Os “Senhores do Vento” Costumes dos hereros em exposição de arte

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A colonização, a expropriação de terras.

Quem foram os Hereros? Qual o seu papel na História de Angola? Esta e outras dúvidas foram respondidas pelo artista plástico Thó Simões que, depois de meses de pesquisa, apresentou o resultado do seu trabalho em “Senhores do Vento”, uma exposição de pintura sobre coragem e determinação de um povo.
Aberta ao público no passado dia 27, a mostra, patente na galeria Mov’Art, em Luanda, promete levar, qualquer um dos seus visitantes, por uma viagem pela história dos hereros e alguns dos seus desafios mais marcantes, com base no heroísmo de Samuel Maherero.
Quando questionado sobre “quem são os ‘Senhores do Vento’?”, o artista disse que eram os 24 mil hereros que fugiram com medo de ficarem confinados aos campos de concentração, dos quais mil, sob a liderança de Samuel Maherero chegaram até o Botswana.
A base de todo o trabalho é a travessia que este povo - de origem Bantu, tradicionalmente pastoris - efectuou pelo deserto do Kalahari (Namíbia), quando o tenente general alemão LotharVonTrotha tentou os eliminar, devido a questão das terras do sudoeste africano. Este conflito que quase levou a completa extinção dos hereros está agora descrito em diversas telas, em acrílico e noutras técnicas, cujas cores são uma das predominâncias.
Com vários traços da arte urbana, o artista procura dar vida a inconformidade de um povo perante a colonização, a sua guerra contra o invasor e a divisão e expropriação de terra, mas enquadrando o assunto também as reflexões dos tempos de hoje. “A determinação de um povo que mesmo perante a adversidade não desistiu é algo que impressiona qualquer um”, disse, destacando que enquanto artista vê esta motivação como pilar para a construção de uma sociedade melhor.
Para Thó Simões, o tema da exposição - cujo enfoque principal é a negritude, a colonização, a expropriação de terras ou até mesmo de culturas - apesar de ter a sua base no passado, é e continua a ser bastante actual. A única variável, acrescenta, são as reflexões que as pessoas podem fazer ao visitar a mostra, como “o que leva o homem a explorar o seu semelhante”. “Desde o início do Mundo este tema tem sido uma constante. Hoje trouxe a abordagem do assunto através da História de um povo - como quase todos os do Sul do país - que me fascina muito, devido a sua cultura e determinação para vencer as dificuldades”, conta.
Constantemente em busca das causas e motivações que levam as pessoas a agirem desta ou daquela forma, o artista prometeu continuar a procurar por respostas para as suas indagações, algumas das quais muito comuns. Embora a sua pesquisa esteja mais virada para os povos do Sul de Angola, Thó Simões também tem curiosidade de conhecer mais sobre o seu passado, “como angolano, pessoa e africano”. “Enquanto não estiver satisfeito com as respostas os temas dos meu trabalhos vão ser sempre os mesmos.”
Depois de meses a seguir o rasto dos hereros, o artista, que acredita muito na sua intuição, nas vibrações e na curiosidade, promete continuar a desenvolver o seu trabalho em temas que ajudem as pessoas a conhecerem mais sobre a cultura e História de determinados povos, cujo acervo histórico-cultural é vasto, mas correm o risco de serem “engolidos” e esquecidos dentro do fenómeno globalização.

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