Jikulumessu: O traço fundamental da nossa identidade

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Ideia original de Córeon Du e realização de Sérgio Graciano,"Jikulumessu" (do kimbundu abre o olho) é a mais recente novela da Semba Comunicação.

Jikulumessu: O traço fundamental  da nossa identidade
Jikulumessu: O traço fundamental da nossa identidade Fotografia: Paulino Damião

Foi ao ar na noite de segunda-feira, 20, e é composta por 120 capítulos gravados em Luanda, Namibe, Lubango e Nova Iorque (Estados Unidos da América). Com uma média mensal de 700 figurantes, uma cidade cenográfica de 4000 m2 construída em 8 meses e uma equipa técnica constituída por mais de 100 pessoas, “Jikulumessu” é um produto televisivo que resulta de um trabalho árduo de investigação e produção que promete revolucionar a ficção nacional.
Adiantando um pouco da história, o guionista Divaldo Martins traça que a trama começa em 1998 e acompanha a história de um jovem determinado que quer subir na vida, encontrando algumas barreiras que o vão levar a outros destinos, como Luanda e Nova Yorque. Destaca que a novela aborda com alguma coragem alguns temas importantes da nova sociedade, sabendo que a mesma como produto de ficção não pode se limitar ao factor lúdico, mas também ajudar na educação e formação das pessoas.
Ou seja, uma abordagem feita na perspectiva pedagógica em que o jogo leva sempre o bem a vencer o mal, e trazer à discussão alguns problemas da sociedade angolana.
A Semba pretende também dar uma perspectiva de internacionalizar o mais novo produto. Isto fez, continua o guionista, com que tomassem o cuidado necessário em equilibrar em termos de linguagem. “Nós falamos de uma forma peculiar que não é percetível em todos os espaços de Portugal e Brasil. E se nós quisermos que esta linguagem passe nalguns espaços então temos que adaptar aqui alguma linguagem à maneira natural do personagem, com é o caso do linguajar da zungueira, que deve ser traduzida em Portugal ou Brasil por não entenderem este registo na sua totalidade”, explica.
Quanto ao nome, justificou que adoptaram o nome em kimbundu para marcar o traço fundamental da nossa identidade. Podiam intitular apenas abre o olho. Mas era preciso uma acção propositada porque encontram neste produto muito a ver com as raízes típicas da urbe angolana, sua maneira intrínseca de estar.
Por outro lado, como todas as novelas, também visa fantasiar, criar sonhos e ilusões. Necessariamente, promete alguma polémica, mas sempre com um cunho pedagógico. Sem defini-los com exaustão, referenciou que a novela abordará como pano de fundo temas que fazem parte do dia-a-dia e que a sociedade deve aprender a discutir com clareza, como a a poligamia, o tráfico e consumo de drogas, corrupção, a falta de humanismo e solidariedade nas redes sociais.
Integrante do elenco, Orlando Sérgio foi o escolhido a falar pelos actores. O “veterano” começou por assinalar as diferenças a ver com maior organização e condições de trabalho que facilitam a vida dos actores.
Mas não ficou apenas pelos elogios, lançou uma crítica à nova geração: “Como alguns de nós somos actores até muitos anos, temos um problema que é a continuidade do trabalho. E para que um actor cresça, é preciso que se trabalhe muito. Com este projecto da Semba começamos a estudar a possibilidade de haver continuidade, para que os actores evoluam mais e melhor. E se podemos ter esse nível de organização e meios técnicos disponíveis que este projecto tem, acho que o futuro pode ser risonho para todos nós. Infelizmente, não tem sido isto que tem acontecido. Muitos projectos acabaram e não tiveram continuidade, e quando recomeçaram tiveram novamente que repetir tudo e formar novamente os actores. Este circuito intermitente não proporciona desenvolvimento às pessoas que realmente dediquem uma vida a esta profissão. Esperamos que este projecto seja contínuo para nos dar essa possibilidade e evitar que estejamos sempre a viver de pequenos trabalhos”.
Sendo uma produção com um elenco que traz jovens que nunca tinham representado, disse ser um prazer trabalhar com estes porque trazem sempre coisas novas e com muito ainda por desafiar, um pouco o contrário dos antigos na profissão. “Nós que andamos em escolas e trabalhamos muito acabamos por ter uma abordagem já mais viciada, mas o confronto com eles ajuda-nos a nos reconhecer. Este projecto teve uma componente muito importante no que tocante à formação, decorrida num período de dois meses a investir nos actores. Normalmente não costuma acontecer. O facto de a história estar dependente de actores muito novos, também contribui para que houvesse a preocupação nesta componente. Ficamos quase três meses a ensaiar parte da novela. Foi preciso deixar as personagens bem formadas”.

Elenco
Quase todo elenco é composto de actores angolanos. O realizador Sérgio Graciano reconheceu nos actores um trabalho notável e que muito pouco seria possível se não tivessem um guião bom e actores que procurassem fazer um trabalho em equipa. Os protagonistas, Fernando (18), que vive a personagem Joel, e Sandra Gomes (22), que vive a personagem Djamila, são dois rostos novos que a novela traz. A jornalista Sofia Buco, que para sí é um grande trabalho e oportunidade que sempre andou à espera; Miguel Hurts,já habituado ao estrelato das novelas, Maweza Diogo, que volta ao ecrã passado 7 anos de ausência; Daniel Martinho, um experiente actor com grande notoriedade no teatro; Ana Karina, Celso Roberto, são alguns dos rostos já conhecidos. As gravações começaram em Novembro do ano passado.

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