Invariâncias

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Este livro de Cristóvão Neto é constituído por 32 poemas, cujo título INVARIÂNCIAS, é, na análise de Conceição Cristóvão, apresentador da obra.

Este livro de Cristóvão Neto é constituído por 32 poemas, cujo título INVARIÂNCIAS, é, na análise de Conceição Cristóvão, apresentador da obra, “um conceito que provém tanto da psicologia, quanto da física e da matemática. Segundo Heider, “a atribuição de invariâncias a objectos e eventos torna possível um mundo mais ou menos estável, previsível e controlável. Seguindo o mesmo raciocínio, verificamos que, em todos os poemas de Invariâncias a poesia assenta em metáforas bem construídas e onde, cada uma delas tem a função de charneira, ou, se quisermos, de “palavra-matriz, cercada de palavras secundárias ou dependentes, tudo compondo ‘atmosferas’ poéticas”. Na poesia de Cristóvão Neto, na estruturação textual por si dada, a metáfora conduz-nos para uma ordem estético-formal, que é uma renúncia à lógica, aqui entendida na acepção aristotélica. Poderemos dizer, neste caso, que Lógica e Poesia apresentam-se como dois caminhos divergentes, duas formas antagônicas de ver o mundo, embora entre elas exista um elemento comum: a linguagem. Um aspecto importante da e na poesia de Cristóvão Neto, mormente neste seu livro: o tempo histórico, o tempo cronológico, esbate-se ou dilui-se, fundindo o antes e o depois, dando lugar àquilo a que podemos bem designar de tempo psicológico, que é o tempo da “emoção-sentimento-conceito”. O mesmo acontece com os lugares, que surgem como meros referenciais para a construção de imagens, pois, tal como ocorre com toda poesia, a de Invariâncias não se prende ao lugar; ela é a-geográfica.
Por conseguinte, e olhando mais para dentro dos poemas, descortinamos o ritmo, a musicalidade e o apurado tratamento estético da palavra significante, de tal sorte que nenhum leitor avisado se consegue manter indiferente à forma lapidar dos versos e ao seu conteúdo. Sugerimos ao leitor que, como quem não quer nada com os detalhes, preste atenção ao uso recorrente que o autor faz do vocativo e das interjeições. Esse é, seguramente, um traço importante da poesia de Cristóvão Neto, em Invariâncias.”

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