Estúdios mostram metas e projectos anuais: Melhor da ficção na Cultura Pop

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Festa da banda desenhada angolana abre as portas ao público esta semana no Camões.
   

Estúdios mostram metas e projectos anuais: Melhor da ficção na Cultura Pop
Milhares de fãs foram até San Diego nos EUA para conhecer as próximas atrações do mundo da sétima arte em especial as adaptações de banda desenhada

O melhor do universo ficcional da cultura pop, que durante anos tem sido o mote e o sustento da imensa “máquina” cinematográfica de Hollywood, foi apresentado aos fãs, em San Diego, nos Estados Unidos, naquela que é, para todos os aficcionados, um dos maiores encontros de artes do momento, a Comic Con.
Actualmente visto por muitos como um dos pontos de referência para saber o que vem por aí em termos de cinema, televisão, banda desenhada e videojogos, o encontro deste ano não desapontou os fãs. As adaptações de histórias de banda desenhada ao cinema que, nos últimos anos, tem marcado a “guerra” entre os estúdios Warner Bros, detentora dos direitos da editora DC Comics, e da Disney, dona do selo Marvel, continuam a ser os grandes destaques.
Este ano, durante cinco dias, os aficionados da cultura pop ficaram a saber, através de anúncios feitos por produtores ou actores, o que reserva 2016 e o que foi preparado para 2017 e 2018. Surpresas são inúmeras e entre elas estão sequências de filmes célebres, como “King Kong”, ou de séries que hoje registam as maiores audiências em televisão, a nível mundial, como “Guerra dos Tronos”.
Futuros grandes êxitos de bilheteira, como “Liga da Justiça”, ou estreias tão esperadas como “Animais Fantásticos e onde Habitam”, escrito por J.K. Rowling, de forma a ser uma sequência das aventuras do universo mágico de Harry Potter, assim como “King Artur: Legend of The Sword”, nova adaptação da épica história de ascensão da mais célebre figura lendária britânica do período medieval, foram apresentados ao público e convidados.
Em trailers (vídeos de pequena duração), posters e entrevistas, os responsáveis dos estúdios Warner Bros, Marvel, Universal falaram dos seus projectos, assim como os directores de canais como Netflix, FOX e Time Warner mostraram o que vem por aí.
O surpreendente nesta edição da Comic Con San Diego é o número de produções de ficção científica e adaptações de banda desenhada com estreias marcadas para este e os próximos anos, mostrando uma clara tendência dos grandes estúdios para explorarem mais o imaginário e fugir um pouco dos habituais casos da vida real.
Apesar de ser um festival mais virado para este género de arte, o número de visualizações que estas estreias receberam até ao momento no Youtube demonstra não só o interesse dos fãs, mas também do público em entrar mais no universo da ficção e mesmo que a maior parte delas não venha a ser incluída na corrida aos Oscares do próximo ano, é mais do que certo o sucesso destas nas bilheteiras mundiais.

Minas de ouro

As principais “minas de ouro” deste ano são as adaptações de banda desenhada para o cinema, por ser um universo, cheio de leitores no mundo inteiro, que traz novidades e muitas curiosidades, devido as mudanças que algumas destas histórias trazem ao serem transpostas para a sétima arte.
As estreias de “Doctor Estranho”, “Pantera Negra” e “Capitã Marvel” marcaram o painel de propostas da Marvel, além das sequências de “Guardiões da Galáxia 2”, “Thor: Ragnarok” e “Homem-Aranha”, agora com o jovem actor Tom Holland como protagonista. Por sua vez, os desafios de produção da Warner Bros, detentora da editora DC, são “Batman”, com Ben Afleck como o heroi vigilante, e “Mulher Maravilha”, que marca a estreia a solo de Gal Gadot, após o êxito em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”.
Independentemente destas produções, a Warner Bros tem ainda em carteira duas versões de clássicos do cinema: “King Kong” e “Rei Artur”, nomeadamente, “Kong: Skull Island” e “King Artur: Legend of the Sword”. Como disse Júlio César antes de atravessar o rio Rubicão: “A sorte está lançada” e agora só resta ver o que os argumentistas podem fazer para trazer algo de diferente a duas histórias, cujo número de versões cinematográficas já excederam a conta e se tornaram imortais na sétima arte.
Como não poderia deixar de ser, o drama continua a marcar a sua presença na grande indústria do entretenimento norte-americano. Uma das surpresas é “Snowden”, baseada na biografia do homem que tornou público vários segredos de vigilância global da NSA (Agência de Segurança Nacional) norte-americana.
Outra surpresa para os fãs de ficção científica foi o anuncio da sequência de “Caminho das Estrelas”, a série de aventuras que teve início em 1966 e até hoje já originou jogos e foi adaptado à televisão. Durante anos a série marcou uma geração e influenciou o mundo não só pelo seu “slogan” inicial “Para audaciosamente ir aonde nenhum homem jamais esteve”, mas por ser a primeira do género a aceitar um elenco multirracial e multicultural, algo que só se tornou muito comum na televisão norte-americana em 1980.

