KI Mona Mesu

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Contornos de luz e sombra desses artefactos de suprir a marcha mutilada reinventam espectros de cor lúdica ainda com o tutano doloroso dentro do osso inexistente.

Ki Mona Mesu

Mário Tendinha filtra cores de enfeitar a dor fotografada por José da Silva Pinto. Tchim-tchim! de próteses: a politica aliada à indústria de fabricar a derrota inimiga. Da própria Humanidade. Temas do quotidiano: matabicho prensado entre próteses; o amor dos das vítimas universais das minas antipessoal; o azul do céu se mutilou de manequins suspensos do fio do destino forjado a cinco cores. Dura lex sed lex. Futebol contra o racismo. Brincando. A bailarina (ainda pode bailar com próteses). Caminhos (do mato onde a mina espreita com olhos cegos). O gado também explode, só que não tem prótese desenhada para um boi. E as mulheres dão à luz com as próteses abertas ao silêncio da conjuntura internacional.
A exposição de pintura, fotografia e instalação dos dois artistas reúne 20 obras cuja temática se enrola em torno de velhas próteses reutilizadas pelos mutilados de guerra. Muitas dessas pernas de madeira, plástico e ferro estão no projecto da Bomba Alta no Huambo.

Mário Tendinha
Nasceu em Maio de 1950, na cidade do Namibe. Por isso, sempre teve o mar, as pescas, o deserto, o povo cuvale, como referências naturais marcantes.
Começa a desenhar e a pintar aos 18 anos, influenciado pelos movimentos sociais e pelas correntes da época, a música pop, os hippies. O surrealismo marca desde logo e para sempre o seu trabalho, ao tomar contacto com as obras dos grandes mestres. A banda desenhada, uma das suas paixões desde a infância, deixa marcas no seu trabalho inicial, com a utilização de técnicas e suportes como o papel, o guache, a aguarela, a tinta-da-china.
Realiza a sua primeira exposição individual no Huambo, em 1972, mantendo actividade artística até 1974. Apenas em 2003, depois de 25 anos sem pintar, e de 28 anos sem expor, volta a mostrar o seu trabalho ao público, em Luanda, na Galeria CENARIUS, na exposição “Lá para o sul...”.
Mais recentemente, tem trabalhado em conjunto com outros artistas angolanos, a Coreógrafa Ana Clara Guerra Marques e o Fotógrafo José Pinto “TONSPI”.

“José da Silva Pinto
(se quiserem, o Tonspi, para quem gosta muito de mim) é o meu nome... Fui parido no Lobito, cidade do Sul de Angola a 7 de Julho do ano da graça de 1959, comecei a andar muito tarde por preguiça e porque tb era muito gordo, a falar demasiado cedo porque segundo a minha mãe era e sou de temperamento irrequieto, e um bom conversador... Em 1975 parti para Europa. Aí estudei, Biotecnologia em Zurique, na Europa comecei a gostar contar histórias com imagens, porque a palavra escrita apesar de muito gostar de ler não me sai com aquela verdade que tento partilhar com as imagens. A fotografia surgiu na minha vida em 1980, quando comecei a prestar muita atenção à arte de Eduardo Gageiro. 1997 a passagem pela Ásia ensinou-me a paciência, aprendi a saber esperar o melhor momento, o sorriso, o esgar, o olhar. Fotografo por paixão, fotografo por devoção. Resido desde 2000 em Luanda, por teimosia, por imenso Amor à terra que me viu nascer ... continuo a acreditar no AMOR, no HOMEM, na VIDA.”

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