Mbanza Congo foi tema do Carnaval na Classe B

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Vencer para ter um lugar ao sol. Com este pensamento os grupos da Classe B de adultos do Carnaval de Luanda chegaram, domingo, dia 11, à Marginal da Praia do Bispo. O desfile iniciou às 17h00. Com 20 minutos de exibição para cada um, os 14 participantes procuraram dar o seu melhor para terem a oportunidade de no próximo ano disputarem no desfile central.

 

Fotografia: Dombele Bernardo|Edições Novembro

Vencer para ter um lugar ao sol. Com este pensamento os grupos da Classe B de adultos do Carnaval de Luanda chegaram, domingo, dia 11, à Marginal da Praia do Bispo. O desfile iniciou às 17h00. Com 20 minutos de exibição para cada um, os 14 participantes procuraram dar o seu melhor para terem a oportunidade de no próximo ano disputarem no desfile central.
Oriundos de vários distritos da capital, os concorrentes apresentaram vários temas, na sua maioria relacionados com o quotidiano dos luandenses, a e alertas para determinadas práticas erradas, que nos últimos anos se tornaram uma constante na actual sociedade angolana.
Para conquistar um lugar no acto central na próxima edição do Carnaval, os grupos da Classe B fizeram uma aposta forte na coreografia e na indumentária, algumas mais vistosas em relação às outras. A alegoria foi uma preocupação da maioria dos grupos, apesar de nem todas terem condições de responder às exigências do desafio.
Esta edição da festa foi aberta pelo grupo União Kazukuta do Sambizanga. Procedente do Sambizanga, o grupo, que é um defensor do estilo kazukuta, falou sobre as mudanças que ocorrem actualmente no país, com maior ênfase para o actual Presidente da República, João Lourenço.
O único representante do Zango, o Unidos do Zango, o segundo na ordem do desfile, falou um pouco sobre os avanços do país. Com a canção “Twasakidila”, o grupo elogiou os ganhos e os avanços, nos vários sectores sociais e económicos, registados nos últimos anos. Um dos executantes do semba bem recebido pela plateia.
Do Kilamba Kiaxi chegou, 25 minutos depois, o 17 de Setembro, que este ano, com a canção “Twadala Ufolo”, como hino, chamou atenção para a preservação e importância da paz e da liberdade. No ritmo do semba, o grupo conseguiu impressionar pela cadência e coreografia.
O quarto na ordem de desfile foi o Etu Mudietu. Proveniente do Sambizanga, o grupo chamou a atenção, com o tema “Kukaia ô droga mwangola”, executada no ritmo do semba, para os perigos das drogas, assim como a urgência em se eliminar este problema, em especial entre os jovens. O tema e a coreografia do grupo conseguiram encantar a plateia.
Minutos depois foi a vez do União Kwanza, que veio do Talatona, ocupar a pista da Marginal da Praia do Bispo e, no compasso da kabetula, impressionar o júri e a plateia. Com cadências próprias do seu estilo de dança, o grupo ressaltou as vantagens de certos investimentos feitos pelo Executivo nos últimos anos, com destaque para “A ponte da Camama”.
Depois de receber o testemunho, o Giza, do Rangel, teve a responsabilidade de convencer a todos que merece um lugar na próxima edição. Para tal, o grupo fez uma “Homenagem ao Ministério das Pescas”. Com símbolos adequados ao tema da sua canção, como as peixeiras e os pescadores, assim como vestimentas coloridas, o grupo recebeu aplausos do público após a sua exibição.
Proveniente de Cacuaco, o Domant tentou, mais uma vez este ano, conquistar o seu lugar no desfile central. Com o semba no pé, o grupo falou sobre as empregadas e as suas dificuldades para sustentarem as suas famílias. O tema da sua canção foi “Lembinha”. Apesar dos vários problemas de transporte que enfrentaram para chegar até a pista da Marginal da Praia do Bispo, o grupo conseguiu se adaptar a tempo e dar o seu melhor.
O Sagrada Esperança, que em anos anteriores foi um dos destaques da “festa”, desfilou em nono. Este ano o grupo, que dança semba e vem do Rangel, usou a canção “Twaletuuoma”, para falar um pouco sobre algumas das tradições de Luanda. Pela coreografia, alegoria e a vestimenta dos seus integrantes, o grupo esteve entre os mais assobiados no final da sua actuação.
Mbanza Congo, a cidade angolana eleita património da Humanidade, foi o tema escolhido pelo União Amazonas do Prenda. Oriundos do Prenda, Maianga, o grupo decidiu que este ano iria reconhecer a importância de sermos também parte da História do Mundo. Com o semba como ritmo, o grupo soube se impor na pista.
O Kilamba Kiaxi voltou a ser representado no desfile com a actuação do Unidos do Kilamba Kiaxi, que, com a canção “Mantenha a cidade limpa” e o semba como dança, lançou um alerta social para um problema, o do saneamento básico, que tem se mostrado um entrave na vida dos munícipes da capital.
O último representante do Kilamba Kiaxi nesta edição do Carnaval de Luanda foi o União Angola Independente. O grupo, que interpretou a canção “Mukongo wayia mu tomba”, no estilo semba, lançou também um alerta social, desta feita para a caça ilegal. Com alegoria bonita e vestuários muito coloridos, conseguiram chamar atenção da plateia, que os elogiou com aplausos.
O penúltimo concorrente foi o União Povo da Samba. Com notas altas para a sua alegoria, vestuário e falange, o grupo fez uma “Homenagem ao Comandante Luís Filipe”, um dos seus símbolos. Como “filhos” da Samba, o grupo, que fez dívidas para poder dançar este ano, levou a grandeza do seu semba, à apreciação do jurado. O público ovacionou bastante a sua passagem.
No final, já depois das 21h00, foi a vez do União Twabixila fechar a festa. Com a sua roupa típica, onde sobressaem os espelhos, o grupo de Viana apresentou o tema “Madiuwanu”, para chamar atenção a “crescente onda” de delinquência juvenil no seu município e a importância de se começar a combater, com mais intensidade, esse flagelo.

