um outro significado, comparativo, metafórico.

O carácter generalizante da poesia, pela sua capacidade de abordar muitos saberes (conhecimento popular e científico do seu tempo), leva o poeta a observar, estudar e até mesmo a usar a técnica, fazer ciência e utilizar a tecnologia , entrar em contacto com a natureza e com o que existe nela transformado pelo homem, tudo isso se apresenta ao poeta como conhecimento para também fazer poesia ,pois esse material existente ­utensílio, máquina e autómato ­"se oferece" como possibilidade de negociação ( mediação, intervenção e transmutação), pois a poesia como pensamento interdisciplinar geral está descomprometido com os ramos deste ou daquele saber especializado.

A negociação do poeta tem um carácter individual e um carácter social, uma vez que ele segue ou condena os cânones literários de sua época, mas sempre está de acordo com os cânones de uma determinada arte, seja ela qual for. Baseando-se numa estética é que a criação surge".

A diferença entre a poesia convencional e a poesia digital é o recurso poético da tecnologia computacional.

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