Kyaku Kyadaff, O trovador que encantou com “A Voz do Velho”

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Mwana África

Kiaku Kyadaff foi o vencedor do 1º Festival Nacional de Trova. O concorrente da província de Luanda, com o tema “A voz do velho” convenceu o júri e os presentes.

Maria Eugénia Neto entrega o prémio ao vencedor

O Festival Nacional de Trova, organizado pela Fundação Dr. António Agostinho Neto, em parceria com a Arca Velha Entretenimentos, reuniu trovadores selecionados das 18 províncias do país, onde o jovem Kyadaff teve maior destaque.

O relançar do estilo com grandes talentos vai trazer para o país e levar para o mundo muita boa qualidade.

A trova, considerada uma composição poética vulgar e ligeira ou ainda uma quadra popular, cantiga ou uma loa, encontrava-se em extinção no nosso país. O movimento de trovadores quase que ia desaparecendo.

Perfil e história

Eduardo Fernandes, jovem de 30 anos, natural de Mbanza Kongo, conta que sua paixão pela música começa através dos pais. Seu pai foi mestre de um agrupamento musical e sua mãe sempre cantou em grupos corais. Mas não foram eles os únicos incentivos para o jovem seguir em frente.

Foi dentro de um seminário onde o jovem começou a dar os primeiros passos na música. Foi maestro do coral e isso despertou em si um interesse maior pela música, principalmente pela trova.

O jovem é antigo neste mundo de árduas batalhas em prol do reconhecimento dos trovadores. Já participou no Festival da canção da LAC, participou ainda noVariante2009, como representante da província do Zaire e em muitos outros concursos.

Kyaku revela que a sua vitória não começou agora. A letra e a melodia não foram os únicos motivos que fizeram com que o prémio fosse entregue a ele. Mas esta vitória foi também fruto de muito trabalho e dedicação.

O trovador é autor das suas próprias letras e melodias.

A sua maior inspiração vem do quotidiano e da Mãe -natureza. Segundo o mesmo, nas suas composições procura trazer reflexões sobre os problemas sociais.

“A voz do Velho”
A voz do Velho
Todos nós ouvimos ao cair do sol
Ouvimos a voz do mar
E no olhar da esperança a voz do Velho
Que não se pode calar
E seguimos juntos o caminho
O caminho do nosso futuro ao lado dos nossos velhos
E longe de tudo que é impuro

Somos nós que sonhamos o amanhecer
Somos nós que ouvimos o que não se deve esquecer
Que a tempestade jamais cairá sobre nós
E que jamais se calará a nossa voz
O destino vai nos ajudar sim
A colhermos flores no jardim
Ao lado dos nossos velhos
E longe de tudo que é impuro

Somos nós que sonhamos o amanhecer
Somos nós que ouvimos o que não se deve esquecer
Que a tempestade jamais cairá sobre nós
E que jamais se calará a nossa voz
……………

O Velho, a quem Kyadaff se refere na letra da sua música, é o fundador da Nação Angolana. É a sua voz que não se deve calar para todos os filhos desta Angola. O Velho que jamais deve ser esquecido. Nem mesmo a tempestade levará a sua memória.

“Hoje em dia, vemos pessoas parafraseando os poemas de Neto. Vemos pessoas fazendo como lema de suas vidas alguns dizeres do Velho. Então esta voz jamais se calará”- esclareceu o autor.

Seu single e sua obra discográfica

“Gosto muito de trova, embora o meu single seja uma mistura de vários estilos”- confirmou Kyaku.

Tem um single no mercado, com uma música muito conhecida que saiu em 2009 “Me chamam de pacheco mas eu te faço feliz”, que fez muito sucesso nas rádios do país.

Muitas vezes, dada a sonoridade, o seu mais conhecido sucesso dá a impressão a quem escuta de que a música seja do músico Matias Damásio.

Está a trabalhar para o seu primeiro CD no mercado. Ainda não tem uma data estipulada. Mas garante que ainda neste ano tudo estará pronto.

Teremos no seu CD Kilapanga, Afro Funk e Trova. Será a mistura de uma variedade de estilos, mas sem fugir do “radical” que é a trova.

Está a trabalhar com pessoas idóneas, e acredita que, coma ajuda de tais músicos, o trabalho será muito bem feito.

Acredita o trovador que a confiança que as pessoas nele depositaram, depositam e vão depositando nele, de certa forma irá contribuir para um trabalho perfeito.

Músicos que o inspiram

Tem como ídolos e músicos de referência Teta Lando, Gabriel Tchiema, Irmãos Kafala e Duo Canhoto. Admira também músicos trovadores da nova geração como Toto, Dodó Miranda, Wiza, Kanda. “Gosto da voz dele (Teta Lando),do trabalho dele, os seus discos”. Mas acrescenta que, para além de Teta Lando, também é fã de outros músicos internacionais, principalmente Lokua Kanza. “Qualquer trabalho que seja Trova, eu me revejo nele, embora escute todo o tipo de música”- conta.

Segundo o músico Gabriel Tchiema, o concurso foi muito bem elaborado e teve muita qualidade e muita boa música. “Venceu o melhor, pesem embora todos eles serem muito bons ”- afirmou.
Gabriel Tchiema é uma das testemunhas da árdua batalha do jovem Kyaku, daí a confiança que deposita no mesmo.
“Com este festival vamos levar ao mundo e ao nosso país, qualidade real. Conseguiu-se reunir as melhores músicas que temos no nosso reportório”- concluiu Tchiema.

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