Luanda Cartoon: A festa da BD e os seus intervenientes

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A XIII edição do Luanda Cartoon, que aconteceu na noite de sexta-feira,19 de Agosto.

Luanda Cartoon: A festa da BD e os seus intervenientes
Organizadores do Luanda Cartoon Fotografia: Jornal Cultura

O hall e a sala Pepetela do Instituto Português-Camões foram insuficientes para albergar pais, crianças e artistas que quiseram estar presentes no acto de abertura da XIII edição do Luanda Cartoon, que aconteceu na noite de sexta-feira,19 de Agosto. A festa de abertura do Festival Internacional de Banda Desenhada de Luanda superou as expectativas e seduziu pessoas de vários extractos da sociedade luandense, com presença de figuras de topo no desporto e na política angolana, um gesto feliz para as artes visuais em geral, mas sem omitir o mérito que o Estúdio Lindomar, organizador do festival, merece.
Dos trabalhos expostos, mais de duas dezenas, “Enigma”, do artista angolano Sombra Angraf, bem no lado direito, à entrada da exposição principal, já denuncia como a BD angolana se transporta para temas futuristas, consciente de que vivemos numa expansiva sociedade de ferro. E lá dentro, Angraf volta a roubar as atenções com o seu “Kangila Antunes Estupendo”, uma mulher maravilhosa com os cabelos ondulados feito ondas do mar. Disse-nos que é uma homenagem à sua mãe, este interessante trabalho feito à base de grafite e aerografia. Atenção que na escolha das cores faz lembrar Guilherme Mampuya, uma feliz intercessão entre a BD e as artes plásticas. Também, nesta linha futurista, encontramos trabalhos de artistas vistosos como Carnot Júnior. Mas a puerilidade habitual da BD angolana se eleva com nomes como Mergulhão e Elsa Baber, Casimiro Pedro (autor de KotaBoy), Elias-Eclipse. Uma XIII edição ousada, não só pelas habituais cómico-pedagógicas caricaturas de Nelson Paim, mas também pela abertura a temas com traços eróticos, como se pode constatar pelos trabalhos de Júlio Pinto, do francês Julian Cordier, no seu trabalho “Clochard”, e do português Álvaro, para contrariar de uma vez por todas a tendência reinante de que o género BD seja apenas para adolescentes e crianças.

Publicações
Na segunda sala de exposição lançavam-se os novos livros de BD. Tarde ou não, Maniloy, artista BD da nossa praça que sempre apresentou os seus trabalhos em co-autoria, é um dos felizardos desta edição, porque viu concretizada a sua estreia individual no mercado. “Esse Luanda Cartoon, feito num clima de contenção financeira, supera por fazer tradição e mostrar como muitos angolanos gostam de BD. Também é uma nova visão da editora Corimba, que me lança e que pode dar uma nova dinâmica na promoção de publicações de BD. Porque os trabalhos existem, mas faltou alguém que ajudasse a dinamizar os artistas”, analisa o cartoonista. NeloTumbula, autografou mais um livro de sua autoria. Reclamou que o Luanda Cartoon, passados treze anos de visibilidade mediática da BD, ainda é a única oportunidade que têm para apresentar as suas obras. Trouxe a quarta edição da sua revista “Bairro Nangol”, que desta carrega como título“O Evaporizador”, de 42 páginas e que mistura humor e intervenção social na temática. “Precisamos que cresça ainda mais, que se redobre mais o Luanda Cartoon”, apela.
Teles, ouvido quando autografava o número da sua revista Nova BD, cujo foco é o personagem Salomão, uma criança que é bem comportada, afirmou estar admirado pela aderência, embora se lhes falte muito para fazer um certame à altura dos anseios de tanta gente aí presente. “Temos muitos artistas bons, mas falta-nos gráficas e editoras, porque nós tiramos as revistas por meios próprios”, desabafa.
Tché Gourgel, um nome da BD que dispensa apresentações, estima que nesta edição a abertura surpreendeu de todo, tendo ao mesmo tempo quatro autores nacionais a publicarem os seus trabalhos. “É um passo muito grande, mesmo em tempo de crise. Os apoios são muito poucos, mas este festival veio provar que a comunidade de artistas da BD não está presa aos ditames da crise”. Diante da adesão, se está ou não a possibilidade de ser semestral, mesmo estando claro e assente o talento diversificado dos autores, seria ainda sonhar em demasia, porque, argumenta o cartoonista, faltariam os apoios, visto que têm realizado este festival sem fins lucrativos. “Desde o início do projecto que a premissa sempre foi dar visibilidade e espaço da BD, bem como a criação de intercâmbio e a experiência com artistas estrangeiros. Só lutamos ainda para isso”, explica.
“Kong the King”, do convidado luso Osvaldo Medina, segue a base da famosa e universal estória do King Kong, mas a diferença é que na recriação BD do autor português não há um gorila, mas sim uma pessoa de grandes proporções e não morre. O enredo muda muito, mas a base segue a sequência do filme. O autor garante ser uma estória muito inocente, que se apresenta como alternativa à imaginação fílmica deste clássico americano.

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