Mundo “tele”

As séries de televisão estiveram também em alta nesta edição da Comic Con San Diego, onde houve o anúncio de estreias, de sequências e do encerramento de muitas. Algumas destas são vistas pelos angolanos, a partir dos canais FOX, SyFy, ou AXN, através da ZAP ou DStv, como “A Teoria de Big Bang”, agora com mais personagens no elenco, “Supernatural”, que traz o regresso do pós-morte da personagem Sam Winchester, ou “Arrow”, que pretende incluir mais heróis da DC na televisão, ou a tão contagiante e pirateada “Guerra dos Tronos”, o actual fenómeno da HBO, que a cada ano tem obtido uma nova legião de fãs.
“Velas Negras”, “Ossos”, “Orphan Balck” e “Diários do Vampiro” são as séries de televisão que depois de várias temporadas despendem-se dos fãs este ano, algumas devido ao baixo índice de audiências e outras pela longevidade no pequeno ecrã.
Porém, para alegria dos entusiastas da televisão, os argumentistas anunciaram na Comic Con a continuação de outras séries, como “The Walking Dead”, “Sherlock”, “Lúcifer”, “The Expanse” e “Vikings”, assim como a estreia de “Defenders”, American Gods”, “Luke Cage”, “Legion”, “Punho de Ferro” e “O Exorcista”.
O painel de estreias reservou ainda o regresso à televisão de uma série que já foi um êxito de audiência: “Prison Break”. A sequência da aventura do maior escapista de prisões norte-americanas está de volta, sete anos depois, com um novo elenco, além dos rostos habituais, com destaque para o protagonista Michael (Wenthort Miller), dado como morto no fim da 5ª temporada.

Tecnologia

A cada ano que passa as Comics Cons tem criado inovações e apresentados novas propostas para o seu público diversificado. Este ano, no campo das novidades no campo da telefonia móvel foi apresentado o jogo “Pokemon Go”, um sucesso viral do mundo dos smartphones, disponíveis para as plataformas iOS (iPhones) e Androids.
Baseado numa nova tecnologia, o jogo usa a realidade aumentada, através do GPS e da câmara do dispositivo, para deixar o jogador mais próximo do que está a sua volta. Considerado pelos críticos como bom para ajudar as pessoas a explorarem novos cenários e ao mesmo tempo os incentivar ao exercício, “Pokemon Go” é, para o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Niantic, empresa criadora do jogo, uma forma de retirar os filhos do isolamento provocado pelo mundo virtual. John Hanke acredita que o jogo tem “um enorme potencial para tornar tudo mais divertido”.
Actualmente o jogo, que apanhou o mundo de surpresa, só tem alguns contratempos, em especial por usar a realidade aumentada e alguns jogadores, em especial os mais jovens, estarem a sofrer acidentes. Porém, considerou, opções a serem superadas, por o jogo estar a levar mais pessoas às ruas e a interagirem mais entre elas.

Pontes interculturais

O fenómeno da cultura pop continua a ganhar força pelo mundo, com a realização, cada vez mais regular, de encontros, entre os seus criadores e os fãs, em vários géneros, que vão desde o cinema aos videojogos, televisão e banda desenhada.
Actualmente as Comic Con, um encontro que tem mais força nos EUA, também já acontece em vários outros países, desde a Europa à Ásia, África e América do Sul. O Brasil, por exemplo, prepara para Dezembro, o Comic Con Experience, em São Paulo, assim como o Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.
A França, um dos países, onde a arte angolana neste género já foi apresentada, pelos irmãos Olímpio e Lindomar de Sousa, realiza, anualmente, o Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, um dos maiores mercados da cultura pop na Europa.
Com o surgimento de novas propostas e o evoluir do tempo, as Comic Cons começam a conquistar maiores mercados, numa clara demonstração da actual aceitação desta arte.
O primeiro Comic Con aconteceu em 1968 em Birmingham, na Inglaterra. Na altura, era um encontro de fãs de banda desenhada, mas com o aumento de popularidade de outras médias e vertentes da fantasia e ficção nos anos 80, 90 e com o ápice nos anos 2000, os encontros passaram a se voltar também para os aficionados por cinema, séries de televisão, jogos electrónicos e outras actividades ligadas à cultura pop.
As maiores Comic Cons do mundo, como a de San Diego, Nova Iorque e Salt Lake City (as três nos Estados Unidos) reúnem a nata da indústria de entretenimento, entre artistas, produtores e empresas do segmento. Hoje, há 40 Comic Cons no mundo.

ADRIANO DE MELO

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