Kyaku Kyadaff bem-vindo à música angolana

Envie este artigo por email

KyakuKadafi tinha escolhido dar ao público aquela que é considerada pelos seus fãs da linha jazz como a melhor do disco.

Kyaku Kyadaff: Bem-vindo à música angolana
Kyaku Kyadaff

No caso de KyakuKyadaff, é apropriadoacreditar que cada um tem a sua hora fértil de despertar a atenção, desde que continue a trilhar este caminho da Arte que exige outra arte ainda rara nos nossos dias: a da paciência. É justo apontá-lo como uma das vozes que traz lapidada a música de artistas emblemáticos que ocupam lugares de destaquena história da nossa música, como é o caso flagrante da inevitável associação, quanto ao estilo e origem, a Teta Lando. Bem ainda no dia do seu primeiro show, ocorrido no dia 21 de Março no Centro de Conferências de Belas, foi oportuna a consideração que fez sobre os valores que a música ajuda a transmitir e como a literatura pode contribuir para o enriquecendo desta, destacando no final que foi numa das tertúliasna U.E.A que um escritor atento à sua música, Manuel Rui Monteiro, não conseguiu evitar o seguinte reparo, depois de uma sessão musical proporcionada pelo músico: “Parecia Teta Lando”, tinha dito o escritor.

Os dados da sua trajectória e participação de pessoas que têm a sua quota-parte no sucesso deste mais novo querido do público, foram alguns condimentos que fizeram com que o seu primeiro show não fosse apenas um espectáculo bastante previsível, sem nenhuma novidade sedutora. Trajado ao rigor europeu, ou como disse Ary em tom zombeteiro que lhe é característico: “só o sapato!”; resolveu testar o apetite do público ao aquecer o show com o conhecido tema “Me chamam de pacheco”, que muitos confundiam não ser de sua autoria quando lançou este hit em 2009, ainda no limiar da vertiginosa aparição pública que tem sido cada vez mais intensa. Eram 21 horas do dia 21 de Março, quando KyakuKadafi tinha escolhido dar ao público aquela que é considerada pelos seus fãs da linha jazz como a melhor do disco: Se hungwile, faixa que dá título ao álbum e um sucesso sem igual nas paradas radiofónicas da nossa praça. Foi clara em Kyaku a virtude de possuir uma voz límpida nesta que é uma das músicas mais bem arranjadas do disco, sinal seguro de que o mesmo desponta em boa direcção. Mas a banda que o acompanhou não conseguiu acertar com a mesma superioridade melódica, desconseguindo o efeito cadenciado da konga e da dikanza e aquele coro de tom grave que contribui grandemente na qualidade distinta deste registo.
O show ganhou contornos românticos com a participação de Júlio Gil, que conseguiu um dos lugares cimeiros na edição do Variante 2013, acolhido na Lunda Sul. Júlio e Kyaku são amigos de longa data, dos tempos das tertúlias oferecidas em ambiente universitário. Kyaku arriscava em francês e Júlio em kikongo, num dueto que seguia o formato das famosas duplas de baladas românticas brasileiras.
Depois foi a vez de Dodó Miranda ser convidado a subir ao palco. Juntos levaram o público a ficar de pé e cantar em uníssono um registo de temática religiosa, em que os músicos precisaram apenas do piano e das vozes. O anfitrião, das palavras de apreço tecidas a Dodó, foi seguro em classifica-lo como uma das melhores vozes da actualidade musical angolana, sempre exigente e colocando-se sempre contra os espectáculos feitos em playback.
O espectáculo continuou com bons momentos de dança tradicional e sungurae uma pitada humorística dos Tuneza.A justificar o mês das mulheres, Março, Yola Semedo subiu ao palco e com Kyaku ofereceu o seu sucesso “Volta amor”, deixando a plateia feminina ao delírio. Antes de se retirar do palco, amavelmente disse a Kyaku:”Bem-vindo à música angolana”, referindo-se da importância de um primeiro show na carreira de um músico e estar entre os grandes do seu momento. Mas não saiu sem antes voltar a cantar com o anfitrião o sucesso “Kilamba”. A hospitalidade voltou a evidenciar-se com a presença da cantora Ary, e com ela retocaram o sucesso “Paga que paga”, letra de Kyaku e com a qual a cantora se consagrou vencedora da última edição do Top dos Mais Queridos.
O kikongo voltou estaladiço numa música mais dançante e pouco conhecida do público, até porque o show não seguei à risca a sequência do disco, com o tema “Sorysory” a obrigar do cantor uma performance mais na onda do pop e R&B. “Entre Sete e Sete Rosas” vinha a confirmar a grande popularidade de Kyaku, com o público cantar de pé. Nota 100 para os presentes, que souberam responder com uma demonstração de grande carinho pelo músico. Mas foi “Bibi”, já no fim, o ponto alto. A música contagiou o público de tal forma que todas as formalidades do formato do show pareceram empecilhos para um bom pé de dança ou um espaço mais livre para vibrar.
Da presença notória do seu produtor, o conhecido Chico Viegas, que segundo o músico “o adivinha nas escolhas ”, o músico tratou logo de explicar a façanha que foi tentar dar ao público um pouco de variadas tendências da música do hoje mas sem deixar perder as pegadas de grandes do ontem. Aliás, Kyaku explica que tiveram dificuldades de encontrar vozes em Portugal, França e Brasil.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos