IV Festival Internacional de Jazz de Luanda

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Três noites de euforia musical.

IV Festival Internacional de Jazz de Luanda

Luanda acolheu a quarta edição do Luanda Internacional Jazz Festival nos dias 27, 28 e 29 de Julho. Mais uma vez a alternativa recaiu para o Cine Atlântico e o resultado foram as três noites de boa música. Musicalmente falando foram grandes momentos, deixando passar "quase despercebido" o playback dos Boys 2 Men.

1º Dia ­ da Música (Com)Fusão

O grande Maceo Paker deu o sopro de abertura com o seu saxofone. A brilhante atuação deste veterano da música mundial levou aos presentes a época brilhante do Funk. É impossível não sentir a presença do Grande Mr. James Brown quando este monstro do sax está em palco.

Alguns espectadores dizem ter sido o momento mais alto do dia. Maceo Paker demonstrou que o Funk continua vivo.
Aline Frazao jovem angolana residente na Espanha, aproveitou da melhor forma o Festival, brindando os presentes com temas do seu disco de estreia Clave Bantu.

Aline acompanhada pela sua guitarra para conseguir a sonoridade do seu disco precisou apenas de um baixista e percussionista. O Palco Welwitsha recebeu não uma planta selvagem mais uma bela flor que deixou o seu perfume. Podemos considera-la como sendo uma grata surpresa que de certeza ficará na Boca de Angola ( titulo da musica mais aclamada).

Etienne Mbappé, um senhor do baixo mundial nascido nos Camarões, personificou a essência do espirito do 1º dia do Festival, a música de fusão. Mesclando ritmos camaroneses como o Makossa, Bolobo, Sekele ao Jazz, Funk, Rock dentre outros sons contemporâneos a sua grande técnica no instrumento que é a extensão do seu corpo. Um show contagiante que mostra a nova África "Moderna mais autêntica".

Totó pela segunda vez participou neste evento e correspondeu às espectativas.
Carmen Souza, esta cabo-verdiana nascida em Lisboa, depois das duas atuações vibrantes de Mbappé e Totó, suavizou a sala com uma perfeita fusão entre o "Jazz Puro" e os sons de Cabo-verde.

Bob Marley do Seculo XXI, aliás Asa, fechou a noite. Abriu em grande, não deixou os seus sucessos para o final e assim prendeu os seus admiradores. Esta nigeriana de Paris não desiludiu aqueles que nas redes sociais "forçaram" a sua presença no LIJF. Temas como Binke, Fire On the Mountain, Mr. Jailer por pouco deixavam cair o Altântico.

2º Dia - Músicas mais Populares

O segundo dia foi dedicado aos artistas e músicas mais populares e foi Ricardo Lemvo quem teve a primazia de subir ao palco, trazendo a sua marca universal que acrescenta aos sons Afro-Caribenhos o soukouss, semba e outros ritmos africanos. Os amantes da música latino-americana maravilharam-se ouvindo sucessos como Valeria, Mambo Ya, assim como Tata Massamba.

Sara Tavares entrou com uma atuação magnifica onde reinou uma certa cumplicidade entre a cantora e a plateia. Sara foi quase sempre acompanhada pelo público. Mana Sara no lado de lá no fim atualizou o seu sucesso "One Love" com o Vamu Lá, um hibridismo musical Funaná, soukouss e o kuduro.

Conjunto Angola 70, agrupamento musical do período de ouro da nossa música, marcou o momento alto das atuaçõess angolanas nesta edição. Foi momento de "Semba de Raiz" aliás tendo Joazinho Morgado a garantir o toque dos nossos tambores, Raúl Tulingas na Dikanza, Teddy Nsingui e Boto Trindade nos solos, Calili no baixo, Chico Montenegro nas congas e os convidados Brando Costa, viola solos, Dinho na percussão adicional e os vocalistas Gregorio Mulato e Quim Manuel vozes consagrados do Semba e o jovem Legalize, exímio interprete dos temas de Urbano de Castro.

