"Frágil" Babu no domínio das ideias Panafricanas

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Actualmente trabalha como artista plástico no Projecto Museus no Centro, em Coimbra

Hamilton Francisco “BABU”

“Frágil” abriu no dia 14 na galeria Tamar Golan. Babu (Hamilton Francisco) reúne nesta exposição mais de uma dezena de obras que Pires Laranjeira, o curador da exposição, aconselha, por via do texto de apresentação, a “Nunca por nunca, se pode ler a sua arte como exclusiva emanação de uma mente prisioneira da africanidade, mas dela partindo para se abrir à sintonia com o sentido da liberdade criativa hodierna, condimentando a personalidade própria com a partilha de aprendizagens e sentidos colectivamente amplos”.
Antes, discorrendo sobre o fundo de identidade na obra de Babu, apontando uma acepção na condição de emigrado de Luanda para Portugal, Laranjeira explica que “Primeiro, como angolano (interroga-se sobre que tipo de arte deveria e poderia criar), depois, como cidadão emigrado – atingido pelo trabalho duro de emigrante em terra alheia, mas na qual (re)conheceu filamentos da própria angolanidade, e também pelos preconceitos sobre quem e como era, desde a cor/raça negra ao cabelo rasta – e, finalmente, como artista que buscou o seu lugar e estilo (e prossegue essa inquirição) na fragmentação da vida hipermoderna ou, talvez (quem sabe?), pós-moderna”.
Num outro parágrafo anterior, classifica que o seu “gesto criador insere-se, de pleno direito, no movimento diversificado do estilhaçamento hipermoderno, da fragmentação/confluência de linguagens (pop, expressionista, action, bruta, étnica, serial, gestalt, etc.), que tanto caracteriza estes tempos de heterogeneidade nunca antes vista”. E continua, situando-o no seu tempo, o estilo, vai desde o “apelativo colorido, o inusitado gráfico e o sugestivo painel angolano ao mapa-mundi espatulado e interétnico, trata-se, em última instância interpretativamente globalizadora, de todo um percurso gestual e concetual que mostra um estilo identificável e inconfundível do artista no domínio das ideias panafricanas, pan-negras e panegíricas da subalternidade, que se articulam em materiais e formas cosmopolitas, correspondendo à sua biografia: das raízes angolanas e africanas ao global entendimento do humano, que pode englobar, por exemplo, conotações ameríndias sul-americanas”.

BABU
Hamilton Francisco “BABU” nasceu em Angola, em Abril de 1974. Desde muito cede teve a paixão pela pintura. Estudou Desenho Industrial no Centro de Formação e Tecnologia Manauto 2 em Luanda. Já em Portugal, aprofundou os seus conhecimentos nesta área. Chega a trabalhar todas a técnicas, incluído a serigrafia artesanal. Actualmente trabalha como artista plástico no Projecto Museus no Centro, em Coimbra. Tem participado em várias exposições individuais e colectivas, bem como residências artísticas em vários países; as suas obras estão presentes em colecções públicas e privadas, em Portugal e noutros países.

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