Homenagem a Francisco Xavier Yambo

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Nestes últimos vinte anos de lide em torno da defesa do Património Histórico e Cultural, tenho conhecido pessoas extraordinárias colegas que dedicaram uma boa parte da sua vida na construção de uma atitude  preservacionista a favor da Cultura, Identidade e Memória coletivas e, cujos contributos são, pois, de inteira justiça, de se lhes atribuir o devido reconhecimento.

Francisco Xavier Yambo, o Antropólogo

Francisco Xavier Yambo, nasceu no Dundo (Ndundu), Lunda-Norte aos 7 de Agosto de 1945. Concluiu os seus estudos na República do Kongo Democrático (ex-Zaire) tendo em 1973 concluído a sua licenciatura em Antropologia Cultural pela Universidade de Lubumbashi.
De regresso ao País em 1974, foi mais tarde (1976) admitido como funcionário do Conselho Nacional de Cultura, exercendo as funções de Guia Chefe no Museu Nacional de Antropologia, em Luanda e, em 1978 passou a exercer as funções de Chefe de Departamento Técnico de Museus e Monumentos.

Em 1979 é transferido para a província do Huambo, impulsionando a recuperação do Museu Regional do Planalto do qual foi Diretor (79-97). Foi entretanto colaborador do Núcleo do ISCED na cadeira de História de Angola e professor de Antropologia Regional (Cultura Bantu) no Seminário Maior do Cristo Rei (Huambo).

Em 2000 é nomeado Diretor Geral do INPC e coordenou várias comissões Técnicas no Ministério da Cultura, nas áreas do Património e Museus. Foi ainda Presidente do Comité Angolano do ICOMOS (Comité Internacional dos Monumentos e Sítios) e do Comité Angolano do ICOM (Comité Internacional dos Museus), órgãos consultivos da UNESCO. Foi ainda, Membro Co-Fundador do AFRICOM (Associação dos Museus Africanos).

Foi um activista em prol das ações em defesa do Património Histórico-Cultural disseminadas em campanhas de sensibilização, ações de formação, aprovação de legislação, etc. Foi ainda o grande impulsionador do processo de redefinição do papel dos Museus em Angola, fazendo imergir a necessidade e lógica de dotá-los de projetos científicos e culturais.

Foi autor de vários títulos publicados, dos quais cabe destacar "Dossier Ngangela" (INALD, 1997, 35 págs.) e "Dicionário Antroponímico Umbundo" (INIC, 2002, 68 pags), além de vários artigos e temas ligados particularmente às áreas do Património, Cultura, História, Linguística, etc.

É manifestamente uma perda que deixa saudades a quem terá o privilégio de conviver com o Dr. Yambo até ao dia 8 de Julho pp. O seu corpo foi a enterrar no Cemitério dos Santos, na Missão Católica de Hanga, Bailundo (Mbalundu), província do Huambo.

Estas três figuras produziram tanto durante a sua vida que mesmo depois de mortos, os seus saberes continuará a servir de benefícios para as presentes e futuras gerações, fazendo multiplicar, ao longo do tempo, iniciativas e gestos à favor da preservação e valorização do Património Histórico e Cultural do Povo Angolano!

Que as suas almas descansem em Paz Celestial!

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