Monólogos Victória Soares não existem ex-actrizes

Envie este artigo por email

Na LAASP, preenchiam a primeira fila figuras de destaque da Cultura.

Monólogos Victória Soares não existem ex-actrizes
Totonha ( ao centro) recebe de Vieira Lopes um diploma de mérito Fotografia: Joao Gomes

No fim de tarde do Dia Mundial do Teatro, 27 de Março, Totonha foi a estrela de grande eco na LAASP, Beto Cassua e Conceição Diamante eram as figuras destacadas no Kilamba e numa das unidades hoteleiras da capital, o escritor Fragata de Morais fazia a leitura pública da mensagem consagrada ao dia, que este ano honrou o dramaturgo russo Anatoli Vassiliev, e na qual enfatiza o teatro como arte totalizadora da criação humana, conferindo-lhe a responsabilidade de “contar tudo”. Na LAASP, preenchiam a primeira fila figuras de destaque da Cultura, nomeadamente Mena Abrantes, Manuel Sebastião, Vieira Lopes e professores e actores de teatro.
Totonha (Victoria Soares) inicia a sua actividade teatral aos seus doze anos, sob direcção de Augusto Correia. Mas o ano de 1989 é-lhe especial: marca o início da sua actividade no Oásis, a convite de Kangombe. Devido a impossibilidade visual, limita-se dos palcos ainda na década noventa, mas nunca deixa o teatro, sendo presença assídua nos mais importantes momentos do teatro angolano.
O projecto teatral Cena Livre escolheu-a como rosto do festival de monólogos, cuja primeira edição aconteceu na semana da comemoração mundial do teatro. Desta iniciativa aplaudida por todos como oportuna, quando Totonha subiu ao palco e viu-se na condição de agradecer pelo carinho a si demonstrado, disse aos presentes: “O simples acto de esta temporada ter o meu nome, já é uma grande honra para mim. Uma vez uma pessoa disse que um dos mais profundos sentidos da mente humana era a ausência de ser apreciada. Felizmente, o Cena Livre apreciou e decidiu distinguir-me com uma homenagem, sem no entanto esperar que eu já estivesse numa caixa, pronta para desembarcar no Catorze, Santana ou Benfica. Os anais da nossa história ficarão marcados e ninguém poderá apagar estes momentos. Os autores e actores fazem-nos viajar no tempo e no espaço, e o percurso da minha vida, pode acontecer a qualquer um. Nasci no Sambizanga, mas sou filha de originários de Malange, e de lá partilho com vocês o adágio para um caçador: “ O caçador quando vai à busca, não sabe que preza trará, apenas que que amigos o esperam na aldeia para dividirem a carne. Mas se este tiver algum problema, nada lhe garante que estes amigos o confortarão”. Este prémio é um desafio, porque eu estarei sempre no teatro, nos bastidores ou no palco. Eu detesto os atrevidos que me dizem ex-actriz. Existem ex-jogadores mas nunca ex-actrizes. Porque o teatro é a própria vida, enquanto haver juízo, o teatro existe. Ser actriz é apaixonante e nos oferece uma dualidade de funções”.

Depoimentos
A noite teve espaço para uma vaga de depoimentos, passados em vídeo. Adelino Caracol contextualizou o quão importante tem sido a participação de Totonha na construção anímica de muitos fazedores de teatro, Tony Franpenho viu nela a grande mãe que fez jus ao nome que é carinhosamente chamada no teatro angolano: “Tia Totonha”. Flávio Ferrão lembrou que um dia a homenageada deveria merecer uma casa de teatro com o seu nome, sugestão que deixa aos responsáveis culturais. E todos foram unânimes quanto ao título caso se lhes desse o desafio de montar uma peça biográfica sobre Totonha, aproveitando para já o nome Victória como fio condutor do enredo.

Monólogos Victória Soares
Com carácter competitivo, o cardápio era vasto: o Arte Vida, dirigido por Adorado Mara, adaptou “Sagrada Esperança”, de Agostinho Neto. Foi vivida em palco pelo actor Caetano Farriel e ganhou o título de “Gritos”. Tu Jingueji, dirigido por Godofredo Pedro, adaptou “Transparentes”, de Ondjaki. Foi levado em palco pela actriz Maria António e permaneceu “Transparentes”. “Meu Diário” foi o resultado da adaptação de “Cinco Dedos de Vida”, de Ismael Mateus, pelo grupo Grutij. Dirigido por Honório Afonso, foi vivido em palco por Domingos Filipe. Dadaísmo não alterou e a peça retomou o título da obra adaptada: “E La Fora os Cães”, de Ras Nguimba Ngola. Foi dirigida por Hilário Belson e vivida em palco por Carlos Adair. Yeto a Yeto, sob direcção de Kwenese Paim, adaptou “Erros que Matam”, de Antónia Sónia. Foi vivido por Lukénia Maria e não teve alteração no título. O grupo Fortaleza levou “Um Minuto para Amar”, de Felisberto Felipe, adaptado por Madaleno Fonseca, sem alterar o título. Foi vivido em palco por Eliane Caiombo. O Nova Semente levou a peça “A Confissão da Órfã”, adaptação de “A Órfã do Rei”, de Mena Abrantes. Sob direcção de Miguel Lourenço, foi vivido em palco por Eliandra Lucas. Amazonas trouxe “A Visita”, de Fragata de Morais, e Chance El Chaday, o director do grupo, não alterou o título. Foi vivido pela actriz Jay Ngunga.
Feitas as apreciações, o júri escolheu Eliane Caiombo como melhor actriz; Carlos Aldair melhor actor; melhor poesia a Caetano Furriel; Gritos foi dada como a melhor peça.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos