Kaluandando.com recriar Luanda

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Kaluanda e Luanda. Homem e espaço. Os desaos na coexistência entre os dois, as suas necessidades, anseios e desejos são o enfoque da exposição “Kaluandando.com”, que está patente desde o dia 3 deste mês no Camões - Centro Cultural Português

quadro Fotografia: Arquivo

Kaluanda e Luanda. Homem e espaço. Os desafios na coexistência entre os dois, as suas necessidades, anseios e desejos são o enfoque da exposição “Kaluandando.com”, que está patente desde o dia 3 deste mês no Camões - Centro Cultural Português, numa amostra multidisciplinar, com vários artistas, entre consagrados e jovens talentos.
O objectivo, como descreve Paulo Amaral, o mentor do projecto, é claro: homenagear Luanda, a cidade cheia de mistérios e sonhos, e os seus moradores, os kaluandas, a partir de vários pontos de vista e em diferentes conceitos de arte, para o público perceber melhor o espaço que o rodeia.
Ao explorar o melhor que cada artista tinha a mostrar sobre a inter-relação entre o homem e o espaço, a exposição dá ao público uma ideia do que é Luanda. Por ser um campo muito amplo para ser explorado somente pela vivacidade das cores, mesmo nas suas diversas técnicas,a mostra inclui outras expressões artísticas, como a música, a literatura e o teatro.
Como descreveu Paulo Amaral nas palavras “Kaluandando: kaluanda; andando; anda; dando”, a ideia é explorar de tudo. Entre os trabalhos expostos alguns detalhes sobressaem mais do que outros, como a consciência ecológica dos artistas ou o reaproveitamento da matéria.
A mostra, com 21 artistas (alguns com longos anos de percurso e outros no início da carreira), traz trabalhos de pintura, artes visuais, cerâmica, grafite e instalações, com algumas imagens onde retratam o quotidiano e as vicissitudes diárias dos kaluandas.
Com perspectiva de estar o mais próximo possível do público, a mostra, que fica patente no Camões até o próximo dia 27, tem um carácter itinerante e por isso ainda vai ser apresentada na Fábrica de Sabão, no Cazenga, em Novembro. O espaço já está a ser preparado para acolher um trabalho de tal dimensão, que leva o público por uma viagem entre o passado e presente.
Em diferentes expressões e várias gerações de artistas, “Kaluandando” dá aos seus visitantes um ponto de partida para conhecer um cosmopolita diferente dos de outras capitais africanas e com força de vontade para sobreviver as suas desgraças.
Com antagonismos e contradições comuns, assim como com referências e afinidades entre eles, os artistas convidados para a exposição fazem também um enfoque na diversidade da Luanda de hoje.
Como escreveu Pepetela: “(...) Luanda. Dos sonhos que nela se depositaram e dos anseios que ela destruiu. Inocentemente cruel, afaga e embala as gentes que em si vivem, amarrando-as com o feitiço da sua sensualidade. Para sempre (...)”, a exposição procura também trazer um diálogo artístico aberto entre duas extremidades diferentes da mesma cidade: o centro e a periferia. Dentro deste princípio, a mostra foi repartida entre o Camões e a Fábrica de Sabão.
As perspectivas e suas várias nuances vão permitir ao público ter duas ideias completamente diferentes sobre duas realidades distintas, com quotidianos completamente desiguais. Centro e periferia. Asfalto e terra batida. Cidade e musseque. Num eterno diálogo já explorado antes por diversos autores e artistas, académicos e sociólogos, mas que sempre é uma fonte a ser explorada.
Criar, inovar e inspirar são as palavras escolhidas para dar vida ao diálogo entre os artistas, que através das suas próprias realidades, mas que por meio da partilha das suas complexidades individuais renasce num projecto que se pretende global e com um novo significado, assim como abordagens e percepções diferentes.
Para a directora do Camões, Teresa Mateus, “o projecto ‘Kaluandando’ é uma oportunidade de poder aglutinar diferentes olhares artísticos sobre a urbe, deixando a expectativa de que serão desvendados novos ângulos e reveladas novas perspectivas de Luanda”.
Por sua vez, a curadora Marisa Cristino vê a cultura como um vector democrático disseminador de conhecimento e uma importante ferramenta à educação e transformação da sociedade. “Assim acontece com ‘Kaluandando’. Esta é uma exposição que nasce nas movimentadas ruas de asfalto cinzenta, que cresce e se mistura nos sinuosos caminhos vermelhos do Cazenga. A arte transforma as pessoas, engrandece e fortalece uma comunidade.”

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