Kuzuata exposta em Itália até 31 de Dezembro

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Invocação do quotidiano angolano

Kuzuata exposta em Itália até 31 de Dezembro

"Gente da minha terra", exposta na galeria ELA de 17 de Novembro a 7 de Dezembro, reúne as mais diversas manifestações artísticas do angolano Guizef. As obras expostas foram criadas tendencialmente para saudar mais um aniversário da independência angolana. Mas, no que se vê do seu desenvolvimento pictural e linguagem estética, pode-se concluir ser um resumo de uma linha de pintura que o artista oferece desde a sua primeira aparição. Nesta exposição Guizef continua as suas preocupações nas definições de rosto, principalmente feminino, e no jogo de contraste das cores e expressões humanas captadas em telas.
Augusto Zeferino Guilherme ´Guizef´, disse-nos que foi ainda em idade tenra que outras pessoas indiciavam que o menino sempre ultrapassava as expectativas quando decidisse desenhar. À procura de sossego, uma boa parte da sua família emigra para o Congo Democrático, onde aí viu-se seduzido a frequentar a escola de Belas Artes daquele país. O resultado desta tentativa que chama de indescritível não foi mais senão a resposta que guarda e promete nunca esquecer: “Tu não tens cara de artista. Eu reconheço um artista quando o vejo”, disseram-lhe os avaliadores. Convencido que era um julgamento absurdo, o rapaz pediu que o teste fosse feito em base aos seus desenhos. Mas não adiantou em nada, porque os representantes da instituição simplesmente continuaram acensurara-lo, certos de que não estavam em presença de um potencial artista plástico. Menino tímido, disse consigo mesmo que podiam ter razão. Isso resultou na sua fuga aos cânones estabelecidos academicamente, sendo um artista que não passou oficialmente nas escolas de arte. Conseguiu o conhecimento geral desta disciplina artística por meio de muita leitura e convívio com obras e outros artistas. Espontaneamente, tudo que era arte o atraia, principalmente a forma construtiva das formas e ângulos.
Em finais dos anos 90 regressa ao país, e apenaspintava em convívio restrito, para amigos e para si mesmo, sem qualquer intenção de expor o seu trabalho ao senso crítico luandense. Nos anos 2000 trava amizade com um artista, conhecedor e académico das Belas Artes, que achou a sua técnica de pintura curiosíssima. A relação se estendeu e vários debates à volta das correntes estéticas foram nascendo, ajudando a amadurecer Guizef e a posiciona-lo no contexto do mercado luandense. É esse amigo que o convida a expor os seus quadros, mesmo contra vontade de Guizef, que estava receoso e ainda tímido para com o seu talento, defendendo-se dizendo que “não gostaria de chegar aonde não é esperado, nem muito menos dar soco no vento”. Guizef tinha receio que os seus trabalhos não fossem objectos de criação de opinião junto dos apreciadores de arte, que não tivesse força suficiente que chamasse atenção pela peculiaridade do seu traço artístico.

A exposição na Galeria Celamar
Enfim, fecha-se para uma exposição. Foi recriando vários trabalhos seus e passando a pintura sobreposta a trabalhos já feitos, uma técnica usual de mestres como Leonard Da Vince, que normalmente causava, na mistura entre o antigo e o novo, uma nova expressão ao quadro.
27 de Junho de 2014, na Galeria Celamar, da também artista Marcela Costa, à Ilha de Luanda, acontece a primeira exposição, que justificou o título ´FeedBack´, tudo porque precisava ver de volta o mesmo amor e empenho investidos no processo de feitura da exposição. Foi marcante, mesmo que tenha chegado lá carregado de dívidas, pelo custo geral de todo o trabalho, da produção à exposição. Ainda no final deste mesmo ano de 2014,no Salão Internacional da UNAP, sai a exposição “O Brilho da Alma”, que veio justificar o seu estilo e traço artístico, bem como os personagens e heroínas do seu cosmo artístico. Também ficou longe de ser um sucesso de vendas, talvez porque as pessoas ainda estivessem a digerir a sua obra, que causou um certo estranhamento no alinhamento das cores, e também uma certa razoabilidade na concepção da imagem.
Saída em 2015 no Memorial Agostinho Neto, a exposição ´KuzuataKuaIxiYetu (vestires da nossa terra)´ apresentou contornos e uma mistura de cores até então não vista na obra de Guizef, embora tenham, no desenho e temática, seguido as duas primeiras. Consagra-o enquanto artista, tanto em termos de venda como em contacto e requisição a galeristas do estrangeiro.

Kuzuata em Milão
Passado alguns meses de contacto e colaborações profícuas, em Outubro deste ano Guizef leva ´ KuzuataKuaIxiYetu´ a Milão, exactamente na galeria do Grand Visconti de Palace, num luxuoso hotel de cinco estrelas, dando início ao propósito de uma andança pelo mundo. As 13 obras que o artista angolano levou foram recebidas com grande entusiasmo, tanto que ficam expostas até 31 de Dezembro.
Houve também momentos menos bons.A abertura da exposição aconteceu sem a presença da comunidade angolana e teve pouca repercussão na imprensa italiana, atraindo apenas outras galerias e coleccionadores que manifestaram o seu interesse em cooperar com Guizef, principalmente galeristas especialistas em obras africanas. Mas, para os angolanos que moram na Itália ou com destino a Itália neste fim de ano, ali terão oportunidade em visitar a exposição deste artista angolano, que só fecha a 31 deste Dezembro e que já leva como proposta quase garantida a passagem numa outra casa de arte italiana, prevista para início de 2017.

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