Nesta Noite Improvisa-se um novo olhar sobre a trova

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Aline Frazão, Toty Sa’Med e Unekka foram as apostas para a estreia do projecto “Nesta Noite Improvisa-se”, que teve lugar na LAASP, ex-Liga Africana, ao Maculusso. Foi um concerto único e inovador, em termos de formato, sonoridade e conteúdo, onde a trova e o improviso, embalaram a plateia em determinados momentos, assim como levaram a euforia os presentes.

Aline Frazão, Toty Sa’Med e Unekka foram as apostas para a estreia do projecto “Nesta Noite Improvisa-se”, que teve lugar na LAASP, ex-Liga Africana, ao Maculusso. Foi um concerto único e inovador, em termos de formato, sonoridade e conteúdo, onde a trova e o improviso, embalaram a plateia em determinados momentos, assim como levaram a euforia os presentes.
A produção da Kwatas & Koolies, uma organização que trabalha na área de promoção e produção de eventos culturais e agenciamento de artistas e tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento da cultura artística nacional através da promoção de actividades diversas. A música nacional, especialmente a praticada entre os artistas da nova geração, buscando difundir um conceito alternativo das sonoridades de todas as partes do país e do mundo, bem como de levar a arte mais próximo das pessoas, também é outra das pretensões desta promotora de jovens empreendedores culturais.
Os artistas em palco, exímios guitarristas, duas vozes que são certezas e outra em progressão artística, transformaram a sala que habitualmente recebe peças de teatro, num cenário semelhante ao que é encontrado noutros lugares, quando produzem concertos de voz e violão. Ficou demonstrado que a trova pode voltar a sair dos bares, para salas maiores.
Temas como “Páginas rasgadas da minha” e se te meteres na minha de Zé do Pau, “Suzana” e “Nguxi” letra de Rosita Palma e sucessos na voz de Belita Palma, “Merengue Rebita” (Helena Yo) de Paulinho Pinheiro, “Caso de Amor” de Euclides da Lomba e outras canções que marcam varias épocas da musica nacional, ganharam roupagens umplugged interessantes. Também temas internacionais que influenciam a tripla improvisadora conquistaram, com realce para os de Sara Tavares, artista cabo-verdiana que tem colaborado com Aline Frazao e Toty Samed e um tema de Ayo que caiu como disco pedido solicitado por jovens seguidores da Unekka. Como “uma boa intrusa” cimentou a sua posição, com “Mercado do campo” e “canção para alma”, temas autorais que foram bem recebidos.
O ambiente de espontaneidade, permitiu que fizessem o único improviso, combinado, que era que um dos espectadores subisse ao palco e contasse uma estória, para que os músicos fizessem um tema. Houve tempo também para adaptar alguns temas da nossa velha-infância como “Zero e “Mana Dyala, a “Felicidade de Sebem, frestyle a moda do hip-hop e claro noias de kuduro.
Tecnicamente foi interessante quando Toty aproveitando o dispositivo dos pedais da sua guitarra, fez o que habitualmente é marca de Richard Bona e Bobby McFerrin, quando deixam de tocar em palco e o som ecoa,
A veia interventiva de Aline Frazão não ficou de fora quando improvisou Pais utópico e ditadura do tempo da castadura. Apropriando-se do “Xé Menino não fala politica”, frase eternizada por Waldemar de Bastos em “Velha Xica” fez uma colagem com “Boca do Mundo”, um dos temas que marca a sua preocupação com os problemas sociais.
“Nesta Noite Improvisa-se” ofereceu experiências singulares, diante de novas e inesperadas atmosferas rítmicas e sonoras”.
Os músicos fizeram um perfeito casamento entre voz, violão e poesia. Os trabalhos de Aline Frazão, Unekka e Toty Sa’Med falam por si, sendo conhecidos por trazer no seu reportório clássicos da música nacional, trabalhados e apresentados com novos arranjos.
Kelani Mote Mvemba, ou simplesmente Unekka, artista e activista, que tem conquistado o seu espaço nas casas, onde a “chamada música alternativa faz morada, toda com regularidade desde 2015. Natural do Sumbe, a cantora e professora de violão aposta na World Music, Jazz, Blues, Reggae, Soulmusic, as suas influências passam de Ayo, Baba, Sara Tavares, Jazz, blues, Reggae, Semba, dentre outros estilos. Integrante do Ondjango Feminista e membro da Associação Afrocracia, desenvolve o projecto social Tchinganje e batuque, usa a arte como um forte veículo de consciencialização. Voluntária da Fundação Arte e Cultura, esta jovem formada em gestão de empresas, interpreta covers de temas de Bob Marley, Sara Tavares, Ayo, Asa, Corinne Bailey Era, Nina Simone, Baba, Lokwa Kanza, Aline Frazão e outras vozes em espaços como Kings Club, Thompsom House, Evento Muhatu, Quintas Tropicais, Meu Gueto Minha Bandula com António Paciência, Oficina do Saber com Harvey Madiba e em programas televisivos e radiofónicos exibindo;se com o seu violão. Afirmou que foi uma honra partilhar o palco com Aline Frazão de quem tem como referência. Encontra-se na fase de gravação de alguns temas musicais, mas enquanto não estão no ar a alternativa é aprecia-la nos locais e projectos referidos.
A cantora, compositora, guitarrista e produtora Aline Frazão é um dos nomes sonantes da nova geração de músicos angolanos. Em 2011 lançou o seu álbum de estreia, “Clave Bantu”. é composto por um repertório autoral gravado em Santiago de Compostela. "Movimento", editado em 2013, é o seu segundo álbum e “Insular”, o seu terceiro disco de originais, que foi gravado na ilha escocesa de Jura, “Insular” e teve a produção do britânico Giles Perring e participação do guitarrista Pedro Geraldes (Linda Martini). O próximo disco está agendado para finais deste ano. Aline tem composições de José Eduardo Agualusa, Carlos Ferreira, Ana Paula Tavares. Ondjaki, Alda Lara, Rosita Palma, dentre outras parcerias. A cantora tem se apresentado em vários palcos mundias, partilhando a música com o seu activismo social e a comunicação social.
Toty Sa’Med tem sido um dos mais cúmplices parceiros de Aline Frazão, compositor e multi-instrumentista é actualmente dos mais solicitados guitarristas e produtores da nova musica angolana. A sua primeira formação foi “Cuecas e Boxes” que mais tarde passou a chamar-se Banda The Kings. Músico eclético vai desde o Rock Psicadélico ao Jazz, passando pelo Semba, Kizomba, MPB, Morna, Kuduro, ou seja, não tem barreias de estilo. Tem trabalhado com Filipe Mukenga, Filipe Zau, Aline Frazão, Selda, Kizua Goiurgel, Gari Sinedima, Paulo Flores, dentre outros. Toty Toty Sa’ Med lançou o EP Ingombota a 13 de Outubro de 2016. Toty conquistou o espaço português e tem feito produções para cantores dos PALOP.

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