Estética fotográfica nas claques do nosso Girabola

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Alguns especialistas do futebol atribuem o lugar do 12º jogador ao público espectador de um jogo. Neste conjunto se integram também aqueles que para além de adeptos, constituem a claque apoiante do clube.

Estética fotográfica nas claques do nosso Girabola

Estes têm a função de catalizadores morais de um clube em momentos decisivos de um jogo. No campeonato futebolístico angolano, vulgarmente conhecido por "Girabola", falar de claques é ter como referência obrigatória as do Kabuscorp do Palanca, do Petro de Luanda e do 1º de Agosto sem menosprezar as outras.

Uma das referências a ter em conta nos amantes do desporto rei reside na expressão estética das vestimentas, nos instrumentos que habitualmente transportam para os campos e nos movimentos colectivos e individuais que protagonizam nos momentos do jogo. Num jogo, as claques de ambas as equipas que protagonizam o espectáculo no campo se transformam em autênticas rivais, do princípio ao fim.

Por norma, em momentos do jogo, elas devem estar separadas uma da outra, para evitar as afrontas em função do resultado. A principal arma de combate de uma claque é o barulho inteligente, feito no momento e hora certos. Para tal, fazem-se acompanhar ao estádio de tudo aquilo que lhes proporcione vantagem sobre a outra claque. O tambor e a corneta são instrumentos peculiares, para além do batuque, recoreco, a puita, os sinos e vários outros instrumentos de sopro.

Para a fácil identificação, a vestimenta é padronizada com o equipamento do clube. Numa autêntica mistura de cores e distintivos das respectivas formações, mascaram-se de todas as formas possíveis, e vestem tudo o que for possível.

Das máscaras às missangas, até de defunto se fazem trajar. Existem ainda aqueles que levam consigo caixão, cruz e a Bíblia em pleno campo. Esses, em caso da sua equipa estar a perder, resolvem percorrer com os mesmos instrumentos a zona circundante do campo, quantas vezes forem possíveis, até mexer psicologicamente com a claque e a equipa adversária.

Os chamados adeptos de raça são aqueles que primam pela criatividade. Pintam e vestem-se por completo com as cores do clube, envolvendo nisso a família completa, a partir do pai, mãe, filhos e, se possível, os animais de estimação, a casa, carro e motorizada.

Dizem existir casas em que a família, no momento do jogo, fica dividida. Se o esposo é do Pri, abreviatura usada para designar 1º de Agosto, a esposa pode ser do Petro e os filhos de um outro clube. Caso uma das equipas perca, a

casa fica sob tensão, e quando assim acontece, alguém pode ficar sem o jantar. Um adepto quando questionado sobre os motivos que levaram a nutrir simpatia por uma determinada equipa, dificilmente dá uma resposta convincente. Muitas das respostas não passam de "eh pá, eu sou do Pri, porque gosto e pronto".

Outros apenas justificam "eh pá, eu só sei que nasci Petro, minha família é Petro e vô morrê Petro, o resto já não sei". Os da claque mais badalada do país alegam "nós somos do Cangamba, o pai grande".

Coisa difícil esta de ser adepto, porque nem sempre as equipas proporcionam bons resultados. No campo ou mesmo em casa, a euforia ensurdecedora surge, no momento em que se chega às vitaminas do jogo.

São os golos, também conhecidos nas lides do futebol como multivitaminas, que levantam as multidões nos estádios, e que fazem pular de alegria em casa. Nos casos em que a equipa perde, quase apanham enfartes. Há quem diz andar já em oito televisores martelados e mais de quinze rádios partidos em casa, devido os maus resultados da sua equipa. Mas, mesmo assim, não deixa a equipa.

Nos campos, as brigas entre claques rivais ou entre elementos da mesma claque, é um pão-nosso de cada jogo. E quando assim acontece, só a polícia consegue controlar os desânimos, as almas feridas pela derrota da sua equipa, enquanto a outra, com toda euforia, festeja o golo ou a vitória do dia.

Dizem que nos momentos em que a selecção nacional joga, as claques rivais, nesse dia, põem de parte as camisolas dos clubes, e juntam-se nos campos, para formar a chamada claque de unidade nacional, com o fim de apoiar os Palancas Negras.

O fotojornalismo no futebol

Para se saírem bem na fotografia, as claques emeram-se na estética da indumentária, a fim de atrairem as objectivas dos fotógrafos e dos câmaras.

O fotojornalismo é uma vertente do jornalismo que se ocupa da recolha, tratamento e divulgação da informação no formato visual (fotografia) tendo em atenção o enquadramento textual.

Um dos grandes condimentos da fotonoticia reside na componente estética da imagem. Os elementos constituintes de uma fotografia, devem falar por si, já que a fotografia não se traduz em textos, o que pode acontecer é contextualizá-los.

Num jogo de futebol, tudo pode acontecer. Alem do chamado jogo jogado, no espectáculo do desporto-rei convergem também os aspectos da arte e da cultura, traduzidos na expressão estética que os adeptos dos clubes transportam para o campo.

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