Expo Milão 2015: Angola atrai milhares

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Os vastos mananciais da sua cultura nacional, aliados à beleza arquitectónica do seu pavilhão na Expo Milão 2015, fazem com que a bandeira de Angola continue a estar no topo dos mais visitados entre os cerca de 84 países que até aqui abriram já os seus pavilhões ao público.

Expo Milão 2015: Angola atrai milhares
Cultura angolana

Para a abertura formal da Expo Milão 2015, a organização caprichou no cenário, numa colorida noite do dia 30 de Abril, em plena praça de Duomo, na Lombardia, vindo a acolher mais de 10 mil pessoas, que apreciaram o concerto do tenor Andrea Bocelli, entre eles o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, que participará no evento apenas com a grife Giorgio Armani.
Durante esse espectáculo no centro histórico da capital económica da Itália, o também embaixador extraordinário da feira fez duetos com outras personalidades da música clássica, como a soprano alemã Diana Damrau e o pianista chinês Lang Lang, que usou um piano que era de Giacomo Puccini.
O espectáculo terminou com o acender da chamada "Árvore da Vida", monumento de 37 metros de altura, considerada o símbolo da Exposição Universal, feita numa combinação entre aço e madeira, projectada a partir de um antigo desenho deixado por um dos principais nomes de arte italiana, o renascentista Michelangelo.
Mas o momento da noite foi mesmo o da interpretação, por Andrea Bocelli, da música "La forza del sorriso" (A força do sorriso, em português), tendo dito na ocasião que pretendia, com isso, convidar as pessoas a viverem com a alegria e amor os momentos trazidos para e pela Expo, que este ano consagrou oficialmente o lema "Alimentar o planeta, energia para a vida".

ANGOLA RESPONDEU AO SORRISO

Esse convite de Andrea Bocelli está patente no programa dos angolanos e ficou ainda mais patente nos primeiros dias da feira no pavilhão de Angola, cujo corte da fita coube a secretária de Estado das Relações Exteriores para a cooperação, Maria Ângela Bragança, num acto abrilhantado pelos grupos de dança tradicional Kina Kumoxi e ballet tradicional Kilandukilo.
Sob o lema "Alimentação e cultura: educar para inovar”, a equipa liderada pela comissária-geral de Angola, Albina Assis, pretende apresentar, ao Mundo, a riqueza e a diversidade cultural da gastronomia angolana, as suas matérias-primas, os seus pratos, os seus rituais e as tradições associadas”, lê-se no livro oficial do Pavilhão de Angola na Expo de Milão 2015.
Essa pretensão fica assente também nos que tomam contacto, desde a parte de fora, com o edifício que alberga o pavilhão de Angola. Dividido em três pisos e mais um terraço, abrange uma área de cerca de dois mil metros quadrados. O seu interior, com cenários interactivos, é todo ele dedicado à identificação de Angola nos seus mais variados aspectos.
Conforme se lê no livro oficial que referimos, lançado no dia 01 de Maio, “Angola responde ao tema Expo Alimentar o planeta, energia para a vida, imaginando uma exposição que começa a partir dos elementos tradicionais da história Africana para resolver a delicada questão da produção e do consumo consciente de Comida.
Conforme descreveu a arquitecta angolana Paula Nascimento, o Pavilhão de Angola tem um conceito arquitectónico inspirado pelo jogo de ''embondeiro", um imponente símbolo da cultura angolana.
A árvore é também o ponto de partida do qual o visitante começa a “viver” a cultura e gastronomia no Pavilhão. Aliás, a comissão angolana defende que o Pavilhão oferece aos visitantes uma reflexão baseada na cultura, na alma e na expressão de um país com enfoque na cultura alimentar e nos seus recursos, bem como a importância do desenvolvimento sustentável.
Ainda no interior, pode-se assistir filmes sobre rituais, paisagens, destinos turísticos, vestimentas e pintura, escultura, culminando no terraço com uma amostra da diversidade de plantas existentes nas diferentes regiões do país.

FORA TAMBÉM HÁ CULTURA

Terminada a visita no interior, o visitante acaba num restaurante, preparado no rés-do-chão, que oferece diversos pratos da culinária angolana. E a boa maneira angolana, há os músicos, bailarinos e grupos de dança que vão honrando o programa musico-cultural preparado para a ocasião. Para isso, como um membro do corpo deslocado, há um palco todo ele equipado com iluminação e som, onde os músicos se podem exibir nos diferentes períodos do dia. O palco está exactamente no outro extremo da entrada do edifício, colocando o restaurante no centro.
Assim, além de provarem do que a gastronomia oferece, os visitantes vivem espectáculos ao vivo, com artistas angolanos, onde juntos cantam e dançam. Os africanos em Milão, não tendo um espaço similar para “sentir” o seu continente, o de Angola vem a calhar.
“Aqui é África, não é só Angola. Eu sei porque digo isso”, disse a jovem camaronêsa Cristine Bamakó, dançando o ritmo quente da música de Gelson Castro, acompanhado pelo trio Muxima Uami.
Segundo o cidadão holandês Corstiaan Berkhop, que foi atraído pela contagiante repercussão da música, não poderia estar mais feliz depois de conhecer um pouco mais da cultura angolana.
“Eu e minha esposa visitamos o pavilhão e é tudo muito agradável. Conheço Angola, porque já lá estive pelo PAM. Mas aqui parece que cada informação convida a ouvir e a ler outra. E depois essa música, essa dança… Amanhã volto com os meus amigos para virmos terminar a noite aqui convosco”, disse quase sem fôlego, depois de animados passos de dança.
Uma jovem italiana não teve outra solução senão acompanhar a sua criança que teimava em abandonar o pavilhão de Angola, atraída pelo som do batuque.
“Gostei muito desse pavilhão. Só não é melhor que o da Itália”, disse com um sorriso Annie Salineti.

MUITOS AINDA VIRÃO

A equipa angolana está esperançada em ter um índice diário de visitantes muito bom.
Guiando-se pelo seu lema, a exposição de Angola procura fazer “uma verdadeira viagem através da comida angolana, para entender como os seus produtos são e serão usados pelas gerações futuras para alcançar estilos de vida mais saudáveis e sustentáveis”, sustentam no guião.
Para a equipa liderada por Albina Assis, a educação é um compromisso para aumentar a consciencialização da sociedade angolana em relação aos alimentos, a partir de escolas e universidades, para chegar à definição de regras que regem a produção de alimentos locais e importados, através da introdução de níveis de qualidade também nos mercados locais.
Portanto, “inovação implica, por um lado, o incentivo constante das melhores práticas local, recuperar antigos conhecimentos e tradições seculares para promover o sustentável e saudável”.
E como a mulher é um factor chave nesse processo de educação da sociedade angolana, como detentoras da tradição, o interior do pavilhão reserva um cenário de mulheres ilustres da sociedade angolana, que podem ser vistas e ouvidas pelos visitantes.
Os organizadores da feira, estendida num terreno de 1 milhão de metros quadrados, esperam ver participar quase 145 países, e receber aproximadamente 20 milhões de visitantes. Até ao dia 03 de Maio tinham sido já vendidos cerca de 11 milhões de bilhetes para se assistir um evento que teve o seu início no dia 1 de Maio e terminará no dia 31 de Outubro.

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