Importância da UNAP na formação de Historiador da Arte em Angola

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A Universidade é um lugar onde se ensina a pensar.

Importância da UNAP na formação de Historiador da Arte em Angola
A Aurora, de Valentin (Angola)

Por norma, ela deve ser útil à sua sociedade na resolução dos seus simples e complexos problemas. A minha breve reflexão coloca duas perguntas objectivas à Direcção da Faculdade de Ciências Sociais (adiante FCS) e, – como pedagogo – sugiro uma entre as várias possibilidades de respostas.
As duas perguntas são:
Como racionalizar a formação do Historiador em Angola, quando se sabe que o mercado laboral angolano o coloca na “cauda” dos interesses?
Como responder aos desafios de Angola, face as possíveis consequências do programa do Estado 2012-2017, pensando na utilidade profissional dos futuros historiadores que a FACS/UAN irá formar?
A minha modesta sugestão é: criar, dentro do curso de História, uma especialização em História da Arte. E tentarei justificar as razões.

FCS/UAN e o seminário
de “Histórias das Artes”

Existe um seminário “História das Artes Africanas”, no plano curricular do curso de História. Infelizmente este, do ponto de vista da organização curricular, limita-se ao quarto ano do respectivo plano de estudos, isto é, já na etapa final da formação. Este seminário apresenta as seguintes características: (i) semestral; (ii) três horas semanais; (iii) um livro – elaborado por nós – que propõe que o próprio estudante construa o seu conhecimento.
Este seminário consiste em: (i) familiarizar os estudantes com o mundo artístico; (ii) permitir que os estudantes percebam a arte num duplo sentido como uma linguagem e um potencial registo da “História corrente”.

Ministério do Ensino Superior e a Formação na Arte

Foi instituído o ISARTES (Instituto de Artes) com dois cursos estratégicos: (i) artes plásticas; (ii) música. Estes cursos são estratégicos por duas razões. A primeira razão: a existência de duas associações profissionais que são UNAP para as Artes Plásticas, e UNAC para a Música. A segunda razão: a qualificação destes profissionais deve passar pela formação técnico-científica com intuito de dialogar – ao mesmo nível – nas plataformas internacionais, como também facultar o “bem-estar” destes profissionais na construção da cidadania angolana.
ISARTES consiste na formação tecno-científica, e foi um passo enorme que Angola efectuou. Com esta formação, parece-me necessário que se complemente a qualidade dos profissionais da arte e o consumo público destes produtos (artes plásticas, música) com algumas especializações, nomeadamente: (a) História da Arte; (b) Estética (ou Filosofia da Arte); (c) Sociologia da Arte. Contudo, no âmbito desta intervenção, limitarei as minhas modestas observações na especialização ao nível das Artes Plásticas.

                                                                       Com Emprego

Grau Académico       Desempregado                      Na área da História            Fora área da História             

Licenciados                 29                                          12                                          39

Mestres                        1                                            2                                            6
                                                                               14                                          45   

                                  30                                          59               

UNAP e promoção da Arte

No seu programa estratégico de desenvolvimento das Artes Plásticas, a UNAP dispõe de três pontos que importa salientar aqui:
Galeria Nacional: A arte é fundamental na construção e cimentação da Cultura da Paz. Depois da guerra que Angola viveu, constrói-se a Paz. E a UNAP tem noção desta tarefa, garantindo uma produção qualitativa nas artes plásticas, educando o consumidor sobre os produtos artiplásticos, asseverando a deontologia na parte dos produtores e disciplinando o “mercado da Arte” sendo estas algumas preocupações que interessam a UNAP. Por um lado, esta associação quer garantir o bem-estar dos profissionais da arte, e por outro quer auxiliar na socialização do angolano nesta Era da paz.
Museu da Arte Contemporânea: embora seja abrangente – por incluir todas modalidades artísticas – a UNAP pensa na documentação museográfica (das artes plásticas) do espólio que existe quer no depósito da própria associação, quer sobretudo nos depósitos de outras instituições públicas. De modo igual, caso este museu seja criado, várias instituições que têm disponibilizado mecenas, poderão doar algumas das suas obras para melhor conservação. Este museu poderá garantir maior investimento no turismo, produção qualificada da Arte e preservação da História presente”, num futuro breve e por toda prosperidade.
Sanzala da Arte: a UNAP, no seu programa estratégico para desenvolvimento, pretende criar uma “Sanzala da Arte” com a colaboração das Autoridades do país. Tratar-se-á de uma aldeia reservada apenas na produção qualificada da arte, local onde será tecido os circuitos artísticos para chamar o investimento estrangeiro, oxigenar o turismo e criar novas riquezas. Isso será importante para o nosso país, que quer construir-se como Estado-nação, onde os artistas verão sua profissão valorizada. O presidente Agostinho Neto foi homem da Arte (poema). O presidente Eduardo do Santos sempre apoiou os artistas. E, a UNAP espera, desta vez, melhor beneficiar destes apoios na formação do Homem Angolano.

