O tocante impressionismo de Mumpasi

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A exposição “Mosaicos Impressionistas” foi aberta no dia 9 de Maio na Fundação Arte e Cultura e fica patente até ao dia 9 de Junho. Na apresentação que o seu contemporâneo Guilherme Mampuya tece acerca da obra de Mumpasi, poderemos repassar aqui a frase “qualquer olhar menos avisado enxergará apenas beleza e cores flamejantes” para lembrar o conceito ao qual o movimento impressionista ficou intrinsecamente conotado, no jogo da luz da cor e da cor da luz. Em parte, essa afirmação intima também que a própria acepção do conceito deve ser refeita nos ditames da idiossincrasia do contexto.

Mumpasi no dia da exposição

Mumpasi desliza o pincel em telas de mosaicos de pedra. O seu traço toma às vezes um contorno cubista na construção da imagem. Mas toda a propriedade da sua arrumação cromática segue satisfatoriamente o fôlego da escola de Manet. As cores provocam e convocam o observador a fazer dormir o olhar sobre o chão de imagens que vão ganhando forma e despertando detalhes.
Ritmo da Música Africana, Boa Vida, Maternidade, Pensar e Socorro são alguns dos quadros em que o exercício pictórico transmite pela cor as divergências do real e o sonho do reencontro com as cores da vitalidade da matéria, em que os seres se movimentam em comunhão com tudo e as cores se distinguem como sinal de vida.
“Quando falamos de mosaicos, lembramo-nos de imediato de uma reunião de pequenas peças coloridas, sejam elas de vidro, pedra ou outro material conhecido, com o intuito de formar um desenho sobre uma superfície”. Mampuya volta a detalhar a técnica em que Meso investe para dar ao observador o seu tocante impressionismo, actualizado e interactivo.
Os temas se alternam: chocam, meditam, voltam-se para o passado, cantam a mãe e a terra, a grande liberdade, como se de coisas-irmãs se tratassem quando estas se desfazem em cor.
O artista volta-se muito para a descrição de figuras humanas. Há sempre nele aquilo que defende que o “sublime prazer mundano na sua espontaneidade evoca a eternidade que interpreta cada momento da consciência humana. O recital de luz, beleza e de fé prefigura o estado paradisíaco.”
Mumpasi nasceu em Mbanza Kongo, província do Zaire, a 15 de Maio de 1984. Filho do artista plástico Mumpasi Zameso, é este que o experimentou nas artes plásticas, seu mestre na arte de pintar mosaicos de pedra.
Em 2004 recebeu a sua graduação em pintura pela Academia de Belas Artes da República Democrática do Congo. Em 2007 finalizou a graduação em pintura-logo. Em conjunto com a NGANG´ART, no mesmo ano, recebeu o Prémio Centro Cultural Francês em estilo mosaico. Meso participou em várias exposições colectivas e individuais na Europa e África.

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