Ícones e paisagens da minha terra

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De Francisco Vandúnem(Van)

Ícones e paisagens da minha terra
Amilkar, VAN e Teresa Mateus

Dia 12 de Julho no CAMÕES, o Mestre Francisco Van Dúnem (Van) inaugurava a exposição “ÍCONES E PAISAGENS DA MINHA TERRA”, que assinala quatro décadas do seu percurso artístico.
Na exposição individual “ÍCONES E PAISAGENS DA MINHA TERRA” Van apresenta cerca de noventa obras inéditas, em expressões diversificadas (dez pinturas, setenta desenhos, uma instalação, um vídeo e cinco objectos de materiais diversos). Através deste trabalho, Van revisita e reinventa a sua muito cara angolanidade, reafirmada como recorrente fonte de inspiração e fio condutor de toda a sua obra. Mergulha nas raízes profundas da sua Terra, sem contudo deixar de se assumir como um artista da sua época, que reflecte, interroga e questiona, chamando a atenção para contradições que marcam as novas realidades sociais e urbanas do mundo actual. Sobre ÍCONES E PAISAGENS DA MINHA TERRA diz o artista: “tentei, mais uma vez, fazer aproximações com outras linguagens construtivas e interpretativas, reinventando formas e (re)utilizando materiais considerados pobres, tais como desperdícios de serralharia, carpintaria, alvenaria, pedaços de imprensa escrita, peças artesanais entre outros. (...) Nesta missão, esforcei-me por permanecer como um dos iniciados nas linhas estilísticas das artes tradicionais angolanas, aliado às tendências mundiais de arte contemporânea. (...) as sensações aqui transmitidas foram colhidas nos meios urbanos e periféricos, rurais e de informações prévias do mundo das artes visuais e plásticas. Nada foi inventado em absoluto (...).
Amilkar Feria Flores, curador da exposição diz, “Em ÍCONES E PAISAGENS DA MINHA TERRA, o artista elevou-se, ganhou uma distância crítica para compreender, com a acuidade da sua experiência, tudo o que conforma o vasto horizonte de seus domínios poéticos. É sem margem de suspeita, um caminho rico que abre novas rotas a outros espaços de conhecimento e sabedoria; digamos que uma contribuição, ao mesmo tempo que um alerta sobre os perigos que ameaçam a diversidade ecológica, biológica, étnica ou linguística, num alerta para aquilo que ainda podemos”.

SOBRE O ARTISTA
Francisco Van-Dúnem (Van) nasceu no Icolo e Bengo e fez os estudos primários e secundários em Luanda. Concluiu a licenciatura em Educação Visual e Tecnológica na Escola Superior de Viana do Castelo (1994). Foi co-fundador e professor de desenho, gravura e pintura e também director da Escola Média de Artes Plásticas em Luanda (1994/1997). Concluiu o Mestrado em Educação Artística na University of Surrey Roehampton em Londres. Actualmente, é docente da disciplina de desenho no Curso de Arquitectura da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto e Professor colaborador do Instituto Superior de Artes.
Conta no seu percurso com perto de 30 exposições individuais e mais de uma centenas de exposições colectivas apresentadas em Angola e outros países, como Argélia, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Cuba, Espanha, Gabão, Itália, África do Sul, Inglaterra, Namíbia, Jugoslávia, Hungria, Guiné Bissau, Inglaterra, Namíbia, ex-Jugoslávia, Hungria, Moçambique, ex-Checoslováquia, Zâmbia, Rússia, Noruega, Suécia, Portugal, Congo, França, Alemanha, EUA, Japão e China. Entre os Prémios recebidos, incluem-se: Prémio Mural Cidade de Luanda/1985; Prémio Banco de Fomento Exterior/1990; Prémio Ensa-Arte/1996; Prémio Ensa-Arte/2004; Prémio Nacional de Cultura e Artes/2008.

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