Homenagem a Francisco Xavier Yambo

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Nestes últimos vinte anos de lide em torno da defesa do Património Histórico e Cultural, tenho conhecido pessoas extraordinárias colegas que dedicaram uma boa parte da sua vida na construção de uma atitude  preservacionista a favor da Cultura, Identidade e Memória coletivas e, cujos contributos são, pois, de inteira justiça, de se lhes atribuir o devido reconhecimento.

Apesar da sua idade já bastante avançada não lhe faltava lucidez nem reflexos para abordar a problemática do património em Angola. Além da bibliografia de sua autoria que me ofereceu, desafiou-me a escrever qualquer coisa sobre a “Rua dos Mercadores”; pois, dizia ele que, sentia uma paixão inusitada por aquela velha rua de Luanda.

O Arquiteto Batalha escreveu várias obras no domínio da história, arquitetura, urbanismo e arqueologia de Angola. Nos anos cinquenta do século passado dedicou-se à pesquisa arqueológica na antiga cidade de “São Salvador do Congo” (Mbanza Kongo), tendo trazido à luz restos (alicerces) de construções seculares daquela muito antiga cidade que foi durante um passado longínquo, a capital do Reino do Kongo.

Cruzei pela primeira vez com o Doutor Francisco Xavier Yambo em 1992, na província do Huambo (Wambu, como ele mesmo escrevia) quando lá fui parar em serviço.

Em virtude da guerra ou eventualmente por ironia do destino o Dr. Yambo veio a juntar-se a nós em Luanda e em 2000 veio a ser nomeado Diretor geral do Instituto Nacional do Património Cultural, cargo que ocupou até 2010, altura em que este começou a enfrentar, sem esmorecimento, uma grave doença que o acometeu até ao dia do seu falecimento.

Enquanto Diretor, passamos a discutir pontos de vistas de âmbito profissional, particularmente sobre o património. Tínhamos, diga-se de passagem, um gosto comum e por conseguinte, passamos a ter afinidades de ideias e propósitos que permitiam interagir.

É claro que esse convívio, quase exclusivamente profissional, permitia muitas vezes convergir mas outras vezes divergíamos nos pontos de vistas. Uma coisa que sempre ficou claro na nossa relação é que a temática relativa ao património é capaz de reunir num mesmo campo pessoas com vários pontos de vistas e correntes. Segundo Alexandre Herculano, 1857, a defesa e preservação dos valores materiais e imateriais da nação, sejam quais forem as suas instituições, governos ou convicções, são decoro Nacional. Logo, são do interesse Coletivo

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