História e Significado do Carnaval: "A carne vale"

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A História do carnaval é longa e cheia de diferentes motivações e significado.

História e Significado  do Carnaval:
Contorcionismo na festa de carnaval Fotografia: Paulino Damião

Carnaval, em  latim  significa “carna vale,” tomado no  sentido mais lato do termo, vale por dizer que é uma homenagem  ao corpo e à mente, fora das regras do quotidiano, dando largas à imaginação, alegria e folia, fantasiando-se em obediência aos prazeres da carne, dentro da moralidade ditada pela respectiva  sociedade.
Na Grécia de há 500 anos  antes de Cristo, o povo  costumava dedicar o carnaval  aos seus  deuses, em  festas  baseadas em danças, comida e bebidas com especial destaque para  o vinho. Essa festas faziam-se em honra às boa colheitas. A fartura dessas festas levava à orgias  exageradas, mas completamente enquadradas nesses festejos. É de acreditar que as máscaras ainda não faziam parte desses festejos mas, com o andar dos tempos,  o hábito de usar máscaras em alegorias carnavalescas tornou-se quase que obrigatória, para o bem e melhor alegria do carnaval. A máscara  carnavalesca, esconde a verdadeira cara e identidade e assume o protagonismo da fantasia  do momento. A pessoa torna-se na máscara que exibe.
Há quem critique essas festividades dedicadas aos prazeres da carne, especialmente se for de pendor pagão. Mas, do meu ponto de vista, tal como o carnaval está actualmente concebido e controlado, pode  ser inócuo, por significar “boa catarse” ou escape das agruras da vida do dia a dia. As pessoas cantam, dançam e se mascaram de diferentes formas, dependendo da cultura subjacente a cada povo ou  grupo social, lá onde a máscara tem uma simbologia mítica, como é o caso de certas  culturas africanas, americanas ou europeias. Sobre a Europa, devo dizer que o carnaval tal como se conhece hoje, com desfiles de fantasias, foi  exportado por Paris capital da França no século XIX. Como é que  tudo aconteceu, é rigorosamente outra parte da história que pouco importa para a nossa conversa de hoje. Aliás, o que fica registado, é o facto de que, ainda hoje, os grandes desfiles carnavalescos acontecem nas cidades capitais e entre nós, também é  Luanda que protagoniza os grandes carnavais, sendo no  Brasil -  (Rio de Janeiro, S. Paulo e S. Salvador da Bahia), onde se apresentam os maiores desfiles e coreografia.
Sobre a máscara, carnavalesca, o mais interessante é que  resulta de uma invenção italiana, na tentativa de fazer com que o personagem exiba o seu papel sem inibições. É interessante tentar  perceber como a Sendo a Itália  rica em aspectos culturais de carácter profano, é ao mesmo tempo  único em espiritualidade, com  destaque para a religião católica,  através do grande Estado do Vaticano em Roma.
Pois bem, voltando à máscara, podemos dizer que inicialmente de é de origem italiana e  era  associada à manifestações diabólicas em torno de um mistério e criações fantásticas, em que não faltavam a imagem da feiticeira. Como se sabe, essa prática era mais atribuída às mulheres da alta Idade Média europeia. Mas  ao longo do tempo, a máscara  foi-se  associando ao carnaval, oscilando entre o satírico e o sagrado, ameaça e o terror. Desde o Egipto, Grécia e Roma, sabemos que a máscara assumiu diferentes interpretações de acordo com as diversas sociedades e isso acontece também nas  africanas, onde em alguns casos, as fronteiras entre o mito e a realidade são simples linhas de continuidade. Como estamos a reflectir sobre o significado  do carnaval, deixo a abordagem sobre as máscaras, para os antropólogos  especializados nesta matéria.
Porém, aqui fica  um exemplo interessante do teatro grego que  usou as máscaras  chamadas personna, daí a palavra personagem. Em Veneza do século XVIII, os homens tinham por hábito usar a máscara, que mais tarde foi proibida por lei, mas permitida em carnavais ou procissões, pois a ocultação do rosto dificultava a identificação de certas pessoas, com especial destaque para os que tinham por  vocação  a delinquência.
É de notar que a igreja Católica assume especial protagonismo no fim da terça feira gorda e 4ª feira de cinzas, ao instituir a quaresma, (40 dias) antes da celebração da Páscoa, que na prática, significam  dias de jejum e abstinência  da carne.
Para o nosso carnaval deste 2015. Que tenha ganho o melhor grupo .       

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