UNAP e “História da Arte”
na FCS/UAN: uma projecção

Desde a sua formação a FCS/UAN já lançou várias centenas de historiadores, sem contar com aqueles que o ISCED/Luanda tem disponibilizado. Localizámos 89 historiadores (pessoalmente, ou via Internet/Facebook), dos quais 30 desempregados (um Mestre e vinte nove licenciados), 14 com emprego dentro da formação (dois Mestres e doze licenciados) e, finalmente 45 historiadores com bom emprego, mas que nada tem a ver com a sua área científica de formação, isto é, com História. Podemos enquadrar estes dados desta forma:

Longe pretender que este quadro seja exaustivo, ele inspira-nos olhar, portanto, o aproveitamento desta formação de Historiador em Angola. Partindo deste quadro, percebemos que a maior parte dos Historiadores que se forma na FCS/UAN ou ISCED/Luanda encontram emprego nos outros ramos. Uma parte permanece desempregado, ao passo que a minoria se encontra empregado no seu ramo científico de formação. Curiosamente, nesta minoria (14), apenas os dois mestres e três licenciados utilizam as ferramentas de Historiador (no professorado) e o resto (9 licenciados) é mal-aproveitado onde trabalha. Tornaram-se burocráticos.
Em 2014, a FCS/UAN registou vários candidatos no curso de História. De acordo com a publicação dos resultados, foram admitidos 95 estudantes diurnos e 80 estudantes noturnos. Suponhamos que em 2018 lancemos, no mínimo, 50 licenciados no mercado (partindo da possibilidade de 15% de desistência, 12% de mal-aproveitamento, 3% de mortalidade, etc. e 1% de atraso administrativo). A pergunta será: quais serão as suas potências nas concorrências laborais nesta Angola pós 2018?

História da Arte: uma proposta

As razões:
ISARTES: até 2018, teremos mais profissionais licenciados nas Artes Plásticas e na Música. Se por um lado, esta geração vier a dinamizar o estado actual das artes – desde a produção até o consumo – deveremos, já agora, pensar na sua rentabilidade de ponto de vista humano, social e económico. De ponto de vista humano, precisaremos de Historiadores de Arte para manter um diálogo profícuo na produção qualitativa. Do ponto de vista social (e económico), podemos pensar em dois desfechos: (i) registo da História presente/corrente; (ii) instrumentalização da economia social nas artes podendo ajudar o próprio Estado angolano a melhor distribuir as riquezas (com Bienais, por exemplo) e programar uma Cultura Nacional plural e integrante (FENACULT, por exemplo). Por isso precisar-se-á de Historiadores da Arte.
UNAP; UNAC: existe grande trabalho que se pretende fazer: História da Música em Angola; História das Artes Plásticas em Angola; História da Dança em Angola, etc. Algumas instituições poderão auxiliar fornecendo pessoas que possam apresentar-nos depoimentos valiosos (fonte histórica) para recompor a História recente destas modalidades artísticas. Hoje, UNAP e UNAC são instituições de utilidade pública. E, baseado nos Estatutos da UNAP e na sua visão estratégica para o desenvolvimento das Artes Plásticas (ou Arte em geral), precisar-se-á de Historiadores de Arte para este efeito. Ver a questão no âmbito da UNAC a necessidade não mudará.
Museu da Arte Contemporânea: no seu discurso de abertura para o IIIº Simpósio sobre a Cultura Nacional, em 2006, o actual chefe de Estado prometeu instituir o Museu da Arte Contemporânea (tal como o fez para o ISARTES). Caso viermos a formar Historiadores de Arte, esta instituição (museu) será rentável e não desperdiçaremos os produtos que FCS/UAN poderá lançar em 2018. O organigrama de um museu de Arte Contemporâneo prevê: (a) conservador; (b) técnicos do património (Imaterial e Material); (c) gestores culturais, etc. Ora, um Historiador de Arte tem, entre outras, algumas destas competências profissionais no seu perfil.

Perfil do Historiador da Arte

O licenciado em História de Arte assumir-se-á como um profissional que:
Terá a uma qualidade técnica para desempenhar as suas funções no quadro institucional a nível provincial, autárquico e nacional, em relação ao Património, Museus, Centros Culturais, Coleções artísticas privadas e públicas;
Será, de forma basilar, um Gestor patrimonial, Gestor Cultural na rentabilização do Turismo cultural. Poderá auxiliar nas apreciações técnicas em questões arquitectónicas na criação de “centralidade urbanísticas”, já que Angola está a investir consideravelmente neste ramo. Se nos basearmos no plano do Governo angolano – 2012-2017, perceberemos a necessidade de começar já a pensar na formação de uma especialização em História da Arte.

Conclusões

Se partirmos do pressuposto que a universidade deve ser útil na sociedade onde se localiza, eu considerarei a Faculdade de Ciências Sociais como um grande Laboratório para analisar as questões sociais. O plano do Governo angolano 2012-2017 prevê um desenvolvimento social, escolhi apresentar aqui das Artes Plásticas que interessa, por um lado FCS/UAN e por outro lado UNAP. Servi-me da UNAP – um pretexto nobre, acho eu – para sugerir a FCS/UAN começar a pensar na especialização em História da Arte. Com este desafio, a formação de Historiador será melhor racionalizada face ao mercado de emprego.

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