Goz’ Aqui "Com mulheres humoristas Angola não vai ser a mesma"

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A tertúlia de Humor GOZ’AQUI celebra quatro anos de fazer rir o público, desmisticando a realidade social e política angolana revista no seu avesso hilariante.

Goz’ Aqui

A tertúlia de Humor GOZ’AQUI realiza dia 21 de Dezembro, no Camões, em Luanda, o seu primeiro Festival Nacional de Humor, para celebrar quatro anos de fazer rir o público, ou, pelo menos, desmistificar a realidade social e política angolana revista no seu avesso hilariante, isto é, no seu lastro de verdade.
Mais de 10 humoristas apresentarão 2 horas de show, no estilo stand up comedy angolano, numa organização daquela que conta já com uma nomeação e vencedor dos Prémios ZapNews como "Humorista do Ano 2015”.
Como é que nasceu o GOZ’AQUI?
Tiago Costa, o fundador do grupo, vai desfiando as suas memórias: “Foi tudo muito natural. Já tinha tido a oportunidade de estar no Artes ao Vivo, um evento essencialmente de comédia, mas que alberga alguns humoristas, era grande a necessidade que eles tinham de expressar a sua arte, mesmo que não estivessem no local certo. O GOZ’AQUI nasce da necessidade de se criar uma plataforma que pudesse albergar num mesmo sítio, apenas e exclusivamente, humoristas, para que o sector pudesse crescer”, remata Costa, na sua contagiante forma de comunicar.
Os humoristas que Tiago Costa abordou, na sua maioria, estavam deslocadas. E todos, de um modo geral, foram passando pelo GOZ’AQUI. “Não falei com os Tuneza, nem com o Calado, porque eles já tinham o seu posicionamento, Constatei que havia os Tuneza, cinco pessoas, há o Calado, e depois não havia mais ninguém a sobressair. Na altura, pensei: existem seis milhões de pessoas em Luanda, seis milhões!, e só há seis humoristas. É uma desconformidade! Eu fui buscar o resto. Foi no Artes ao Vivo que encontrei o Maestro. Depois, o Maestro, que já tinha outros amigos humoristas, ajudou-me a reunir as pessoas que estão connosco até hoje”, explica o nosso interlocutor. A plataforma de humor do GOZ’AQUI terá produzido cerca de 200 espectáculos até à data.

RETORNOS
No primeiro e no segundo anos de existência do grupo, Tiago Costa “queimou” algum dinheiro. Estava sozinho a custear as despesas, tal era o entusiasmo. Usou do seu próprio salário. O terceiro ano foi muito positivo e começou, já, a ter algum dinheiro no bolso, para produzir o espectáculo. Mas, neste último ano, o grupo sofreu uma recaída. Tiveram de abandonar o espaço tradicional, o Baía, em meados do ano. A ida para outro local sem a experiência cultural do Baía, criou constrangimentos financeiros.

HUMOR DE REFLEXÃO
O GOZ’AQUI sempre se pautou por um espectáculo de humor de reflexão, “um humor inteligente”. E muito público identifica-se com a forma de fazer rir do grupo. Depois criou-se o GOZA FM, porque foram convidados para ir à rádio e faz mais sentido, na óptica de Costa, ter uma rubrica de entretenimento-comédia, que dá pelo nome de GOZA FM, uma sub-marca do grupo e que vai ao ar, às quintas-feiras, às 16 horas, na Rádio Mais, na rubrica Tudo à Toa.
Na TV, foi-lhes dada a oportunidade de colaborar com a Zimbando, com humoristas do grupo que participam no programa Viva a Tarde, da ZAP.

JUVENTUDE E GÉNERO
Toda a malta do GOZ’AQUI é jovem, não há humoristas mais velhos?
“Nós estamos a começar uma geração. As pessoas esperam um bocado mais. Esperam “cachés” do tipo Tuneza. Só que os Tuneza trabalham há 12 anos para poderem obter esse “caché” e acordam e dormem a rir. As coisas não se fazem de um dia para o outro”, recorda Costa.
No ano de 2015, o GOZ’AQUI teve uma mulher a fazer humor. Um dos grandes objectivos deste grupo de humor é pôr as mulheres angolanas cada vez mais confortáveis com a câmara, para fazerem humor.
“No dia em que encontrarmos uma mulher e a pusermos a fazer humor, Angola não vai ser a mesma. A mulher tem a capacidade de influenciar de uma forma tal que, se tivermos mais mulheres humoristas a coisa muda de figura”, assevera Costa.

PROJECTOS
Muita gente que segue o GOZ’AQUI não vive em Luanda. Por isso, a grande plataforma do grupo é a Internet. E quem vive no interior do país, pergunta porque é que não há mais espectáculos nas províncias?
Alguns elementos do grupo até já foram a Portugal fazer uma apresentação para o público angolano na diáspora. Antes do interior, já foram ao exterior. O problema é que o centro da Cultura angolana (tal como da Economia) é Luanda. Mas, diz Costa, “é engraçado que as pessoas mais talentosas de Angola não são de Luanda. É engraçado como a pessoa de Luanda sente a necessidade de sair de Angola. O da província que é só chegar a Luanda”.
É objectivo do GOZ’AQUI estar definitivamente estabelecido na sociedade em 2017. O grupo instaurou um noticiário satírico na Internet, denominado SOPASABER. Para este grupo que faz humor diferente, a incompreensão surge do contexto africano composto de sociedades acríticas, em que não se pode sequer cruzar com os sapatos de outra pessoa. “As pessoas devem saber o que é que fazemos e porque o fazemos”, define Tiago Costa. “Às vezes, acham que temos uma agenda politica, porque fazemos humor político, mas não temos nada a ver. Cresci num ambiente de liberdade de expressão.”

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