Stewart Sukuma representou muito bem os nossos irmãos do Índico com uma perfeita sincronização entre o canto e a dança, conseguiu dar a conhecer aos presentes a Marrabenta e outros ritmos moçambicanos.

Com esta apresentação, Sukuma e a sua banda Nkhuvu poderão ter aberto uma nova era para o (re)conhecimento dos verdadeiros ritmos de matriz moçambicana em Angola. Ivan Lins, outro grande nome, deu um bom show.

Este músico, que teve o seu momento alto quando cantou o tema "Começar de Novo" da serie televisiva Malú Mulher, com uma banda muito compacta, facilmente passeou pela Bossa Nova, MPB e o Jazz Fusion.

Manu Dibangu, o "jovem" saxofonista camaronês, proporcionou o grande momento do dia, com a sua música eletrizante. Manu Dibangu abriu o show homenageando um dos principais nomes da música africana, Fela Kuti,m e depois viajou pelos seus grandes sucessos como Douala Serenade, fechando a noite com o seu grande sucesso Soul Makossa. Nota mil à sua Soul Makossa Gang.

Manu demonstrou ser sem sombra de dúvidas o expoente máximo da fusão entre o Funk, o Jazz e os diferentes estilos africanos trazendo um som puramente AFRODELICO.

Os Boys 2 Men, tidos como o cartaz do Festival, dececionaram aqueles que gostam de actuaçõess ao vivo, pois eles trouxeram um formato playback, o que de certa forma desprestigia não apenas o grupo como a organização. Houve espectadores que vibraram aos sons antigos deste grupo.

3º Dia ­ "Jazz Real"

Este foi o Belo dia em que o nosso Jerónimo subiu no palco Palanca para apresentar os monstros do Jazz. Hubbert Laws foi a escolha perfeita para a transição da tarde para a noite. Hubbert Laws justificou-o porque, da sua carreira bem sucedida de mais de 40 anos, com o seu instrumento de eleição, a flauta, extasiou os presentes. Laws levou os Jazz Lovers aos grandes momentos da Blue Note.

Outro nome sonante do Jazz Mundial subiu e deu continuidade à excelente performance do flautista. Tendo o piano como o seu instrumento, Abdullah Ibrahim serviu-nos o Jazz da cidade de Cabo tal qual o serve nos grandes palcos por onde passa. Abriu com dois solos de piano e posteriormente o seu quarteto foi integrado por um contrabaixo, um saxofone e uma bateria. Uma aula magna de Jazz.

O jovem músico Coreon Du, na sequência das grandes atuações que o antecederam, deu o seu melhor, tocando temas do seu disco de estreia e do projeto Angola Sound Experience onde funde a música popular ao Jazz. O seu momento alto foi quando interpretou um JazzKuduro.

Marcus Miller trouxe os sons mais festivos da noite, marcando a concretização de um sonho para os amantes do Jazz Fusion. Este baixista e produtor de grandes nomes da indústria musical não deixou os seus créditos por "dedos" alheios. Uma excelente banda de apoio onde os improvisos jazzísticos encantaram todos os presentes. Marcus Miller, com os seus solos no baixo, deu uma lição de Jazz Fusion Concha Builka, cidadã espanhola, filha de equato-guineenses, é dona de uma voz potente que mistura de um jeito especial o Flamengo ao Soul e ao Jazz, deixando em alguns momentos a sua marca africana. "Mi Ninã Lola" deixou estupefactos os presentes.

Cassandra Wilson, outra grande atuação do Festival, apresentando um Jazz contemporâneo, com a sua voz distinta e flexível, mostrou que o Jazz sempre esteve aberto a outras sonoridades. A surpresa foi o multi-instrumentista angolano Simmons Mansini no baixo da sua banda e o dueto com a cantora Afrikannita no tema que foi imortalizado pela grande Diva dos Pés Descalços, Cesária Évora. Cassandra Wilson fechou a sua atuação com a bandeira da República.

E assim foram os três dias do Festival, musicalmente escrevendo. Houve ainda a participação dos Djs Djeff e Darcy. Para recordar...

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