Intercâmbio Cultural Jazzístico Kifufutila de Ngoma, Puita, Dikanza, Hungu e Lata

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Jazz é improviso, mas não foi a fusão sonoracom sabor de espontaneidade que aconteceu entre o trio de Jazz alemão Slowfox e o grupo de ritmo tradicional-ancestral angolano NguamiMaka.

Concerto de fusão junta angolanos e alemães Fotografia: Jornalcultura

Jazz é improviso, mas não foi a fusão sonoracom sabor de espontaneidade que aconteceu entre o trio de Jazz alemão Slowfox e o grupo de ritmo tradicional-ancestral angolano NguamiMaka. Durante oito dias, a cidade da Kianda testemunhou uma aventura de ritmos e de intercâmbio cultural interessante que foi abraçada pelo Goethe Institutede Luanda, resultando em quatro concertos para audiências diferenciadas, respectivamente Palácio de Ferro, Fábrica de Sabão, Miami Beach e Escola de Música Obra Bella.
A última actuação teve um forte simbolismo, porque foi antecedidapor três dias de contactos com os alunos da Escola de Música Obra Bella, no Centro de Formação Profissional. Obra Bella é um projecto social que acolhe jovens provenientes dos quatro cantos de Luanda. Neste centro, os músicos alemães tiveram oportunidade de ensinar e partilhar com os estudantes noções de improvisação, compasso e melodia. Também estenderam parcerias com alguns talentos que estão emergir na escola. Aspectos ligados a improvisação, harmonias, arranjos e outros inerentes à música foram abordados, com paixão e entusiasmo pelos participantes.
Maria Regla, da Escola Obra Bela, foi a mentora da parceria, que começou em 2016. Vários artistas apoiados pelo Goethe fazem workshops com o centro e junto de parceiros intercedem para apoios. A responsável da instituição está aberta a que instituições e individualidades ajudem a escola situada no Centro de Formação Profissional do MAPESS.
Numa noite de quinta-feira diante de alunos e da plateia que contribuiu com os ingressos para o projecto, SebastianGramss, o contrabaixista e líder do Slowfox e Jorge Mulumba do NguamiMaka, bem acompanhados pelos parceirosmusicais, encantaram o público. Do repertório constavam temas como Nvula”, “Matuta”, “LembaLemba”, “Undengeuami”, “Dingongenu dia Tata”, “Mira Mira”, “Kamosso” e outras que durante hora e meia acenderam o facho das aparições públicas.
O intercâmbio foi tão profundo e tocou os alemães, que nem esperaram as enfermidades do quotidiano dos angolanos, PhilipZoubek, pianista, esteve indisponível, por baixa médica. Nos concertos anteriores, Philip brindou com boa improvisação, mas a sua ausência foi colmatada com uma noite inspiradíssima de Fernando Francisco, na Ngoma solo, bem correspondido pelo colega Romeu, ngoma baixo, e uma maior margem para que HaydenChisholm no saxofone que, não apenas improvisou, mas demonstrou ser a personificação da alma do projecto.  
Jorge Mulumba, na maioria dos temas, optou pela puíta, instrumento relegado ao esquecimentonos tempos actuais. Cantou e teve a cumplicidade do hungu e da lata. O suporte de Pascoal Caminha marcando no dikindu e o de João Eliseu encorajavam SebastianGramss, no contrabaixo, demonstrando ser apaixonado por fusões rítmicas e sonoras.
Gramss, principal responsável deste encontro musical, fez um balanço positivo da iniciativa e espera levar o projecto até aopaís de AngelaMerkel. Apesar da timidez e da insegurança que os artistas demonstraram nos primeiros ensaios, conseguiu, a par de Jorge Mulumba, fazer arranjos que surpreenderãotanto os conservadores quanto os inovadores musicais.  
Os alemães experimentaram outros sons, como ficou provado numa animada jamsession com NdakaYoWiñi e jovens artistas gospel.

Cena musical angolana
GabrielleStiller-Kern, directora do Goethe Institute, falando do encontro musical entre o Trio de Jazz Slowfox e o grupo NguamiMaka, revelou o seguinte: “no ano passado, o Goethe-Institut convidou SebastianGramss, líder da premiada banda Slowfox, para realizar uma pesquisa sobre a cena musical em Angola. Sebastian conheceu mais do que 60 artistas, e foi no pátio do Palácio de Ferro que ouviu a música dos NguamiMaka pela primeira vez.
 Naquele dia NguamiMaka apresentou a sua música a um grupo de alunos para conhecer a música tradicional de Angola e Sebastian entendeu, que não é comum encontrar uma banda dedicada aos ritmos tradicionais da música angolana em Luanda. Entusiasmado pela beleza e pela força da música dos NguamiMaka, Sebastian percebeu que era com eles que ele queria experimentar novas aventuras musicais.De regresso à Alemanha, Sebastian mostrou as gravações trazidas de Luanda aos colegas do Slowfox e começou a preparar a colaboração com os NguamiMaka. “Estas gravações mostram que os artistas não actuavam às cegas.”
Entusiasmada com o resultado,Gabrielle reconheceu que, com o NguamiMaka, o Trio Slowox encontrou o seu parceiro ideal, afirmando que os músicos estão abertos a culturas diferentes, com orientação percussionista e uma postura experimentalista, que casou na perfeição com a vontade do Trio Slowfox de entrar na música angolana. Finalizou reiterando o desejo de conseguir dar continuidade a este dialogo intercultural  e atribuir-lhe um nível artístico mais elevado, já no próximo ano na Alemanha.
É de reforçar que, das quatro apresentações do Slowfox, apenas duas seriam com NguamiMaka. Depois de dois dias de ensaios,o efeito surpresa do concerto do Palácio de Ferro alterou os planos do Goethe. Fábrica de Salão e Miami Beach também acolheram esta fusão sem confusão. Os dois grupos entraram nos estúdios da Rádio Vial, onde trabalharam em cinco músicas. Com a mesma alma temos odisco de AngeliqueKidjo com a Orquestra Philarmonica de Luxembrugo, com a mistura da música clássica, e Pierre Akendengue em Labarena-Bach to Africa e com a experiência de Waldemar de Bastos com a Orquestra de Londres.
Slowfox é uma formação de Jazz dirigida pelo contrabaixista alemão SebastianGramss, aclamados como banda de Jazz na edição de 2017 no Festival Jazzahead. Os outros dois elementos da PhilipZoubek no piano acústico e o neozelandês descendente de escoceses, HayademChisholm, nos saxofones e gaita-de-foles. Juntos trazem um “estilo lírico à perfeição, incorporando um equilíbrio emocionante entre melodias atraentes e estéticas sonoras sofisticadas para criar uma espécie de MelodicAvant-Garde”, de acordo com a nota de apresentação do Slowfox. O trio tem dois álbuns “GentleGiants” e “TheWood”.
NguamiMaka é considerado como continuadores do grupo Kituxi, a principal formação na divulgação da música de raiz angolana. Com presença em vários palcos internacionais, o grupo liderado por Jorge Mulumba, antes deste intercâmbio, participou no Festival Internacional da Lusofonia, em Macau. NguamiMaka foi fundado no dia 20 de Abril de 2002 e, em 2009, lançou o disco “Ngongo”. No álbum encontramos semba, kilapanga e rumba, com as participações de Lulas da Paixão, Kituxi, Wiza, Melvi, RaúlTolingas, Manecas Costa, Nelas do Som, Alex Samba, Isaú Baptista e Paulo Pakas.

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