O mundo parido do ventre da mulher

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Exposição na galeria Celamar

Cerca de 50 obras de variadas artistas plásticas estão expostas desde 20 de Março na galeria Celamar. A Exposição acontece em homenagem à mulher. À entrada, duas mulheres interligadas sem possibilidades de separação. Os ventres em forma circular chamam a atenção, como se nos quisessem dizer que o mundo também foi parido, e do ventre de mulher. Bem, talvez um mito a acrescentar.

Sem título. O quadro é da autoria de Filomena Coquenão. Dois ou três passos adentro, a pintura de Pontes fita fixamente estados de ternura  e tristeza, espanto e sede... Os desenhos abrem fontes de luz muito pela forma como expõe a porta da alma: os olhos. Neles há um olhar que nos atinge até ao fundo, que nos disseca. Uma (ex)posição da alma que carrega um chamamento difícil de negar.

Mas a minimalidade do corpo em Mariza volta a colocar a alma na dimensão da cor, tal como em Grácia, cujos traços disformes nos limites da imagem sugerem uma analogia com a característica imposta por Tarsila do Amaral, a artista plástica brasileira que marcou o modernismo do seu tempo.

O encanto feminista em Namulando, a transparência em Wawa e a luz cromática em Patrícia são traços transitórios em que as cores reagem a um automatismo.
Stephanie Gotterson é um nome a reter. A artista expôs a obra Agradecer, um quadro cuja imagem da mulher está numa posição de costas para quem o vê. O verde-escuro a desfalecer faz sobressair o seu ânimo. A imagem acontece com o jogo dos limites do espaço e da cor, com uma exploração que resulta numa arte requintada.

Maria Cruz em Complemento reporta como um sonho a sombra estrondosa da mulher, reutilizando uma árvore gigantesca (talvez um imbondeiro) como metáfora satisfatória. Haja vista de que ambas ­ árvore e mulher ­ são mães. São solos fecundantes. São parte genésica da matéria. Imanni da Silva consegue uma "Homenagem" nula de qualquer silêncio. Sugerindo-nos que os olhos jamais estariam fechados para a mulher que se devolve aos sentidos, guia-nos ao paradoxo da ilusão da visão da matéria.

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