Luanda Cartoon: Homenageia Independência e dois quarentões

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O Olindomar Estúdio prepara, para o primeiro trimestre do próximo ano, o lançamento de um almanaque com histórias criadas pelos seus 18 artistas e quer também incrementar a participação feminina no 13.º Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação, informou ao Cultura, Olímpio de Sousa, um dos co-organizadores do certame de periodicidade anual. Na esteira deste evento, a Mediateca de Luanda exibe curtas metragens de animação em Setembro, sendo o primeiro “O Mágico”, no dia 9.

Luanda Cartoon: Homenageia Independência e dois quarentões
Cartoon

“Este ano estamos de parabéns. Para esta edição foram publicadas sete revistas de BD, não é só a quantidade, em termos de qualidade em nada ficamos a dever as produtoras internacionais”, sublinhou o designer gráfico e cartoonista Lindomar de Sousa, durante a abertura do evento que teve como tema: “40 anos de Independência Nacional”, e contou com a parceria do Instituto Camões e da Casa de Cultura do Brasil.
Aquele profissional ligado à BD há mais de 20 anos, sendo um dos alunos do finado escritor, etnógrafo, jornalista e desenhista Henrique Abranches, é co-proprietário do Olindomar Estúdio, juntamente com o seu irmão Olímpio de Sousa, uma instituição privada em que a dupla ministra aulas de desenho, design e animação nos arredores do Rangel, na capital luandense.
Na senda do Luanda Cartoon 2015, outra designação do festival de BD, escalaram a capital de Angola, provenientes do Gabão e de Portugal, Patrick Essono “Pahé” e Paulo Monteiro, respectivamente.
No entanto, o acto inaugural para além das apresentações Gicartes (Teles), Ivana Teles, Tché Gourgel, Luísa Lopes, Paulo Monteiro e Pahé, contou com a exibição de filmes de animação nacionais e estrangeiros como “Malta da Paz e da Alegria” e “Pedrito do Cunene”, que deitou por terra as teses que em Angola não se produzem desenhos animados de qualidade, disse Pedro Galiano, uma das pessoas que acorreu ao Camões no dia 21.
Houve pranchas que suscitaram o interesse do público, como a de Teodoro Fernandes: “Burro Not”, um assunto em voga na esteira do polémico clareamento de pele, mas igualmente os trabalhos de Ivana Teles e Luísa Lopes, as duas mulheres que conferiram ao Luanda Cartoon, à semelhança de 2014, uma tónica diferente, uma vez que as propostas artísticas de ambas foram alvo de grande aceitação das mais de 800 pessoas que abarrotaram o Centro Cultural Português.
Malgrado a falta de apoios, Olímpio alegou a este jornal que estão motivados a atingir outras metas, na medida em que reitera estar num grupo com força suficiente para continuar nesta “batalha artística” e vencer, porque as dificuldades são inúmeras.
Entretanto, o cartoonista apontou a qualidade dos trabalhos deste ano como uma mais valia, tendo referenciado a presença de Angola na 42.ª edição do Festival de BD Angoulême, em Janeiro do próximo ano, na República de França, com a integração do cartoonista angolano Altino Chindele, que se junta ao trio: Tché Gourgel, Olímpio e Lindomar de Sousa, um outro ganho.

Nacionais e internacionais
promovidos
O Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação tem vários momentos, aliás, como tem sido habitual, à semelhança dos três últimos anos, após o acto inaugural que teve como anfitriã Teresa Guerra, responsável cultural do Instituto Camões, e o chamamento ao palco dos protagonistas, na voz de Lindomar de Sousa, director do festival, seguiu-se o momento de venda e sessão de autógrafos.
Houve uma agitação para aquisição dos livros aos quadradinhos: Bairro Nangol, Parada dos Kandengues, Kalibradinhos, BDLP N.º5, e O azar de Salomão, sem descurar a exposição inédita 40/40, na ante-sala do Centro Cultural Português, uma inovação que visou homenagear os artistas Tché Gourgel e Carnoth Júnior que celebram, coincidentemente, 40 primaveras tal como a Independência Nacional, de tal sorte que foram apelidados de ‘quarentões’.
Angola esteve representada, na mostra do ‘Camões’, por Altino Chindele, Horácio Dá Mesquita, Horácio Gilberto, Jó Delgas, Júlio Pinto, Nelsom Paim, Casimiro Pedro, Ben Elias, Callis Bosas, Don Samu, Edson Rafael, Carlos Alves e Deban Fusion, Bush, entre outros.
Para além dos trabalhos de artistas internacionais, designadamente Eshonkulov (Uzbequistão), Benjamin Kouadio (Costa do Marfim), Jéremie Nsing (RD Congo), Valery Chmyriov (Ucrânia), Cem Koç (Turquia), Wesam Khalil (Egipto), Michal Graczik (Polónia) Roberto Castillo (Cuba), Eneas Ribeiro, Bira Dantas e Alisson Afonso (Brasil), sem esquecer Paulo Monteiro e Pahé que ministraram palestras e workshops sobre como adaptar uma Banda Desenhada para animação, entre outras acções não menos importantes.

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