TRIUNFANTES

Apesar das dificuldades vividas pela maioria, o júri desta edição escolheu cinco grupos, que no próximo desfile vão juntar-se aos 12 da classe A (ao contrário das edições anteriores, uma vez que este ano nenhum grupo do escalão principal desceu de divisão), para colorir a “festa”.
Com base nos votos e na avaliação do júri venceu esta edição do Carnaval de Luanda, na Classe B, o grupo União Povo da Samba. Os lugares seguintes foram ocupados pelos grupos Sagrada Esperança, Etu Mudietu, Twabixila e Giza. O primeiro classificado vai receber 1.500.000 kwanzas, enquanto o segundo recebe 1.000.000 kz. O terceiro, quarto e o quinto classificados recebem 600.000, 500.000 e 400.000, respectivamente. O União Angola Independente, do Kilamba Kiaxi, venceu o prémio BAI Canção, pelo tema “Mukongo wayia mu tomba”, da autoria de José Pedro Morgado e interpretado pelo próprio.
Este ano o júri da Classe B, do Carnaval de Luanda, foi o mesmo da Classe A. Presidido por Jomo Fortunato. Fizeram igualmente parte do júri Manuel Vieira Dias Tomás, Nelson Augusto e Sacaneno João de Deus (Dança), Jomo Fortunato, Santocas e Dikambu (Canção), Alice Berenguel, Cavisita Lemos e Elisabeth Santos (Corte), Kidá, Guilherme Mampwya e Van (Painel), Xabanu, Roberto Figueira e Adão Filipe (Comandante), Massongui Afonso, António Gonga e Etona (Alegoria), António Coelho, Domingos Cristo e Carla Esmeralda (Falange de Apoio).

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