Marcela Costa:Da tecelagem artística à Celamar

Envie este artigo por email

Alusão ao Dia da Mulher Angolana e ao Dia Internacional da Mulher.

Marcela Costa:Da tecelagem artística à Celamar
Marcela Costa Fotografia: Paulino Damião

Em alusão ao Dia da Mulher Angolana e ao Dia Internacional da Mulher, Marcela Costa apresentou no passado dia 10 de Março no Camões – Centro Cultural Português a exposição de tapeçaria “Retalhos de Angola”. Durante a inauguração, foi lançado o livro sobre a vida e obra da artista: “Marcela, Filha de Angola”. “RETALHOS DE ANGOLA” marca o regresso de MARCELA COSTA às exposições, após dez anos de ausência, devido às responsabilidade à frente da CELAMAR (promoção/divulgação de outros artistas e organização de exposições). A Artista apresenta 22 obras de tapeçaria, das quais 13 inéditas. Com tecidos, esteiras, missangas e tintas, que dão corpo a figurações diversas, MARCELA COSTA revisita a cultura tradicional de Angola, desta vez, com uma incidência particular nos Povos do Sul.

A obra de Marcela Costa apresenta-se-nos arquitectada em três pilares fundamentais:
1. A original manufactura da tecelagem;
2. Os motivos ou figurações inspirados nos traços da arte ancestral;
3. A solidariedade que brota do Humanismo actuante.
Isto pressupõe trabalho. Pressupõe paciência. Persistência. Humildade. E muito Amor. Amor e espera de mãe. Marcela engravida um tema no útero do tear. À noite os antepassados entram no seu sonho e deixam-lhe ficar fulgurantes figurinos da Vida. Depois deixa as mãos fecundarem o sonho no fio esticado e um novo ser vegetal vem à luz iluminar a alma de quem vê a obra, de quem tem fascínio pela Arte.
Marcela, um dia, se viu a desenhar no pensamento um novo quadro. Um quadro que fosse albergue do mar e do sol, da kianda e do dendém, do dongo e da flor do mato. Então ergueu ali na Ilha de Luanda, um sonho tangivel. E o sonho nasceu, levantou-se e deu sombra aos artistas de todo o mundo. E vieram muitos, sentar-se à sombra daquele sonho. Meninas sem lar ganharam nova família num círculo de Ngoma.
Assim Marcela teceu no sal e na areia os fios do seu sonho. E deu a esse sonho de pedra e cal o nome de CELAMAR.
CELAMAR: fios tecidos no sal da vida e na areia do tempo.
CELAMAR: Angola reencontrada na laringe do amor.
CELAMAR: a mão reerguendo todas as Áfricas do mundo.

Mais de 20 exposições individuais

Marcela Costa nasceu no Golungo Alto, Kwanza Norte. Fez a sua formação em Luanda no Instituto Industrial, onde tirou o Curso de Artes Visuais e, posteriormente, o Curso de Instrutor de Artes Plásticas. Em 1984, partiu para a Suécia, onde tirou o Curso de Tecelagem Artística e suas Superações no Instituto Handarbetets Vanner em Estocolmo e Saterslanta Henslojdes Gard em Dolana.
A artista conta no seu percurso com mais de 20 exposições individuais e mais de 30 colectivas, em Galerias Nacionais e Internacionais. A primeira exposição individual foi apresentada em Luanda, na União Nacional de Artistas Plásticos. Entre os países onde apresentou exposições citam-se: Bélgica (1986), África do Sul (1994), EUA – sede das NU (2003), ex-Checoslováquia (1992), Gabão (1995), Itália, Japão, Zimbabwé, Botswana, Grã-Bretanha, Espanha (1992), Rússia, Coreia do Sul, Suécia (2006), China (2008), Portugal e Estónia (1990).
Ao longo do seu percurso recebeu vários Prémios, em Angola e no estrangeiro, designadamente:
- 1987: 1º Prémio da Exposição Trabalhadores da Importang;
- 1987: Prémio ELF Angola – Bienal do Centro Internacional de Civilizações Bantu (CICIBA);
- 1991: Prémio Assembleia Nacional do Gabão;
- 1999: Prémio do Senado da República do Congo;
- 2002: Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes Plásticas (3ª edição) – Angola (foi a única Artista Mulher a receber esta distinção);
- 2004: Troféu “YariYariPamberi” nos EUA;
- 2004: Menção Honrosa da Direcção Provincial da Cultura de Luanda;
- 2009: Prémio Monumental – Luanda.

CELAMAR

Marcela Costa é fundadora e responsável da Galeria CELAMAR, na Ilha de Luanda, por onde, ao longo de mais de uma década, têm passado centenas exposições e milhares de artistas, angolanos e estrangeiros. O espaço tem três projectos permanentes: a “Amostra de Arte Mulher”, iniciada em 2004, em alusão ao Dia Internacional da Mulher”, na qual participam várias dezenas de artistas; o “CoopeArte”, também criado em 2004, que, durante um mês, reúne, no espaço da Galeria, artistas locais e estrangeiros, para partilha de experiências, técnicas e materiais. Do trabalho realizado resulta uma exposição colectiva; o Grupo de Meninas Percussionistas CELAMAR, constituído por algumas dezenas de jovens desfavorecidas, que recebem apoio e formação musical na Galeria.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos