Maria Belmira tece memórias

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Com recurso a materiais e técnicas diversas, como aplicação em tecido, tecelagem, suporte em
linho natural, bordados e cordas de sisal, MARIA BELMIRA reinventa de forma harmoniosa, criativa e original, o diálogo entre tradição e contemporaneidade

Maria Belmira tece memórias
Maria Belmira Fotografia: Paulino Damião

Inaugurada no dia 6 de Setembro no CAMÕES/CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS a exposição individual de Tecelagem e Tapeçaria TECENDO MEMÓRIAS, da conceituada artista angolana MARIA BELMIRA, presta uma homenagem a algumas mulheres importantes da sua vida, como a sua avó e a sua mãe, “pessoas que marcaram a construção da sua personalidade e identidade”. Presta também homenagem a outras mulheres que a inspiraram e incentivaram a prosseguir o caminho da arte, como as artistas, Marcela Costa e Ana Sousa Santos. Inclui ainda nesta homenagem “todas as pessoas que fazem da arte o seu suporte de subsistência, de afecto, e de valorização da memória colectiva de um povo”.
Em TECENDO MEMÓRIAS, a artista apresenta 10 obras inéditas de Tecelagem e Tapeçaria, produzidas nos últimos seis anos, quatro delas concluídas no corrente ano. Com recurso a materiais e técnicas diversas, como aplicação em tecido, tecelagem, suporte em linho natural, bordados e cordas de sisal, MARIA BELMIRA reinventa de forma harmoniosa, criativa e original, o diálogo entre tradição e contemporaneidade.
Neste seu trabalho, a artista retrata o quotidiano da mulher e a sua relação com a natureza, procurando revelar a harmonia do ser humano no seu habitat natural. Citando palavras da artista “pretendo traduzir as minhas vivências angolanas, as emoções, os mitos, e as expressividades do corpo, através de técnicas do bordado, aplicação em tecido, tecelagem e tapeçaria com matérias de fibras naturais e industriais, tecidos de linho natural e industriais, numa simbiose entre o tradicional e o moderno”. “Trago uma proposta que é uma visão global que pretende construir uma identidade de tapeçaria feita por uma angolana, participando, assim, no resgate da valorização de técnicas tradicionais, numa perspectiva da sua contemporaneidade”.

SOBRE A ARTISTA

MARIA BELMIRA nasceu em Luanda em 1967, onde fez o ensino primário e pré-universitário. Em 1985, concluiu o Curso de Tear, Gravura, Desenho, Pintura e Cerâmica na Escola do “Barracão” em Luanda. Em 1986, concluiu o 2º curso de Tear Artístico, promovido pelo Instituto Nacional de Formação Artística e pela Secretaria de Estado da Cultura de Angola. De 1988 a 1991, foi monitora do Tear da Oficina Têxtil da Escola Média de Artes Plásticas do Instituto Nacional de Formação Artística e Cultural. De 1992 a 1994, trabalhou na Oficina Têxtil e Cerâmica da Escola Profissional de Ofícios Artísticos de Vila Nova de Cerveira em Portugal. Em 2011, concluiu a licenciatura em Estudos Culturais na Universidade Fernando Pessoa no Porto.
Actualmente, frequenta o Mestrado em Estudos Culturais/Antropologia Social na Universidade Fernando Pessoa no Porto.
Ao longo do seu percurso artístico de mais de 30 anos, a artista, participou em múltiplas exposições em Angola, Portugal, Espanha e Egipto, entre outros países.

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